7 de maio de 2022

Vacas

Vacas
The Cows. Dawn O’Porter. Trad. Marina Schnoor. Rio de Janeiro. Harper Collins. 2017. 350 páginas.

Sinopse:
Mulheres não têm que se encaixar em estereótipos.
Tara, Cam e Stella são estranhas vivendo suas próprias vidas da melhor forma que podem, apesar de poder ser difícil gostar do que você vê no espelho quando a sociedade grita que você devia viver de um jeito específico.
Quando um evento extraordinário cria laços invisíveis de amizade entre elas, a catástrofe de uma mulher vira a inspiração de outra, e uma lição para todas.
Às vezes não tem problema não seguir o rebanho.
Vacas é um livro poderoso sobre três mulheres julgando uma à outra, mas também a si mesmas. Entre todo o barulho da vida moderna, elas precisam encontrar suas próprias vozes."

Ponderação:
Enquanto líamos esse, ambientado em Londres, pareceu-nos estar assistindo a série Sex and the City. Sexo e mais sexo.

Sexo é a única coisa para fazer na vida?

Sexo é a única coisa para ser feliz?

Por quê mulheres bem sucedidas acabam na sarjeta se envolvendo, única e exclusivamente, com sexo?

Esses questionamentos são, também, aos homens.

Que graça tem duas pessoas ficarem rolando nuas pelo chão, pelo sofá, pela grama, pela cama nas vinte e quatro horas do dia?

Se fazer sexo significa um ato de rebeldia para as mulheres, as mesmas deverão assumir as consequências!

Ilusão é que sexo seja capaz de tornamos pessoas não solitárias. É justo o contrário. A solidão estará na sua porta com certeza.

Não há homem ou mulher com capacidade emocional de segurar a vida com base absoluta no sexo. Stella é a prova disso como também Camilla.

Talvez esteja aí a questão da chamada violência sexual. Estamos tão obcecados e focados no sexo, esquecemo-nos que ele cansa igual comer frango no almoço e no jantar todos os dias. Uma hora explode.

Quando se assiste um filme pornô é para aprendizado ou diversão? O mesmo para as revistas.

Porque masturbação masculina é aceita? E a feminina não? Que graça tem isso?

A sociedade estipulou regras, elas devem ser respeitadas e aceitas. Deve-se respeitar aqueles, por alguns genes não concordam, porém vivem a maneira a não causar escândalos.

As mulheres sempre foram ouvidas, dentro do espaço temporal e histórico. Temos alguns exemplos. Atualmente, estamos remando contra a maré. Exigindo muito. Desvalorizando-se no comportamento humano. Jamais seremos iguais aos homens.

Por que mulheres são tão críticas com mulheres?

Mulheres praticando assédio moral e sexual. No moral são as casadas referindo-se as solteiras com ou sem filhos. Se a mulher escolher viver só, não significa que seja lésbica. Quem inventou essa teoria? Se escolhemos sermos nós mesmas, o mundo deve respeitar.

O texto “Mães e Nós, Vamos esquecer o ‘Nós’ e ‘Elas’” em referência as imagens de mães e filhos, avós e netos, perpetuando a eterna felicidade, nas redes sociais. Camilla Stacey tem razão, porém é desagradável ver fotos de filhos e mães, netos e avós, quando se tem conhecimento da relação, totalmente, deteriorada e degradante entre filhos e mães, avós e netos. Neste ponto, Camilla desconhece o contexto do incomodo para nós, a não mãe e a não avó. Como diz nossa progenitora: - filho não é mercadoria de troca e nem previdência social.

Mulheres e Homens são seres únicos em sua essência.



9 de abril de 2022

Nada para ver aqui

Nada para ver aqui
Nothing to see here. Kevin Wilson. Trad. Natalia Borges Polesso. Rio de Janeiro. Harper Collins Brasil. 2021. 254 Páginas.

Sinopse:
Na primavera de 1995, Lilian recebe uma carta de Madison. Amigas improváveis na época da escola, elas perderam o contato ao longo dos anos, seguindo caminhos bastante distintos. Madison, agora casada com o senador Roberts, escreve oferecendo um emprego a Lilian como babá dos enteados que estão chegando para morar na mansão do político. Com uma vida digna de zero comentários e nada a perder, Lilian aceita a oferta e, ao longo do verão, ela se surpreende com o vínculo criado com os gêmeos Bessie e Roland. Só tem um problema: ela não esperava que a situação pudesse pegar fogo.

