19 de abril de 2019

A Caça

A Caça
S.T.A.G.S. M.A. Bennett. Trad. Alves Calado. São Paulo. Arqueiro. 2018. 240 páginas.

Sinopse:
O ano letivo começou e Greer ­MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é.
Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: “caça tiro pesca”. Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio... e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras.
Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita... e eles querem sangue.
Que a caçada comece!

Ponderação:
Um thriller bem chatinho, tentando mostrar o óbvio em diferença de classe social. Atração pelos opostos com alto grau de preconceito. O velho embate entre o manual e a máquina. A evolução natural das coisas. O uso da tecnologia pode ser benéfico ou maléfico, a questão reside na maneira como for utilizada. 
O narrador-personagem, devemos dizer: -  a narrativa, da narradora-personagem, não tem muita personalidade, constantemente faz comparações com filmes e divagações cinematográficas.


À Cidade

À Cidade
Mailson Furtado Viana. Fortaleza. Expressão Gráfica e Editora. 2017. 72 páginas.

Sinopse / Ponderação:
Longo. Não iremos fazer análise poética das estrofes e suas correspondentes. Também não é épico, talvez seja poema monólogo. Seria um bom texto.
À Cidade narra como é ou sente qualquer cidade do país, do sertão nordestino. Mas poderá ser o sertão interior de cada um de nós.
À Cidade destruída e construída pela história e por nós.




18 de abril de 2019

O Capote

O Capote
Nikolai Gógol. Trad. Roberto Gomes. Porto Alegre. L&PM Pocket / TAG. 2017. 48 páginas.

Sinopse:
Escrita em 1842, é considerada a obra prima da literatura russa. É a história de um pobre funcionário público que, a grandes custos, consegue comprar um novo capote e é roubado no mesmo dia em que o inaugura. Segue-se então, uma via-crúcis pela burocracia russa.

Ponderação:
O Capote desenvolve uma visão realista até se findar em uma conclusão completamente absurda. A jornada social e desesperada de Akaky, um copista do governo, em busca de dinheiro para comprar um capote novo. O homem consegue cumprir com seus objetivos. Daí, tudo corre por água abaixo. O Capote desaparece e se submete a várias tentativas de reaver seu capote, não o consegue de volta. 
Incrível como é atual no que se trata das relações humanas. O conto é bem bacana e atual. Temos abuso de poder. E burocracia então? Apesar de ser uma ficção russa de meados do século XIX, poderíamos dizer que há muito de burocracia verde-amarela.




Fúlvio Stefanini

Fúlvio Stefanini: Abrindo as Gavetas.
Nilu Lebert. São Paulo. Imprensa Oficial. 2010. 248 páginas no formato digital. {Coleção Aplauso}

Sinopse:
Nos palcos e nas telas há mais de cinco décadas, Fúlvio Stefanini é um artesão de tipos inesquecíveis. Seus trabalhos no cinema, teatro e televisão renderam-lhe diversos prêmios da crítica especializada e de um público fiel. Criador de tipos inesquecíveis como o galã Tonico Bastos (na novela Gabriela), Fúlvio é um verdadeiro artesão de personagens - nos quais imprime uma humanidade capaz de torná-los íntimos do espectador.

Ponderação:
Depois de meses, lendo um pouco de cada rincão literário do planeta; ler esse perfil, foi maravilhoso. Retornar ao tempo da ociosidade bendita da adolescência! Conhecer o outro lado da produção da telenovela,  do cinema e teatro. Verificar a mesma opinião, no conceito, sobre obras literárias em outro suporte/meio, de um professor de jornalismo cultural mencionou, tem valor de  ser outra obra, podendo significar melhoria ou desastre. Como exemplificado em "Tonico Bastos" de Fúlvio ser melhor do que o de Jorge Amado em 'Gabriela, cravo e canela' .



30 de março de 2019

Tônia Carrero e Cecil Thiré

Tônia Carrero: Movida pela paixão
Tania Carvalho. São Paulo. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. 2009. 276 páginas no formato digital. {Coleção Aplauso}

Cecil Thiré: Mestre do seu ofício
Tania Carvalho. São Paulo. Imprensa Oficial do  Estado de São Paulo. 2009. 316 páginas no formato digital. {Coleção Aplauso}

Sinopse:
Maria Antonietta Portocarrero Thedim nasceu no Rio de Janeiro em 23 de agosto de 1922. Graduada em Educação Física, formou-se atriz na França, onde foi viver com o artista plástico Carlos Arthur Thiré, pai de seu único filho.
As confissões, os segredos profissionais, a unidade familiar. Parte da história do teatro brasileiro e a história recente do país.
Com o intuito de preservar a memória cultural brasileira, o livro apresenta uma de nossas atrizes, em momentos de sua carreira e de sua vida.

