31 de março de 2022

O Grande Mentecapto

Imagem da Internet,
não lembramos da capa.


O grande mentecapto
Fernando Sabino (1923-2004). Rio de Janeiro. Record. 1989. 238 páginas. [32ª edição, com essa, foi feita a releitura da obra.]

Sinopse / Ponderação:
Há alguns dias, verificando nossa conta no Instagram, e, lendo postagens e alguns comentários, deparamos com esse: - “... não vou dar engajamento a mentecaptos.” Como rimos dessa frase, já que não líamos ou ouvíamos menção ao vocábulo, há tempo.
Por outro lado, veio a nossa memória a leitura da obra “O grande mentecapto” de Fernando Sabino.  Um romance divertido, com todas as sutilezas do bom mineiro.
No dicionário, ‘mentecapto’ significa aquele que é desajustado, alienado, o que perde o juízo, ou aquele fora de seu tempo.  A empatia com Geraldo é imediata. Ele desperta a compaixão de quem entende a dificuldade de se enquadrar em meio ao mundo dito normal. Um louco com alma de poeta. Possui intensidade. É erudito. É dramático.  Uma história que faz refletir sobre a vida.




26 de fevereiro de 2022

A Garota que não se calou

A Garota que não se calou
The Girl with the Louding Voice. Abi Daré. Trad. Nina Rizzi. Campinas. Verus. 2021. 352 páginas. 

Sinopse:
A Garota que não se calou conta a história de Adunni, uma jovem que, mesmo tendo crescido em uma vila rural nigeriana, almeja por estudar e ser ouvida.
Após ser vendida pelo pai para ser a terceira esposa de um homem ansioso para que ela lhe dê um herdeiro, Adunni foge, buscando transpor os obstáculos da pobreza, do machismo e de uma sociedade arcaica. Corajosa, Adunni vai contra todos aqueles que dizem que ela não pode sonhar.

Ponderação:
Que história cheia de barriga. É para isso que serve 'Oficina de Escrita Criativa'? Para imersão narrativa do nada acontecendo de fato. Conhecer uma nova cultura da Nigéria e seus costumes. Pode-se dizer do momento lindo da trajetória de Adunni seja quando despede-se da Biblioteca de Big Madam:
"- Obrigada - digo pra todos os livros na estante. - Obrigada - digo pro Livro de Fatos da Nigéria, tocando na capa com o mapa brilhante e a cor verde-branco-verde da bandeira nigeriana, a contação de muitos, muitos fatos dentro das páginas. - Obrigada - digo pro Collins e todos meus amigos livros, por me ajudarem a encontrar minha liberdade na prisão da casa de Big Madam.
Fico assim um pouco, quieta e quieta e  olhando pra estante de livros, que nem se é o túmulo da minha mamãe, e meu obrigada é a areia que estou despejando em cima do caixão, só que dessa vez minha tristeza é com alegria e gratidão.
Eu fico lá até saber disso, até sentir uma libertação quente dentro de mim que é a hora de ir. Na hora que saio da biblioteca, não fecho a porta. Deixo aberta pro espírito de todos os livros me seguir."
  
  

27 de janeiro de 2022

Aviso 23

Querido leitor, querida leitora!

Começou com Charlotte, terminando com Lennon. Obras literárias de David Foenkinos. Encanta-nos sua fórmula narrativa. Nove romances, sendo dois em adaptações em HQ. Em, quase, simultânea leitura. Foi o máximo por nós alcançado no decorrer de 2021. A literatura francesa contemporânea visitou nosso espaço em dez histórias de tirar o folego e chorar o coração.

Porém, foi um ano de desestabilização emocional no processo de leitura, com várias obras, parcialmente, lidas. Mesmo assim, foram 54 livros lidos com 12.152 páginas. Não contabilizados os digitais...

Até...



28 de dezembro de 2021

Convite para um homicídio

Convite para um homicídio
A Murder is Announced. Agatha Christie (1890 - 1976). Trad. Maria Isabel Garcia. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 5ª ed. 1977. 248 páginas.

