29 de março de 2026

No rastro da mentira

No rastro da mentira
Listen for the lie. Amy Tintera. Trad. Roberta Clapp. São Paulo.  Arqueiro. 2026. 400 páginas.
 
Sinopse:
Em Plumpton, uma cidadezinha do Texas, Lucy e Savvy sempre foram as meninas dos olhos de todos: bonitas, inteligentes e alvo da inveja geral. Lucy se casou com o marido dos sonhos, conquistando um anel enorme e uma casa maior ainda. Já Savvy era a rainha do carisma. Não havia quem não a adorasse – especialmente os homens da cidade, segundo os boatos. Até que tudo desmoronou: um dia, Lucy foi encontrada vagando pelas ruas de madrugada, coberta com o sangue de Savvy, sem ter ideia do que aconteceu. Apesar de sua culpa nunca ter sido provada, todos têm certeza de que ela é uma assassina.

Ponderação:
- 'A verdade não importa se você revidar.' , quando se é a vitima e em estado de vulnerabilidade.
Uma festa de aniversário. Uma avó que acredita na inocência da neta.  Então, a narrativa mistura investigação, assassinato e o universo dos podcasts de true crime, que acabam influenciando diretamente a forma como a história é contada e percebida. Aborda a confiança entre as pessoas. Em alguns momentos, parece ser mais fácil para os homens acreditarem uns nos outros, mesmo quando há mentiras envolvidas. Também, toca em um tema delicado: a violência doméstica. Muitas vezes, essa violência acontece dentro da própria família e, quando a mulher reage ou se defende, a sociedade tende a distorcer a situação ou a duvidar da vítima. 
Uma boa reflexão é a presença de jornalistas e dos canais de divulgação que exploram crimes reais, mostrando como, muitas vezes, a busca por audiência pode ultrapassar limites éticos, expondo pessoas e colocando vidas em risco. Quando opiniões e acusações são lançadas publicamente, elas podem influenciar a percepção das pessoas de maneira perigosa. 



27 de fevereiro de 2026

Migrações

Migrações
Charlotte McConaghy. Porto Alegre. TAG/Alta Books. 2023. 356 páginas. 

Sinopse:
Franny Stone sempre foi o tipo de mulher capaz de amar, mas incapaz de ficar. Deixando tudo para trás, menos seu equipamento de pesquisa, ela chega à Groenlândia com um propósito singular: seguir as últimas andorinhas-do-mar do Ártico no que pode ser a sua migração final para a Antártida. Franny consegue um lugar em uma embarcação de pesca, e ela e a tripulação zarpam, viajando cada vez mais longe da costa e da segurança. Mas quando a história de Franny começa a se desenrolar — um caso de amor apaixonado, uma família ausente, um crime devastador — fica claro que ela está perseguindo mais do que apenas os pássaros. Quando os segredos obscuros de Franny a alcançam, quanto ela está disposta a arriscar por mais uma chance de redenção?

Ponderação:
É um prato cheio para os ambientalistas de plantão. Distopia ambiental por um lado e uma jornada psicológica, de outro. É uma leitura densa, proporcionando reflexões que tocam na relação do ser humano com ele próprio e com os demais habitantes do planeta - bichos, plantas, tudo que habita quer viver. O sentido de migrar, no livro, é questão de sobrevivência.


25 de janeiro de 2026

Quando os pássaros voam para o sul

Quando os pássaros voam para o sul
Tranorna flyger söderut
Lisa Ridzén. Trad. Guilherme da Silva Braga. Rio de Janeiro. Record. 2025. 254 páginas.










Sinopse:
Um homem, um cão e a última batalha pela dignidade. No interior profundo da Suécia. Boa enfrenta os limites da idade avançada. Entre visitas de cuidadores e telefonemas de um velho amigo, ele encontra amparo apenas na companhia de Sixten, seu cachorro. Até que o filho decide levar o cão embora. Essa perda iminente desencadeia um mergulho em recordações: o casamento com Fredrika, a longa amizade com Ture e as tensões familiares de toda uma vida. Cada lembrança reforça a certeza de que abrir mão de Sixten é abrir mão de si mesmo. Alternando registros clínicos e a narrativa íntima de Bo, Lisa Ridzén constrói um romance que aborda de maneira franca temas como velhice, amor e resistência. Uma narrativa que encara a finitude da vida, amarrando as pontas entre o sentimentalismo e a lucidez.

Ponderação:
Belo relato do que  é a velhice sem sentimentalismo. De repente, a nossa memória nos traz uma breve entrevista do ator, Paulo Autran, quando ele completou 80 anos. Verdade seja dita, vamos perdendo quem amamos pelo caminho. 
Bo foi uma personagem que mesmo em meio a tanta perda, foi interessante acompanhar sua trajetória de vida. A atitude do filho, em tirar o cão de seu pai, possui aspecto negativo na sobrevivência da pessoa com mais de oitenta anos. Precisamos aceitar o legado de que cada objeto tem relação profunda na existência de cada ser humano.