Tônia faleceu em 03/03/2018 aos 95 anos.

Cecil Thiré produtor, diretor, ator, tradutor e até mesmo coreógrafo, faz e fez de tudo em teatro. No cinema, participou do Cinema Novo à chamada pornochanchada – dirigiu, atuou e fez roteiros. Os críticos até hoje elogiam sua obra-prima esquecida, O Diabo Mora no Sangue, e seu episódio de Ibrahim do Subúrbio. Em televisão, começou como galã, passou pelo humorismo, como ator e diretor, e fez alguns vilões memoráveis, como Mário Liberato de Roda de Fogo e o assassino Adalberto de A Próxima Vítima. Além disso, é professor, há mais de 20 anos. Gosto de me definir como um intermediário. Sou tradutor, diretor, ator, produtor, eu estou entre a obra e o espetáculo. Mesmo quando sou professor eu estou entre a arte e o aprendiz. Cecil é filho de pais ilustres; a mãe é a lendária Tônia Carrero, e o pai foi o pintor, artista, pioneiro em quadrinhos, jornalista e diretor de cinema Carlos Thiré (1917-63) que, na Vera Cruz, dirigiu Luz Apagada e Nadando em Dinheiro. Atualmente, com 75 anos, visto que nasceu em 28/05/1943.

Ponderação:
Depois de ler essas duas obras biográficas, conscientemente fica difícil avaliar o mérito de seus personagens títulos. Visto que suas histórias estão entrelaçadas pelo laço familiar e pelo amor a arte de representar. Não há dúvida que estão ligados aos acontecimentos do teatro brasileiro como o da história do país.


Cecil Thiré faleceu em 09/10/2020 aos 77 anos. 

19 de março de 2019

A Velocidade da Luz

A Velocidade da Luz
La velocidad de la luz. Javier Cercas. Trad. Sérgio Molina. São Paulo. Globo. 2018. 272 páginas.


Sinopse:
Espanha, final dos anos 80. Um convite para lecionar em uma cidade no interior dos Estados Unidos muda para sempre a vida de um jovem aspirante a escritor. Lá, ele conhece Rodney Falk, homem cínico, culto e marcado por um terrível segredo de guerra. A partir desse encontro, os personagens - tão complexos e humanos - desenvolverão uma relação tumultuosa que culminará em um enfrentamento trágico da realidade e os seus demônios.

Ponderação:
 - Livro encarna várias possibilidades de análise.
 - Reflexões  filosóficas bem evidentes.
 - Situações especificas e, em alguns momentos, extremas possibilitam levar uma pessoa, inicialmente, normal a fazer.
 - O poder do amor, da amizade, da arte em suas variadas formas.
 - Reflexão sobre o valor da vida.
 - Lado bom e ruim da fama e sucesso.
 - A guerra não deixa ninguém limpo. Ninguém sai dela dançando valsa de Strauss. Dizem alguns, nos últimos  anos, da necessidade de revisar a história dos anos 1960 até nossos dias. Não há como corrigir os efeitos maléficos da ação destruidora dos promotores da guerra. Nem para os vencidos. A perda foi devastadora. Nem ao menos disseram àqueles rapazes a razão daquilo tudo. Enquanto lia as interpretações de Rodney no Vietnã, duas músicas e filme vieram a nossa lembrança. Ambas do final de nossa infância. - "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones" e "What a Wonderful World", sendo a segunda incluída no filme "Bom Dia, Vietnã", ela faz um contraste com a violenta farsa que nos foi apresentada ao mundo, no que seria a salvação ideológica daquele povo.


Esclarecimento:
"Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones" é uma canção de rock gravada, em 1967, pela banda Os Incríveis. A canção é a versão, em português, escrita por Brancato Jr. da original italiana C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, composta por Franco Migliacci e Mauro Lusini, interpretada por Gianni Morandi, em 1966. Fala de um jovem guitarrista, que teria sido convocado para a Guerra do Vietnã.