Sinopse:
Convida-se para um homicídio, a ter lugar sexta-feira, 29 de outubro, em Little Paddocks, às 18h30m. Espera-se a presença de todos os amigos da família; não haverá outra convocação "Chipping Cleghorn é apenas mais um vilarejo, quase esquecido, da Inglaterra pós guerra. Um ambiente pacato, formado por habitantes que encontraram um refúgio, mas também onde ninguém sabe do passado de ninguém. Lá residem os Easterbrooks, o orgulhoso coronel que morou na India e sua esposa pedante; a dominadora Mrs. Swettenham e seu filho Edmund que vive às custas da mãe, enquanto escreve um livro que nunca termina; as Misses Hinchlife e Murgatroyd, a primeira máscula e decidida, e sua companheira atrapalhada e insegura; o reverendo Julian Harmon, um intelectual incompreendido e sua esposa Bunch, uma mulher simples, inocente, mas extremamente perspicaz; e por fim, em Little Paddocks residem várias pessoas de diferentes personalidades: Miss Backlog: a dona da residência, ex-secretária de um Magnata, independente e sensata Dora Bunner: amiga de escola de Miss Backlog, devotada, leal, porém não muito competente. Foi morar em Little Padocks, pois estava vivendo em condições precárias e imensamente grata a amiga, porém vive causando problemas Mitzi: uma refugiada de guerra, explosiva, arrogante e incrivelmente engraçada. Patrick Simmons: Um bonito rapaz, primo de Miss Backlog, foi morar com ela para dar continuidade aos estudos, dono de um senso de humor insensato e escorregadio. Julia Simmons: A esnobe irmã de Patrick, estuda enfermagem, e vive alfinetando os demais. Arrogante, mas bonita e evasiva Phillipa Haymes: A séria e misteriosa Phillipa, é alvo frequente da malícia de Mitzi e Julia. Trabalha com, jardinagem para sustentar o filho, fruto do casamento um soldado que morreu na guerra. Deixa transparecer que esconde um segredo. Todas essas personagens viviam razoavelmente pacificamente em Chipping Cleghorn. Fazendo trocas de produtos, tentando driblar o racionamento até mesmo de carvão, no câmbio negro. Entre algumas fofocas locais e outras, que sempre acontecem em pequenos vilarejos, todos viviam em uma certa paz. Até a Gazzete, o jornal local, anunciar um homicídio em Little Padocks. Todos pensavam que não se passava de uma brincadeira de mau gosto, mas a curiosidade fez com que todos estivessem lá. E como dizia o anuncio no Jornal às 18h30m algo acontece, um crime. É quando o Inspetor Dermont Craddock aparece pela primeira vez nas histórias, da maior detetive feminina: Miss Marple. E juntos, eles vão trabalhar para descobrir quem é o assassino, antes que ele faça mais vítimas, na corrida contra o tempo, Miss Marple prova mais uma vez que a natureza humana é sempre a mesma.

Ponderação:
Fantástico! A leitura é uma caminhada por vários suspeitos ou nenhum, porém a descoberta do real criminoso é inacreditável...



A Trégua

A Trégua
La Tregua. Mario Benedetti. (1920 - 2009). Trad. Joana Angélica D'Avila Melo. Rio de Janeiro. Alfaguara. 2021 208 páginas.

Sinopse:
Publicado em 1960, A trégua é o mais famoso romance de Mario Benedetti e uma das obras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Escrito em formato de diário, com um texto incisivo, muitas vezes irônico, o livro conta a história de Martín Santomé, um "homem maduro, de muita bondade, meio apagado mas inteligente".
Prestes a completar cinquenta anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina cinzenta, sem sobressaltos. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria, mas não tem ideia do que fará assim que se livrar do trabalho maçante.
Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então taciturna e opaca. Este livro é, porém, muito mais do que uma história de amor. É um belíssimo questionamento sobre a felicidade e um retrato às vezes bem-humorado, às vezes ferino, dos difíceis relacionamentos humanos.

Ponderação:
Uma história que vai além das tradicionais narrativas românticas. Discorre sobre a solidão de um ponto de vista um tanto devastador para quem lê, pois fala de dentro do vazio que todos sentimos em algum momento. 
Em A Trégua temos o seguinte: - a redescoberta do amor, a busca da felicidade, seu verdadeiro significado e uma profunda reflexão sobre o tempo.
E, incrível atemporalidade, do tempo de e para aposentadoria. Por que todos pensam em aposentar e não fazer nada, é aí que a vida perde o sentido...


22 de dezembro de 2021

Dos Hermanas

Dos Hermanas
Deux soeurs. David Foenkinos. Trad. María Teresa Gallego Urrutia y  Amaya García Gallego. Barcelona. Alfaguara. 2020. 152 páginas.

