27 de abril de 2020

Ponto Cardeal

Ponto Cardeal
Point cardinal. Lèonor de Récondo. Trad. Amilcar Bettega. Porto Alegre. Dublinense. 2020. 176 páginas


Sinopse:

Dentro de seu carro, num estacionamento, Mathilda retira com cuidado a maquiagem do rosto, o vestido apertado, o sapato de salto altíssimo. Veste um abrigo de ginástica e então já não é Mathilda, mas Laurent, marido de Solange e pai de dois filhos.
Quando percebe que incorporar uma persona feminina uma vez por semana já não é mais o suficiente, decide completar a transição. E abrir o jogo para a esposa e os filhos é só o começo dessa busca por sua verdade interior.

Ponderação:
Mathilda/Laurent, as quatros primeiras páginas nos dar a sensação de assistir a um filme de terror.  Depois entram: Solange, Thomas e Claire, vértice de uma família equilibrada. 
Stephane, Estelle, a mãe de Solange, a cantora Melody Gardot, Victor, Daniel Morel, Thierry, Nicolas, Émile, Cynthia/Jérône, Ève, Gaistan, Joël, diretora de RH, Solène são personagens fortes e fracos com tempero da ausência de sentido.
Traição! Sim! porém não é o que se imagina. Ela é sinistra. Na interpretação do psicólogo há uma neurose obsessiva. Sim! Há! A leitura é sem compromisso. Não empolga.



25 de abril de 2020

A República Brasileira - Figura do Vice

O Vice

Vice  é um elemento de formação, um prefixo, que deriva do latim vice «em vez de». É invariável, pelo que não se flexiona no plural.

              Designação de algo ou alguém que ocupa uma posição imediatamente inferior a outra coisa ou pessoa.
              Desde os primeiros dias da República, as obrigações e as vantagens dos vice-presidentes têm definições nebulosas. Houve um tempo em que os vice-presidentes eram tratados até de "Sua Excelência Supérflua". É uma figura quase anônima. Deve suceder o presidente nos seus impedimentos, em casos de falecimentos ou impeachment ou renúncia.


Presidente
Vice
Deodoro da Fonseca 
Sem (1889-1891);
Floriano Peixoto (1891)
Floriano Peixoto
Sem
Prudente de Moraes
Manuel Vitorino (1894-1898), Primeiro Vice eleito em pleito de votação popular direta.
Campos Salles
Francisco Rosa e Silva (1898-1902)
Rodrigues Alves
Sem (1902-1903);
Afonso Pena (1903-1906)
Afonso Pena
Nilo Peçanha (1906-1909)
Nilo Peçanha
Sem
Hermes da Fonseca
Wenceslau Braz (1910-1914)
Wenceslau Braz
Urbano Santos (1914-1918)
Delfim Moreira
Eleito como Vice para o período de 1918 a 1922, no governo de 15/11/1918 a 28/07/1919.
Epitácio Pessoa
Delfim Moreira (1919-1920);
Sem (julho a novembro de 1920);
Bueno de Paiva (1920-1922)
Arthur Bernardes
Estácio Coimbra (1922-1926)
Washington Luís
Fernando de Melo Viana (1926-1930)
Augusto Tasso Fragoso, José Isaías de Noronha e João de Deus Mena Barreto (Junta Provisória)
Sem
Getúlio Vargas
Sem
Eurico Dutra
Sem (jan. a set. de 1946);
Nereu Ramos (1946-1951)
Getúlio Vargas
João Café Filho (1951-1954)
João Café Filho
Sem, com dois ‘legal’: Carlos Luz e Nereu Ramos
Carlos Luz
Sem
Nereu Ramos
Sem
Juscelino Kubitschek
João Goulart
Jânio Quadros
João Goulart
Ranieri Mazzilli
Sem
João Goulart
Sem, o ‘legal’: Presidente da Câmara
Ranieri Mazzilli
Sem
Castello Branco
José Maria Alkmin
Costa e Silva
Pedro Aleixo
Augusto Hamann Rademaker Grünewald; Aurélio de Lira Tavares, Márcio de Sousa e Mello (Junta Governativa)
Sem
Garrastazu Médici
Augusto Rademaker (1969-1974)
Ernesto Geisel
Adalberto Pereira dos Santos (1974-1979)
João Figueiredo
Aureliano Chaves (1979-1985)
Tancredo Neves (não toma posse)
José Sarney
José Sarney
Sem
Fernando Collor
Itamar Franco (1990-1992)
Itamar Franco
Sem
Fernando Henrique Cardoso
Marco Maciel (1995-2002)
Luiz Inácio Lula da Silva
José Alencar (2003-2011)
Dilma Rousseff
Michel Temer (2012-2016)
Michel Temer
Sem
Jair Bolsonaro
Luiz Inácio Lula da Silva
Hamilton Mourão (2019 – 2022)
Geraldo Alckmin (2023 - atualidade)*

Vice que assumiram


Floriano Peixoto (1891) - na renúncia de Deodoro.

Manoel Victorino (1896) - interino (enquanto o presente estava enfermo).

Nilo Peçanha (1909) - falecimento do presidente.

Delfim Moreira - (1918) -   enquanto o presidente estava enfermo, vindo a falecer; convoca novas eleições.

Café Filho (1954) - assume com o falecimento de Getúlio, mas não termina o mandato; adoece e é impedido  pelo Congresso.

João Goulart (1961) - assume na crise deixada por Jânio Quadros.

Aureliano Chaves (1979 - 1985) - enquanto o João Figueiredo estava enfermo.

José Sarney (1985) - enquanto dura a internação de Tancredo, efetivamente, após 22/04/1985.

Itamar Franco (1992) - assume na crise de impeachment de Collor.

