29 de março de 2016

Improvável Jornada de Harold Fry

Improvável Jornada de Harold Fry
The unlikely pilgrimage of Harold Fry. Rachel Joyce. Trad. Johann Heyss. Rio de Janeiro. Objetiva. 2013. 248 páginas.

Sinopse:
A Improvável Jornada de Harold Fry, de Rachel Joyce, tem como temas centrais os sentimentos de amor, amizade e arrependimento. A autora conta a história do aposentado Harold Fry que numa manhã de sol sai de casa para colocar uma carta no correio, sem imaginar que estava começando uma jornada não planejada até o outro lado da Inglaterra.

Ponderação:
O início é aquele momento, quando as relações humanas e matrimoniais estão mortas, mornas, vegetando. Uma carta desperta algo adormecido, esquecido. De caixa-coletora de correios em caixa-coletora, ele vai caminhando e caminhando. Temos humor, tristeza, seriedade numa odisseia marcante sobre o amor, acertos, culpa, redenção, fé e amizade, prevalecendo a  perseverança em superar limites. O capítulo 11, onde 'Maureen e o  médico substituto' encontramos o diálogo mudo e hilário. A mudez do casal vai sendo desvendada por cada parada, cada palavra, cada ilustração inicial em cada novo capítulo, cada ação, cada pequena iniciativa. Em verdade, as perdas emocionais não trabalhadas levaram duas décadas para serem resolvidas e, finalmente, deixadas de lado.



 

27 de março de 2016

Ruth de Souza

Ruth de Souza: A Estrela Negra
Maria Angela de Jesus. São Paulo. Imprensa Oficial. 2004. 160 paginas. [Coleção Aplauso]

Sinopse:
Como começar a avaliar Ruth de Souza? Bem, podemos começar citando que Jorge Amado era seu fã e incentivador; que Alberto Cavalcanti (premiado em Londres) era seu padrinho no cinema; que fez parte do Teatro Experimental do Negro; que foi nossa maior estrela negra, ícone da Vera Cruz. Que sempre honrou seu nome,sua cor, sua dignidade humana. E que tem uma vida que daria filme.

Ponderação:
Acredito que é muito difícil falar de nós mesmos. Porém essa personalidade de nossa arte cênica, mostra-nos a verdade de que é complicado falar de nós mesmos. Ruth é a pioneira em ser atriz que empresta o nome ao título do livro. Foi bom ler, porque ela dar valor a cada conquista e sonho realizado. Provou que não precisou de 'cota'. Provou que pode ser alguém, mesmo sendo pobre e sem recursos. Ao ler essa biografia, também, lembrou-me de outras informações a respeito de conhecimento do assunto, antes de falar a respeito. Muito bom.



13 de março de 2016

Desonra

Desonra
Disgrace. J.M.Coetzee. Trad. Jose Rubens Siqueira. São Paulo. Companhia das Letras. 2000. 246 páginas.

Sinopse
David Lurie, um homem que cai em desgraça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy.
No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. Com personagens vivos, com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, Desonra investiga as relações entre as classes, os sexos, as raças, tratando dos choques entre um passado de exploração e um presente de acerto de contas, entre uma cultura humanista e uma situação social explosiva.

Ponderação:
"O que aconteceu com sua primeira mulher?"
"É uma longa história. Outro dia eu conto."
"Você tem fotos?"
"Não coleciono fotos. Não coleciono mulheres."
"Eu não sou da coleção?"
"Claro que não."
Ela se levanta,   passeia pelo quarto pegando as roupas, com a desenvoltura de quem está  sozinha. [...]

A partir desse dialogo, David Lurie, usando de sua franqueza, destruiu a si próprio e ao do respeito de Melaine, visto que ela estava começando a se interessar por ele. Ele não aceita ou aceita a nova ordem nacional (África do Sul) e internacional do politicamente correto ou incorreto; da ética  ou contra ética da profissão e do universo profissional. Tudo no livro tem a ver com o realismo, onde tudo é observado, analisado, vivenciado, crítica da sociedade. Seus dramas são frios e impessoais: a natureza e a causa do comportamento humano, seu caráter. Tudo é aceito com o maior naturalismo. Bem, serve - "Desgraça pouca é bobagem." Desonra humana, desonra histórica, desonra política e todo o universo vivenciado por nós. Nenhum personagem tem direito de criticar o outro por suas ações. Vivem no limiar da existência.
O mais chocante nesta história é o descaso geral, a eutanásia - assassinato - de cães, gatos e animais em demasia. - No sentido de como foi colocado, serão capazes de, assim, agirem com seres humanos, caso sejamos numerosos. Bem, as guerras climáticas já estão em curso.



