31 de julho de 2026

A vida impossível

A vida impossível
Matt Haig. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil. 2023. 400 páginas.

Sinopse:
A vida impossível explora os limites do perdão, do luto, da amizade, e do que significa ser humano em um universo onde ninguém está, de fato, sozinho.
Maurice tem 22 anos e está no último ano da faculdade de matemática, mas não consegue se concentrar nos estudos e tem achado difícil seguir com a vida. O mundo anda muito complicado, a humanidade parece estar a caminho da destruição, e isso tudo, somado à morte da mãe, à relação difícil com o pai, e ao término do namoro, faz com que ele se sinta nas trevas. Só o que precisa é de uma luz. Então manda um e-mail de desabafo para sua ex-professora de matemática da escola, Grace Winters, e a mensagem que recebe dela pode ser tudo de que precisa para sair das trevas.
Grace Winters compartilha com ele um episódio incrível de sua vida, uma história que começa quando vivia num torpor permanente desde a morte do marido – seguida em pouco tempo pela perda do cachorro –, quando seus dias eram passados no sofá, vendo televisão ou lendo, e sua única companhia era a culpa persistente pela tragédia que havia se abatido sobre o filho, muitos anos antes.

Ponderação:
Então, Grace recebe uma carta. Nela, descobre que herdou uma velha casa em Ibiza, deixada para ela por Christina, uma ex-professora de música da escola na qual Grace deu aula até se aposentar. Intrigada com esse mistério, ela deixa a Inglaterra rumo à ilha espanhola, com uma passagem só de ida e a missão de descobrir como viveu, e morreu, Christina – além da razão de ter deixado a casa para ela. Lá, ela descobre fatos inimagináveis. Faz amizades improváveis que a conduzem em uma jornada, colocando seu raciocínio lógico à prova.
Então, Grace representa a universalidade para deixar o ceticismo de lado e ver a vida com outros olhos. O poder dos recomeços, explorando os limites do perdão, do luto, da amizade e do que significa ser humano em um universo onde ninguém está, de fato, sozinho. E, buscar a felicidade nas pequenas coisas do cotidiano. 



28 de junho de 2026

O que podemos saber

O que podemos saber
What We Can Know. Ian McEwan. Trad. Jorio Dauster. São Paulo. Cia. das Letras. 2026. 384 páginas. 

Sinopse:
Em 2119, no que restou só mundo após uma catástrofe climática, um professor de literatura parte em busca de um poema perdido em 2014.

Ponderação:
Leitura arrastada. Parecia que estávamos "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, só com uma diferença, esse tem muita barriga para o nosso gosto. Há trecho que não sai do lugar. Talvez, a opção de usar o amor pela literatura tenha vencido ou vencerá como arte a resistência de todos os eventos catastróficos, porque é a literatura que permitirá preservar a identidade da humanidade, contando as nossas realizações diárias. 














 

30 de maio de 2026

Aluga-se para temporada

Aluga-se para temporada
Summer rental. Mary Kay Andrews. Trad. Flávia Yacubian. São Paulo. Planeta do Brasil. 2012. 368 páginas.  

Sinopse:
Depois de ser despedida inesperadamente do emprego, Ellis começa a questionar as escolhas que havia feito na última década de sua vida. Julia é modelo e mantém um relacionamento com um homem que a ama e deseja se casar com ela, mas está muito insegura com sua aparência e com a possibilidade de mudar de vida. E Dorie se divorcia quando o marido descobre que está apaixonado por outro homem, descobrindo em seguida que está grávida dele. Assim, elas resolvem passar um mês na Carolina do Norte para repensar suas vidas, mas quando encontram uma estranha em busca de abrigo tudo pode acontecer

Ponderação:
Ellis, Juia e Dorie, elas nos faz rir bastante com suas diferenças. Melhor mencionar, a leitura é leve, divertida e contém reflexões sobre todas as mudanças na vida, como amizade, autoconhecimento e uma pitada de suspense.   



30 de abril de 2026

A última canção

A Última Canção
The last love song. Lucinda Riley (1965 - 2021). Trad. Natalia Sahlit. São Paulo. Arqueiro. 2025. 416 páginas.   

Sinopse:
Sorcha O’Donovan sonha com uma vida emocionante bem longe do litoral de West Cork, na Irlanda, o lugar onde cresceu. Quando conhece Con Daly, o belo músico do vilarejo, ela sabe que tudo está prestes a mudar.
Já em Londres, Con faz sucesso com a banda The Fishermen e parece prestes a desfrutar um futuro maravilhoso com Sorcha. Mas o lado sombrio da fama faz a vida deles virar de cabeça para baixo. O cantor começa a receber ameaças, e segredos do passado podem arruinar tudo que eles construíram.
Vinte anos depois, a banda concorda em se reunir para um grande show beneficente. Mas Con Daly, galã e representante de toda uma geração, está desaparecido há mais de uma década.
Somente uma pessoa é capaz de descobrir o que aconteceu. Alguém que conhecia a vida, os amores e a carreira daqueles que participaram do sucesso dos Fishermen. Somente uma pessoa sabe o quanto é importante descobrir a verdade, porque, se Con voltar antes de os fatos virem à tona, a história poderá se repetir com consequências ainda mais trágicas.