Ponderação:
"Eu nunca quis ter filhos porque nunca quis que um homem me desse um filho." (pág. 170).  Essa frase demonstra a maturidade de uma mulher perante a maternidade. Isso é: na habilidade e capacidade de gerar um filho, orientando-o no convívio da/na sociedade. Mas, pode gerar amor.
As crianças Bessie e Roland são frutos de uma união 'comercial/política'. Nenhum dos dois progenitores possuem capacidade e habilidade frente a ter filhos, ao ponto de a mãe cometer suicídio na frente das crianças. O pai ignora os filhos. Esta preocupadíssimo em sua carreira politica (ser Secretário de Estado). Joga a responsabilidade paternal em cima da segunda esposa. Essa por sua vez não sabe  lidar com os 'problemas das crianças' e, também, está preocupada com a imagem de boa mãe de família, favorecendo a vida política do marido. Que por sua vez delega poderes maternais a sua velha e pobre e inadequada amiga, os cuidados e proteção das crianças.
Lilian consegue administrar a situação, atuando mais com aquilo que as crianças mais precisavam: - atenção e comportamento igual ao nível da normalidade dentro da desarmonia social reinante. 



31 de março de 2022

O Grande Mentecapto

Imagem da Internet,
não lembramos da capa.


O grande mentecapto
Fernando Sabino (1923-2004). Rio de Janeiro. Record. 1989. 238 páginas. [32ª edição, com essa, foi feita a releitura da obra.]

Sinopse / Ponderação:
Há alguns dias, verificando nossa conta no Instagram, e, lendo postagens e alguns comentários, deparamos com esse: - “... não vou dar engajamento a mentecaptos.” Como rimos dessa frase, já que não líamos ou ouvíamos menção ao vocábulo, há tempo.
Por outro lado, veio a nossa memória a leitura da obra “O grande mentecapto” de Fernando Sabino.  Um romance divertido, com todas as sutilezas do bom mineiro.
No dicionário, ‘mentecapto’ significa aquele que é desajustado, alienado, o que perde o juízo, ou aquele fora de seu tempo.  A empatia com Geraldo é imediata. Ele desperta a compaixão de quem entende a dificuldade de se enquadrar em meio ao mundo dito normal. Um louco com alma de poeta. Possui intensidade. É erudito. É dramático.  Uma história que faz refletir sobre a vida.




26 de fevereiro de 2022

A Garota que não se calou

A Garota que não se calou
The Girl with the Louding Voice. Abi Daré. Trad. Nina Rizzi. Campinas. Verus. 2021. 352 páginas. 

Sinopse:
A Garota que não se calou conta a história de Adunni, uma jovem que, mesmo tendo crescido em uma vila rural nigeriana, almeja por estudar e ser ouvida.
Após ser vendida pelo pai para ser a terceira esposa de um homem ansioso para que ela lhe dê um herdeiro, Adunni foge, buscando transpor os obstáculos da pobreza, do machismo e de uma sociedade arcaica. Corajosa, Adunni vai contra todos aqueles que dizem que ela não pode sonhar.

Ponderação:
Que história cheia de barriga. É para isso que serve 'Oficina de Escrita Criativa'? Para imersão narrativa do nada acontecendo de fato. Conhecer uma nova cultura da Nigéria e seus costumes. Pode-se dizer do momento lindo da trajetória de Adunni seja quando despede-se da Biblioteca de Big Madam:
"- Obrigada - digo pra todos os livros na estante. - Obrigada - digo pro Livro de Fatos da Nigéria, tocando na capa com o mapa brilhante e a cor verde-branco-verde da bandeira nigeriana, a contação de muitos, muitos fatos dentro das páginas. - Obrigada - digo pro Collins e todos meus amigos livros, por me ajudarem a encontrar minha liberdade na prisão da casa de Big Madam.
Fico assim um pouco, quieta e quieta e  olhando pra estante de livros, que nem se é o túmulo da minha mamãe, e meu obrigada é a areia que estou despejando em cima do caixão, só que dessa vez minha tristeza é com alegria e gratidão.
Eu fico lá até saber disso, até sentir uma libertação quente dentro de mim que é a hora de ir. Na hora que saio da biblioteca, não fecho a porta. Deixo aberta pro espírito de todos os livros me seguir."
  
  

27 de janeiro de 2022

Aviso 23

Querido leitor, querida leitora!

Começou com Charlotte, terminando com Lennon. Obras literárias de David Foenkinos. Encanta-nos sua fórmula narrativa. Nove romances, sendo dois em adaptações em HQ. Em, quase, simultânea leitura. Foi o máximo por nós alcançado no decorrer de 2021. A literatura francesa contemporânea visitou nosso espaço em dez histórias de tirar o folego e chorar o coração.

Porém, foi um ano de desestabilização emocional no processo de leitura, com várias obras, parcialmente, lidas. Mesmo assim, foram 54 livros lidos com 12.152 páginas. Não contabilizados os digitais...

Até...