  

A Divindade dos Cães

A Divindade dos Cães
The divinity of dogs. Jennifer Skiff. Trad. Euclides Luiz Calloni e Cleusa Margô Wosgrau. São Paulo. Cultrix. 2014. 327 páginas.

Sinopse:
Mais de setenta histórias reais, inspiradoras e comoventes, mostram o amor, a tolerância, o conforto, a compaixão, a lealdade e a alegria que os cães podem nos proporcionar. A autora traz também suas experiências pessoais, mostrando como os cães lhe deram forças quando ela sofreu maus tratos na infância, enfrentou um divórcio e recebeu um diagnóstico de câncer. Quer você acredite que os cães são anjos de quatro patas ou que são um presente de Deus, este livro mostra o que você já sabe: os cães nos curam, nos ensinam e nos protegem.

Ponderação:
Não sei, mas apesar do encanto das histórias, é uma pena que não haja nenhuma faceta sul-americana. o espantoso sentido de Mary, na página 78 é chover no molhado. E como dói, quando eles partem. O desejo de não ter mais, só vai até o momento de sermos encarados por um auauauau com cara de piedade-ajuda-quero-seu-colo. Importância é a severidade na punição a quem maltrata os animais, como retratado na página 316. Há maus donos em qualquer lugar do mundo. Encantamento, quando eles são utilizados em tratamento daqueles que por ventura possuem alguma deficiência. Voltando ao sexto, sétimo, oitavo seja lá qual for o sentido. Conheço centenas de histórias, mas estou saindo da ideia primeira, mas o livro permite continuarmos com histórias.
Babalú
Numa cidade, onde há centenas de carros iguais, como é que conhece, especificamente um carro determinado - o do dono. 'Um dia no meio da tarde, Babalú comporta-se igual ao do horário que  papai chegava, mas não chegou. Mamãe comenta com minha avó essa estranha atitude. No que vovó diz: - seu marido acabou de passar e foi lá para cima. (Nossa casa ficava na via principal e a avenida ia em direção da Igreja Nossa Senhora Aparecida, em Pedreira). Pois bem, passaram mais quinze minutos, o dono chegou. Como o Babalú interpretou o som exato do carro?'
Paloma
Quando a Paloma entrou na  minha vida, eu já trabalhava e toda folga, eu tinha o hábito de colocar discos de vinil na vitrola, especialmente Elvis Presley. Na época as Rádios AM tinham, ainda, uma programação com música. Eis que um dia, eu no trabalho; mamãe estava com o rádio ligado; de repente é tocada uma música do Elvis com ele. Mamãe foi obrigada a pegar a Paloma no colo e andar pela casa, enquanto durava a música, mostrando para a Paloma que eu não estava. Quem explicaria esse sentimento?
Dengosa
Nosso vizinho tinha o carro igual ao nosso, quando ele chegava Dengosa nem se mexia. Mas quando eu estava para chegar, segundo mamãe, aproximadamente, uns quinze minutos antes do automático do portão ser acionado, Dengosa já ficava em alerta? Como explicar isso?
Perrita
Saio para o trabalho. Perrita fica com mamãe. Costumo ligar para a casa. Quando o telefone toca, Perrita é um agito só! Só para, quando mamãe deixa ela ouvi a minha voz do outro lado da linha. Pergunta, como ela sabe que sou eu? Porque há várias ligações durante o dia. Como uma determinada ela sabe a diferença.


Quem quiser, poderá deixar sua história no campo comentários. Agradeço aos que, assim, procederem.



28 de fevereiro de 2016

O Círculo Vermelho

O Círculo Vermelho
The Crimson Circle. Edgar Wallace (1875-1932). Trad. Darcy Azambuza. São Paulo. Cultrix. 1973. 170 páginas.


Sinopse:
Thalia deu um sorriso misterioso ao examinar a carta: o endereço esta escrito em letras de imprensa. Verificou o carimbo antes de abrir, tirando depois do envelope um papel grande, grosso e quadrado. Mudou de expressão ao ver o grande círculo vermelho. No interior do círculo, com a mesma letra, estava escrito:
"Temos necessidade de você. Tome o carro que vai espera-la amanhã, ás dez horas da noite, na esquina de Steyne Square".
Ela pôs a cara na mesa olhando-a durante muito tempo.
O Círculo Vermelho precisava dela!
Esperava esse chamado; no entanto, ele viera mais cedo do que imaginava.


Ponderação:
- Escolhendo um livro, Caio?
- Não, só estava olhando. São muito bons! Já leu o Círculo Vermelho, de Wallace?
- Não.
- Leia, é muito bom! Você vai gostar.