Sinopse:
De un día para otro, la felicidad de Mathilde se derrumba cuando Étienne le anuncia «Voy a dejar el apartamento». No «Voy a dejarte». Pero Mathilde, profesora de literatura (en ese preciso momento está descubriendo La educación sentimental de Flaubert a sus alumnos), comprende lo terrible de la frase. ¿Cómo es posible que ese hombre al que ha amado locamente durante cinco años ya no la ame? ¿Cómo no hundirse frente a un vacío tan repentino como inaceptable? ¿Qué futuro le espera? Devastada, deja que su hermana Agathe la acoja en el pequeño piso que comparte con su esposo Frédéric y su hija Lili. Gradualmente, se empiezan a tejer nuevos lazos, insospechados, en este nuevo seno familiar donde todos luchan para encontrar un equilibrio. Hará falta muy poco para que todo dé un vuelco, porque Mathilde revela una nueva personalidad, tan peligrosa como inesperada.

Ponderação:
Dos hermanas é oposto aos romances La Delicadeza e Hacia la belleza. Um thriller psicológico fantástico. Étienne abandona Mathilde. Por quê? Íris? Essa questão não ficou sólida na narrativa, visto pela visão da protagonista como uma relação feliz? Será? Ao passo que entra na tormenta em aceitar o inevitável. Emerge uma personalidade diabólica, capaz de realizar o inesperado e o final nos parece suspeito até que se prove o contrário.


20 de dezembro de 2021

Uma outra história / Escritos negros : Textos contemporâneos

Uma outra história / Escritos negros: textos contemporâneos
Vários autores. Porto Alegre. TAG. 2021. 143 páginas cada.

Sinopse / Ponderação: 
- Zélia Amador de Deus com A língua é um pássaro em suas mãos, apresenta a obra.
- Itamar Vieira Junior narra Ler, escrever, voltar parra casa.
- Djamila Ribeiro narra As descobertas da escrita.
- Edwidge Danticat apresenta Marie Micheline: uma vida no Haiti, tradução de Lígia Azevedo. Um pouco da História do Haiti.
- Cultura preta, periférica, diaspórica: uma conversa entre Allan da Rosa e Marcelo D'Salete. A questão 'diaspórica' não é uma expressão exclusiva para negros/afrodescendentes, qualquer etnia está sujeta aos desmando do mundo.
- Alain Mabanckou expõe Elogios das fronteiras, tradução de Leo Gonçalves. "Reivindicar uma 'africanidade' é uma atitude fundamentalista e intolerante."

- Luiz Maurício Azevedo em As cores da fé apresenta a obra.
- Teresa Cárdenas Angulo apresenta Afro-cubana: identidade e memória através da escrita, tradução de Nina Rizzi. Como sobreviver em Cuba na era Castro.
- Nadifa Mohamed apresenta Filsan, tradução de Lígia Azevedo.
- Jeferson Tenório narra As confissões de um romancista negro.
- Arte e estética negra: uma conversa entre Allan da Rosa e Marcelo D'Salete.
- Cidinha da Silva em Como me tornei escritora.

- Saiba mais, nos dois volumes, apresenta nomes citados pelos autores no decorrer de seus textos, nos  dando o mais importante deles dentro da História da Humanidade.

Mágoa é o resultado final da leitura desses dois volumes de contos, curtíssimos. A literatura é como a alma, não produz cores. As cores são produzidas pela nossa vivência no ambiente geográfico que nascemos. Em nossa vivência sempre tivermos contato com todas as etnias, jamais discriminando, porém estamos sendo discriminados por autores negros, autoras negras. Com 'racismo' próximo do ódio. Nenhuma etnia tem o poder de desprezar uma outra, por não se adequar aos níveis de submissão rancorosa movida pelo andamento histórico passado. 
A arte não tem cor. Ela é bela ou feia de acordo com os olhos de quem a vê. O mesmo ocorre com a leitura, ela é boa ou ruim conforme a identificação magica de quem a lê.
Foi possível observar o conceito 'História' registrado desses humanos privilegiados pelo universo da escrita, literatura e leitura dentro da universalidade das ações humanas. O prazer encontrado na leitura, abrindo caminho da consciência sábia do mundo do conhecimento.
A literatura não pode criar racismo! Não pode criar preconceito! Não pode ser rotulada!