Ponderação:
Perdemos a conta das vezes, em que relemos o terceiro paragrafo, inicial, do capítulo 31. Veio a nossa memória, as imagens daquela noite, quando o homem pisou na Lua. Só quem viveu aquele instante, sabe da emoção, que não consegue converter em palavras.
Leitura fluída, enredo incrível sobre os anos 1960. Ficou nebulosa a questão da resolução e explicação dos crimes acontecidos durante a narrativa.



29 de março de 2026

No rastro da mentira

No rastro da mentira
Listen for the lie. Amy Tintera. Trad. Roberta Clapp. São Paulo.  Arqueiro. 2026. 400 páginas.
 
Sinopse:
Em Plumpton, uma cidadezinha do Texas, Lucy e Savvy sempre foram as meninas dos olhos de todos: bonitas, inteligentes e alvo da inveja geral. Lucy se casou com o marido dos sonhos, conquistando um anel enorme e uma casa maior ainda. Já Savvy era a rainha do carisma. Não havia quem não a adorasse – especialmente os homens da cidade, segundo os boatos. Até que tudo desmoronou: um dia, Lucy foi encontrada vagando pelas ruas de madrugada, coberta com o sangue de Savvy, sem ter ideia do que aconteceu. Apesar de sua culpa nunca ter sido provada, todos têm certeza de que ela é uma assassina.

Ponderação:
- 'A verdade não importa se você revidar.' , quando se é a vitima e em estado de vulnerabilidade.
Uma festa de aniversário. Uma avó que acredita na inocência da neta.  Então, a narrativa mistura investigação, assassinato e o universo dos podcasts de true crime, que acabam influenciando diretamente a forma como a história é contada e percebida. Aborda a confiança entre as pessoas. Em alguns momentos, parece ser mais fácil para os homens acreditarem uns nos outros, mesmo quando há mentiras envolvidas. Também, toca em um tema delicado: a violência doméstica. Muitas vezes, essa violência acontece dentro da própria família e, quando a mulher reage ou se defende, a sociedade tende a distorcer a situação ou a duvidar da vítima. 
Uma boa reflexão é a presença de jornalistas e dos canais de divulgação que exploram crimes reais, mostrando como, muitas vezes, a busca por audiência pode ultrapassar limites éticos, expondo pessoas e colocando vidas em risco. Quando opiniões e acusações são lançadas publicamente, elas podem influenciar a percepção das pessoas de maneira perigosa. 



27 de fevereiro de 2026

Migrações

Migrações
Charlotte McConaghy. Porto Alegre. TAG/Alta Books. 2023. 356 páginas. 

Sinopse:
Franny Stone sempre foi o tipo de mulher capaz de amar, mas incapaz de ficar. Deixando tudo para trás, menos seu equipamento de pesquisa, ela chega à Groenlândia com um propósito singular: seguir as últimas andorinhas-do-mar do Ártico no que pode ser a sua migração final para a Antártida. Franny consegue um lugar em uma embarcação de pesca, e ela e a tripulação zarpam, viajando cada vez mais longe da costa e da segurança. Mas quando a história de Franny começa a se desenrolar — um caso de amor apaixonado, uma família ausente, um crime devastador — fica claro que ela está perseguindo mais do que apenas os pássaros. Quando os segredos obscuros de Franny a alcançam, quanto ela está disposta a arriscar por mais uma chance de redenção?

Ponderação:
É um prato cheio para os ambientalistas de plantão. Distopia ambiental por um lado e uma jornada psicológica, de outro. É uma leitura densa, proporcionando reflexões que tocam na relação do ser humano com ele próprio e com os demais habitantes do planeta - bichos, plantas, tudo que habita quer viver. O sentido de migrar, no livro, é questão de sobrevivência.


25 de janeiro de 2026

Quando os pássaros voam para o sul

Quando os pássaros voam para o sul
Tranorna flyger söderut
Lisa Ridzén. Trad. Guilherme da Silva Braga. Rio de Janeiro. Record. 2025. 254 páginas.










Sinopse:
Um homem, um cão e a última batalha pela dignidade. No interior profundo da Suécia. Boa enfrenta os limites da idade avançada. Entre visitas de cuidadores e telefonemas de um velho amigo, ele encontra amparo apenas na companhia de Sixten, seu cachorro. Até que o filho decide levar o cão embora. Essa perda iminente desencadeia um mergulho em recordações: o casamento com Fredrika, a longa amizade com Ture e as tensões familiares de toda uma vida. Cada lembrança reforça a certeza de que abrir mão de Sixten é abrir mão de si mesmo. Alternando registros clínicos e a narrativa íntima de Bo, Lisa Ridzén constrói um romance que aborda de maneira franca temas como velhice, amor e resistência. Uma narrativa que encara a finitude da vida, amarrando as pontas entre o sentimentalismo e a lucidez.

Ponderação:
Belo relato do que  é a velhice sem sentimentalismo. De repente, a nossa memória nos traz uma breve entrevista do ator, Paulo Autran, quando ele completou 80 anos. Verdade seja dita, vamos perdendo quem amamos pelo caminho. 
Bo foi uma personagem que mesmo em meio a tanta perda, foi interessante acompanhar sua trajetória de vida. A atitude do filho, em tirar o cão de seu pai, possui aspecto negativo na sobrevivência da pessoa com mais de oitenta anos. Precisamos aceitar o legado de que cada objeto tem relação profunda na existência de cada ser humano.