Na volta, não pensei duas vezes, peguei o livro, sendo o primeiro que leio deste autor.

- Você já leu aquele livro?
- Qual?
- O Círculo Vermelho?
- Ah! Já.
- O que você achou?
- Maravilhososoooo! Você já leu?
- Estou lendo, é meio recombolesco e quixotesco.
- O livro só faz sentido no final. Termine de ler, depois a gente conversa.
- Tá legal!

 Parr X Yale X Talia X Jack são produtos do Círculo Vermelho? A cada ocorrência mortal há mentira, traição, poder, desconfiança, confiança. Tudo leva a uma direção. Um enredo quixotesco, recombolesco que vale a pena conhecer, só quando a caça é encurralada e pega, chegou ao último ponto final da história.
O que parece não é o que é na realidade. Ali, no capítulo 29, você percebe uma pequena semelhança com o prológo. 




23 de fevereiro de 2016

Nívea Maria

Nívea Maria: Uma atriz real
Mauro Alencar e Eliana Pace. São Paulo. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. 2008. 244 páginas. [Coleção Aplauso]

Sinopse:
Exemplo de Talento e profissionalismo, Nívea Maria é, com justiça, uma das maiores estrelas de nossa televisão.
Paulistana, ainda muito jovem foi trabalhar na TV Paulista, precursora da TV Globo; depois foi para a TV Excelsior e, finalmente, encontrou seu espaço na TV Globo, quando fez parceria com o marido Herval Rossano, numa série de sucessos inesquecíveis no horário das seis: A Moreninha, O Feijão e o Sonho; Maria, Maria; Dona Xepa.
Essa é apenas uma parte de uma longa carreira de muitos êxitos, em quase 50 trabalhos. Dentre eles, Desejo Proibido, O Profeta, América, Celebridade, sua premiada participação em A Casa das Setes Mulheres, O Clone, Explode Coração, Pedra sobre Pedra e Brega & Chique.
Com sinceridade e emoção, neste livro escrito em parceria por Eliana Pace e pelo Doutor em Telenovela Mauro Alencar, Nívea relembra seus bons e maus momentos, suas ousadias(como quando apareceu nua no teatro na peça Na Sauna, quebrando sua imagem de ingênua) discute suas técnicas de interpretação e como cria seus personagens.

Ponderação:
Se Leão Lobo pode ser seu fã número zero, posso ser sua fã número 1.000. Brincadeira a parte, não sou noveleira e, sim, leitora! visto que minhas diversas atividades e meu trânsito não são coincidentes com o horário da maioria das novelas de todas as emissoras. Não sou do tipo de alimentar-me na frente da telinha. Houve algumas que segui e até, fiquei viciada. Irei citar, aqui, só as que Nívea trabalhou: - Gabriela (1ª versão) e Dona Xepa; e a mini série Anos Dourados; - Gostei tanto da série, que tinha a fita VHS e, hoje, o DVd e a trilha sonora. No entanto sua história mostra-nos as transformações socioeconômico, cultural do país e do mundo. Quando ela fala da mãe, vejo minha avó materna, tentando ser minha mãe e as esposas de meus tios. Conhecimento dos bastidores de produção - como ela cria o personagem em  cima do que o autor e o diretor deseja. Dar uma aula de interpretação aos jovens que desejam seguir a carreira. E outros fatos humanos de vida igual a qualquer mortal.





14 de fevereiro de 2016

Hora Zero

Hora Zero
Towards Zero. Agatha Christie (1890-1976). Trad. Eliane Fontenelle. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1980. 136 páginas.

Sinopse:
O superintendente Battle, da Scotland Yard, sabia que aquele assassinato seria apenas o primeiro de uma série de crimes que ainda iriam ocorrer. E dispunha de cinco dados que, postos em sequência, faziam algum sentido. No entanto, a resposta não revelava o criminoso. E era preciso começar bem antes do crime, analisar várias circunstâncias diferentes que convergiam, todas, para um determinado momento e para um determinado local. O assassinato era apenas o ponto final, a Hora Zero.

Ponderação:
Não é a toa que a autora jamais foi superada. Realmente, pode-se dizer, com certa certeza, que temos a nação Christie, onde Agatha é a rainha! Hercule Poirot seu primeiro ministro! Miss Marple sua princesa! Os demais personagens são seus súbitos! Fazem parte de uma população problemática, onde reina o orgulho, ganância, ilusão, honestidade acima de tudo. O crime é tido como algo não compensador. Seu autor, ou melhor, o assassino é sempre apresentado por si próprio, é o menos óbvio. As evidências são por demais perfeitas. O uso da mão esquerda foi revelador, justo para um bom tenista, que nunca se  altera.