29 de novembro de 2013

O Ateneu

O Ateneu
Raul Pompéia (1863-1895). Edições de Ouro. 217 páginas.

Sinopse / Ponderação:
Obra prima do autor, um misto de romance e memórias (o próprio Pompéia esteve em um internato), O Ateneu é, antes de mais nada, um retrato do drama da solidão. Poderíamos afirmar, que foi o primeiro romance de nossa literatura na abordagem de psicologia da adolescência, mas que não vem ao caso. Narrado na primeira pessoa, a história do estudante em choque com o mundo da escola, em que ingressa aos onze anos. Longe da família. O narrador diz que é uma crônica de saudades, mas no passado que evoca tão peculiarmente, misturando alegrias e tristezas, entusiasmo e decepções e, sobrenadando a todos os sucessos, há um resíduo incomportável de náusea, tédio e indignação. Sérgio é um revoltado e, em sua narrativa, o que predomina são os sentimentos de reação contra a rotina escolar (aprendizado para a vida futura, sem essa rotina jamais seremos disciplinados na nossa vida profissional.) e as convenções protocolares ou burocráticas (burrocráticas) que a revestem de um aparato refalsado. Mas não é só isso a vida dentro do internato, o contato diuturno com os colegas tão diferentes entre si, as discórdias e brigas em que se empenha, as cenas desrespeitosas ou brutais que presencia ou em que participa involuntariamente, tudo isso lhe revela aspectos subterrâneos e torpes da psicologia ou da conduta humana que o atordoam, espicaçando-lhe o ânimo na luta, até fazê-lo refugiar-se em si mesmo, irritadamente como uma pequena fera acuada por seus perseguidores. Dominam o romance, um efeito de rancor e sátira, dirigidos para quase todos os lados, principalmente contra o diretor do internato.




26 de novembro de 2013

O Guardião de Memórias

O Guardião de Memórias
Kim Edwards. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro. 2007. 361 páginas.

Sinopse:
O Guardião de Memórias é uma fascinante história sobre vidas paralelas, famílias separadas pelo destino, segredos do passado e o infinito poder do amor verdadeiro. Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down. Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar. A força deste livro não está apenas em sua construção bem amarrada ou no realismo de seus personagens, mas, principalmente, na sua capacidade de envolver o leitor da primeira à última página. Com uma trama tensa e cheia de surpresas, O Guardião de Memórias vai emocionar e mostrar o profundo - e às vezes irreversível - poder de nossas escolhas.


Ponderação:
A Capa nos dá uma ideia da busca de nossas lembranças, coisas boas vividas através do calor humano. Mas, encontra-se um bebê cianótico, comiseração, sicômoro. Preconceito ou vergonha do que foi seu passado, de Dr. Henry. Medo ou não encarar uma falha genética. Mentir e Guardar segredo não o salvou do mundo. Mentir e Guardar segredo matou o amor entre duas pessoas. Mentir e Guardar segredo matou o relacionamento entre pessoas, mas salvou a solidariedade.



Rua Cuba

Rua Cuba: O crime perfeito?
Anélio Barreto. 1990. 134 páginas.

Sinopse:
"Deslocando-se para o lado direito e atirando, o assassino desequilibrou-se, possivelmente tropeçando na quina da cama, e caiu no cão, entre a cama e a parede. Ali, do chão, ele deu seu quarto tiro. Este entrou pela parte posterior da cabeça e a atravessou - uma parte do chumbo alojou-se entre a pele e o osso do crânio, na testa. Outra parte rompeu a pele, jogando sangue para cima e tomando a direção da parede oposta, aquela em que fica a varanda. Maria Cecília morria, e o assassino deixou a suíte."

Ponderação:
Quando em 05 de agosto de 2013, veio a público a chacina da Família Pesseghini, trouxe-me a memória um outro crime, acontecido no final dos anos 1980. Crime não solucionado. O Crime prescreveu, não há prova do que aconteceu. Tenho alguns recortes da época, mas nada é elucidado. Há mais dois livros sobre o tema e a investigação, de seus autores, continua sendo especulativa . Nada foi acrescentado de novo...



Aracelli, Meu Amor

Aracelli, Meu Amor
José Louzeiro. São Paulo. Círculo do Livro. 225 páginas.

Sinopse:
Era uma vez uma menina chamada Aracelli. Tinha nove anos incompletos, cabelos negros, olhos negros. O pai a chamava de "Princesa", a mãe cuidava de suas roupas, os sapatos estavam sempre bem engraxados, a pasta lustrosa, livros e cadernos encapados.
Aracelli ia e voltava da escola por imensa rua sem asfalto ou calçamento, mas ladeada de arbustos floridos. Um dia não voltou. Quando localizaram o corpo num matagal, com as chagas da crueldade, o pai teve dificuldade em reconhecê-lo. Passados meses, o policial Homero Dias, que cuidava do caso, é transferido dessas atividades. Agora perseguiria o criminoso "Boca Negra", na Ilha do Príncipe.
Correndo atrás de delinquente, tombou morto com disparos pelas costas. O "acidente" seria o principio de interminável comédia de erros e desmandos. "Boca Negra" é preso. Sofre o primeiro atentado na prisão, o segundo, acaba morto com 47 facadas. Silenciou a voz que acusava um outro policial como matador de Homero.
O ex-vereador Clério Falcão candidata-se a deputado pelo MDB. Promete um escândalo sobre a chacina de Aracelli, cumpre a promessa. O perito Asdrubal Cabral de Lima vai além dos limites tolerados pela corrupção, passa a enfrentar processos e ameaças de morte.