28 de dezembro de 2021

Convite para um homicídio

Convite para um homicídio
A Murder is Announced. Agatha Christie (1890 - 1976). Trad. Maria Isabel Garcia. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 5ª ed. 1977. 248 páginas.

Sinopse:
Convida-se para um homicídio, a ter lugar sexta-feira, 29 de outubro, em Little Paddocks, às 18h30m. Espera-se a presença de todos os amigos da família; não haverá outra convocação "Chipping Cleghorn é apenas mais um vilarejo, quase esquecido, da Inglaterra pós guerra. Um ambiente pacato, formado por habitantes que encontraram um refúgio, mas também onde ninguém sabe do passado de ninguém. Lá residem os Easterbrooks, o orgulhoso coronel que morou na India e sua esposa pedante; a dominadora Mrs. Swettenham e seu filho Edmund que vive às custas da mãe, enquanto escreve um livro que nunca termina; as Misses Hinchlife e Murgatroyd, a primeira máscula e decidida, e sua companheira atrapalhada e insegura; o reverendo Julian Harmon, um intelectual incompreendido e sua esposa Bunch, uma mulher simples, inocente, mas extremamente perspicaz; e por fim, em Little Paddocks residem várias pessoas de diferentes personalidades: Miss Backlog: a dona da residência, ex-secretária de um Magnata, independente e sensata Dora Bunner: amiga de escola de Miss Backlog, devotada, leal, porém não muito competente. Foi morar em Little Padocks, pois estava vivendo em condições precárias e imensamente grata a amiga, porém vive causando problemas Mitzi: uma refugiada de guerra, explosiva, arrogante e incrivelmente engraçada. Patrick Simmons: Um bonito rapaz, primo de Miss Backlog, foi morar com ela para dar continuidade aos estudos, dono de um senso de humor insensato e escorregadio. Julia Simmons: A esnobe irmã de Patrick, estuda enfermagem, e vive alfinetando os demais. Arrogante, mas bonita e evasiva Phillipa Haymes: A séria e misteriosa Phillipa, é alvo frequente da malícia de Mitzi e Julia. Trabalha com, jardinagem para sustentar o filho, fruto do casamento um soldado que morreu na guerra. Deixa transparecer que esconde um segredo. Todas essas personagens viviam razoavelmente pacificamente em Chipping Cleghorn. Fazendo trocas de produtos, tentando driblar o racionamento até mesmo de carvão, no câmbio negro. Entre algumas fofocas locais e outras, que sempre acontecem em pequenos vilarejos, todos viviam em uma certa paz. Até a Gazzete, o jornal local, anunciar um homicídio em Little Padocks. Todos pensavam que não se passava de uma brincadeira de mau gosto, mas a curiosidade fez com que todos estivessem lá. E como dizia o anuncio no Jornal às 18h30m algo acontece, um crime. É quando o Inspetor Dermont Craddock aparece pela primeira vez nas histórias, da maior detetive feminina: Miss Marple. E juntos, eles vão trabalhar para descobrir quem é o assassino, antes que ele faça mais vítimas, na corrida contra o tempo, Miss Marple prova mais uma vez que a natureza humana é sempre a mesma.

Ponderação:
Fantástico! A leitura é uma caminhada por vários suspeitos ou nenhum, porém a descoberta do real criminoso é inacreditável...



A Trégua

A Trégua
La Tregua. Mario Benedetti. (1920 - 2009). Trad. Joana Angélica D'Avila Melo. Rio de Janeiro. Alfaguara. 2021 208 páginas.

Sinopse:
Publicado em 1960, A trégua é o mais famoso romance de Mario Benedetti e uma das obras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Escrito em formato de diário, com um texto incisivo, muitas vezes irônico, o livro conta a história de Martín Santomé, um "homem maduro, de muita bondade, meio apagado mas inteligente".
Prestes a completar cinquenta anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina cinzenta, sem sobressaltos. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria, mas não tem ideia do que fará assim que se livrar do trabalho maçante.
Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então taciturna e opaca. Este livro é, porém, muito mais do que uma história de amor. É um belíssimo questionamento sobre a felicidade e um retrato às vezes bem-humorado, às vezes ferino, dos difíceis relacionamentos humanos.

Ponderação:
Uma história que vai além das tradicionais narrativas românticas. Discorre sobre a solidão de um ponto de vista um tanto devastador para quem lê, pois fala de dentro do vazio que todos sentimos em algum momento. 
Em A Trégua temos o seguinte: - a redescoberta do amor, a busca da felicidade, seu verdadeiro significado e uma profunda reflexão sobre o tempo.
E, incrível atemporalidade, do tempo de e para aposentadoria. Por que todos pensam em aposentar e não fazer nada, é aí que a vida perde o sentido...