"What a Wonderful World" é uma canção escrita por Bob Thiele e George David Weiss. Gravada pela primeira vez por Louis Armstrong, em 1967. A intenção inicial era que servisse como antídoto ao carregado clima racial e político nos EUA. As coisas simples do dia-a-dia e o tom esperançoso e otimista em relação ao futuro. Em 1988, a gravação original de Louis Armstrong de 1968, foi apresentada no filme 'Good Morning, Vietnam' (Bom dia, Vietnã).








11 de março de 2019

O Pulo do Gato

O Pulo do Gato
Claudio Junqueira. São Paulo Letras do Pensamento. 2018. 224 páginas. 

Sinopse:
Um belo dia, ao pensar sobre a dissertação, veio o insight: que tal resgatar a memória d’O Pulo e passar a limpo essa história tão rica para a Rádio Bandeirantes e para São Paulo? Levei a empreitada adiante: falei com o Zé Paulo, que gostou e apoiou a iniciativa; com o então diretor de Jornalismo da Bandeirantes, José Carlos Carboni, infelizmente já não mais entre nós, e que gentilmente me deu sinal verde para a tarefa. Com o aval de ambos, levei quase um ano até escolher o melhor caminho para concretizar essa ideia, via mestrado, iniciado em 2013 e concluído em 2015. Foram mais de 30 entrevistas, dias inteiros passados no Centro de Documentação e Memória do Grupo Bandeirantes de Comunicação, aferição de dados, áudios, vídeos e acesso a pesquisas inéditas que o Ibope fornecia à rádio com os índices de audiência do matutino, que comprovam a liderança d’O Pulo entre os jornalísticos do período da manhã. Entrevistados também contribuíram ao fornecer fotos e documentos essenciais para a pesquisa. Algumas imagens raras, nunca antes publicadas, como a do narrador esportivo Osmar Santos, fornecida pela família do falecido jornalista Jair Brito, ilustram esta obra. Nesse período de trabalho na emissora, que me fez ´mergulhar´ no encantador mundo da radiodifusão e vivenciar as mais diferentes sensações provocadas pelo imediatismo e agilidade deste veículo centenário e me deparar com boa parte da história brasileira e internacional. Este livro é uma singela homenagem a José Paulo de Andrade, aos que junto com ele fizeram e fazem o programa, a todos os pioneiros do rádio, aos ouvintes e um registro histórico de O Pulo do Gato, um dos principais programas jornalísticos do dial brasileiro. Alô São Paulo! Bom dia Brasil!

Ponderação:
 - "Cada dia que nasce é uma esperança que se renova."
 - "Que o dia seja produtivo."
 - "Acorda São Paulo, acorda Brasil! Folhinha virando."
 - "Bom dia, estamos começando mais um 'O Pulo do Gato'".  
 - "Está começando mais um dia na vida do brasileiro."
 - "Olha a hora! Olha a aula!"
 - "Boca no trombone, falou, repercutiu."
 - "Empresa séria não discute, resolve."

Quem com mais de 50 anos ou está entre os mais jovens não tenha ouvido, em algum momento os bordões acima!?...
Sim! São de José Paulo de Andrade, no comando de 'O Pulo do Gato', matutino no ar a quase 46 anos. As manhãs são melhores depois da  audição de sua voz.
Para quem foi adolescente ou jovem adulto naqueles meados dos anos 1970 e 1980 é uma grata satisfação ler - 'lembrar' - de nomes como Newton Flora (tivemos o prazer, de conhecer e partilhar corredores escolares, Miriam, sua filha.). Luiz Carlos Gertel, Amorim Filho e seu 'pássaro de prata', Pedro Luiz Ronco, Gonçalo Parada e tanto outros que fizeram parte da família ouvinte da Rádio Bandeirantes, sem jamais terem conhecimento desse quesito, que nós, nomeamos com intimidade. Rever a imagem de seu ídolo, sendo ele o motivo de seguirmos a carreira jornalística.
Em 200 páginas, passa-se a limpo a história do programa e apresentador  com maior longevidade no rádio brasileiro. É um livro que estava faltando na bibliografia dos estudantes de jornalismo e na prateleira da História da Comunicação e Jornalismo  do país.
Não somos de recomendar livros, mas esse, super recomendamos.