Ponderação:
Sequestro e assassinato de Aracelli, em 1973, Vitória do Espírito Santo. O caso não teve uma definição e os culpados!!!???... Hoje, pesquisando se houve novas informações sobre o caso, permanece a sensação que verifiquei das pequenas entrevistas e comentários, da época, da possível culpa de dona Lola e, o mais irracional de todos, o cão, da menina, o único certo. Os culpados não foram punidos e o crime já prescreveu.



Diário da Morte

Diário da Morte. A tragédia do Cessna 140
Milton Terra Verdi, 235 páginas. Autores Reunidos. Org. Walter Dias.

Sinopse:
A queda do avião Cessna 140 entre Corumbá e Santa Cruz de la Sierra, por falta de gasolina, em mata fechada, é a descrição do dia-a-dia de duas pessoas, seu sofrimento e a morte dos mesmos. A dramática espera de um socorro que só chegou muito tarde, as esperanças frustradas pelo ronco de motores de aviões longínquos, a inabalável fé em Deus por uma salvação que não veio.

Ponderação:
Bem, não sei como esse livro veio parar em casa. Também, não lembro o motivo da leitura, mas "A tragédia do Cessna-140", possui um enfoque dramático da eterna burocracia, brasileira e latino-americana. Na cidade de Fernandópolis, Estado de São Paulo, há um logradouro público que leva seu nome. Verdi e o cunhado, Antônio Augusto Gonçalves, tiveram que fazer um pouso forçado do Cessna 140 em que viajavam no meio da selva boliviana, entre Corumbá e Santa Cruz de La Sierra por falta de combustível. O registro começa no dia do pouso forçado, em 29 de agosto de 1960. De acordo com o relato de Milton, seu cunhado morreu de inanição mais de uma semana depois. Verdi esperava por um socorro que nunca chegou a tempo. Foram 70 dias de angústia, tendo que conviver com a decomposição do corpo de Antônio. Só podia contar com a água da chuva que vinha de vez em quando. Foram feitas tentativas de se embrenhar na mata fechada, porém em vão. Com fome e sede constantes e mesmo assim ainda conseguia escrever usando mapas e documentos para se manter lúcido. À medida que o tempo ia passando e o socorro não chegava, a solidão e o desespero tomavam conta.



23 de novembro de 2013

O Céu está em Todo Lugar

O Céu está em Todo Lugar – “Eu deveria estar luto, não me apaixonando...”
The Sky is everywhere. Jandy Nelson. Trad. Marsely De Marco Martins Dantas. Ribeirão Preto. Novo Conceito, 2011. 423 páginas.

Sinopse:
Este é um livro de estréia vibrante, profundamente romântico e imperdível. Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida - e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda...

Ponderação: 
A capa azul com nebulosas representa a tranqüilidade, a paz interior. Galhos secos retorcidos, a ausência de vida, mas também a promessa de vida. Uma folha vermelha imitando um coração, a vida continua a pulsar e vale a pena vivê-la.
Lennie Walker, obcecada por “O Morro dos Ventos Uivantes” acreditava ter uma existência feliz até a morte bater a sua porta. Ela aprende a ver o mundo com olhos da tristeza e só dela, mas a vida continua e o mundo não para. Ela aprende que ela precisa acordar e olhar a sua própria como, também, precisa ser solidária e ver que os demais possuem tristezas, alegrias, magoas, fraquezas. Bem, o céu está em todo lugar...



O Preço de Ser Diferente

O Preço de ser diferente
Mônica de Castro. São Paulo. Vida e Consciência. 2004. 354 páginas.

Sinopse:
Romero, um rapaz muito sensível, que apreciava poesias, é violentado por um desconhecido... Seu pai, Silas, muito preconceituoso, o proíbe de contar seu drama a outras pessoas. Romero conhece Mozart e surge uma grande amizade... A sociedade, criando um modelo de normalidade, criou uma guerra antropológica com a natureza humana. 
Cada um de nós é único e quem resolve seguir o modelo, contra sua vontade, ilude-se, bloqueando a expressão de sua alma, criando insegurança, doença, desilusão e sofrimento. Quem assume sua verdade e age de acordo com os valores da Vida, mesmo enfrentando o preconceito e pagando o Preço de Ser Diferente, passa credibilidade, obtém respeito e se realiza. Nesta obra o leitor vai perceber que fraternidade é o resultado da capacidade de apreciar as diferenças.

Ponderação: 
O título e a capa foram objetos de minha curiosidade, quando adquiri esse livro. Durante a leitura, acabei por decepcionar-me, nada contra ao tema central, mas imaginava outro valor em ser diferente, pois mesmo com abertura sobre o tema, o preconceito continua...