Michel Temer (2016) - assume na crise de impeachment de Dilma.


Observação:
Vital Henrique Baptista Soares, vice esquecido, pois fora eleito junto com Júlio Prestes de Albuquerque, não assumiram no Catete, pois foram atropelados pela Revolução de 1930.



* Atualizado em 08/01/2023.

[~~~;

14 de abril de 2020

A República Brasileira - Resumo

O resumo de uma obra e algumas curiosidades.


Manuel Deodoro da Fonseca
(1827 - 1892); Presidente de 15/11/1889 a 23/11/1891; Após exercer a Presidência com mandato provisório, eleito, não suportou a pressão, renunciou.

Manuel Floriano Vieira Peixoto
(1839 - 1895); Presidente de 23/11/1891 a 15/11/1894; Assume após a renuncia de Deodoro.

Prudente José de Moraes Barros
(1841 - 1902); Presidente de 15/11/1894 a 15/11/1898; Primeiro civil, Primeiro eleito pelo voto 'direto' e primeiro Paulista. 

Manuel Ferraz de Campos Salles
(1841 - 1913); Presidente de 15/11/1898 a 15/11/1902.

Francisco de Paula Rodrigues Alves
(1848 - 1919); Presidente de 15/11/1902 a 15/11/1906; Torna-se o primeiro civil a ser reeleito, em 1918. Não assume o segundo mandato, falece vítima da gripe espanhola.

Afonso Augusto Moreira Pena
(1847 - 1909); Presidente de 15/11/1906 a 14/06/1909; Falece no exercício do mandato.

Nilo Procópio Peçanha
(1867 - 1924); Presidente de 14/06/1909 a 15/11/1910; Assume, quando do falecimento de Afonso Pena.

Hermes Rodrigues da Fonseca
(1855 - 1923); Presidente de 15/11/1910 a 15/11/1914; Primeiro Militar Eleito. Tornou-se o primeiro presidente a ficar viúvo, e, casar em segundas núpcias no exercício do mandato. O primeiro a usar a Faixa Presidencial e passá-la ao sucessor. Pode-se considerar, "na condição de Ex-Presidente", o primeiro a ser preso.

Wenceslau Braz Pereira Gomes
(1868 - 1966); Presidente de 15/11/1914 a 15/11/1918; Governou o país durante a chamada 1ª Guerra Mundial. Tornou-se o Primeiro que permaneceu mais tempo na condição de "Ex-Presidente", isto é, 47 anos e seis meses. E o mais longevo, 98 anos, até o presente ano, 2020.

Delfim Moreira da Costa Ribeiro
(1868 - 1920); Presidente de 15/11/1918 a 18/07/1919; Primeiro vice a tomar posse interinamente, convocando, imediatamente, novas eleições após o falecimento de Rodrigues Alves, em janeiro de 1919.

Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa
(1865 - 1942); Presidente de 28/07/1919 a 15/11/1922; Primeiro civil nascido no Nordeste, Paraíba.

Arthur da Silva Bernardes
(1875 - 1955); Presidente de 15/11/1922 a 15/11/1926; Também esteve preso, já na condição de 'Ex'.

Washington Luís Pereira de Sousa
(1869 - 1957); Presidente de 15/11/1926 a 24/10/1930; Deposto do cargo à 20 dias de transmiti-lo ao presidente eleito nas Eleições de 1930, Júlio Prestes. Esteve preso até segui para o exílio.

Junta Governativa Provisória
Composta por Augusto Tasso Fragoso, José Isaías de Noronha e João de Deus Mena Barreto  de 24/10/1930 a 03/11/1930.

Getúlio Dornelles Vargas
(1881 - 1954); Presidente de 03/11/1930 a 29/10/1945; Deposto. Presidente Eleito de 31/01/1951 a 24/08/1954; Suicídio.

José Linhares
(1886 - 1957);  Presidente de 30/10/1945 a 31/01/1946; Interino por 3 meses, na crise de 1945, preparou o país a democracia.

Eurico Gaspar Dutra
(1883 - 1974); Presidente de 31/01/1946 a 31/01/1951; Segundo Militar eleito pelo voto popular.

João Fernandes Campos Café Filho
(1899 - 1970); Presidente de 24/08/1954 a 22/11/1955; Adoece e impedimento pelo Congresso.

Carlos Luz
(1894 - 1961); Presidente da Câmara, assume a Presidência de 08 a 11 de novembro de 1955, exatas 72 horas. É afastado pelo Congresso.

Nereu Ramos
(1888 - 1958); Presidente de 11/11/1955 a 31/01/1956; Garantir a estabilidade do país e dar Posse ao Presidente eleito, Juscelino Kubitschek.

Juscelino Kubitschek de Oliveira
(1902 - 1976); Presidente de 31/01/1956 a 31/01/1961; Construiu Brasília, inaugurando-a em 21/04/1960.

Jânio da Silva Quadros
(1917 - 1992); Presidente de 31/01/1961 a 25/08/1961; Renunciou aos sete meses de governo.

Paschoal Ranieri Mazzilli
(1910 - 1975); Presidente da Câmara assume, interino de 26/08/1961 a 06/09/1961, na renúncia de Jânio e dar posse a João Goulart. Presidente interino  de 02/04/1964 a 14/04/1964 no início da chamada Revolução de 1964.

João Belchior Marques Goulart
(1919 - 1976); Presidente de 07/09/1961 a 02/04/1964. Deposto.

Humberto de Alencar Castello Branco
(1897 - 1967); Presidente de 15/04/1964 a 15/03/1967. Eleito pelo Congresso. Inicio do período Militar na Presidência.

Arthur da Costa e Silva
(1899 - 1969); Presidente de 15/03/1967 a 31/08/1969. Adoece.

Junta Governativa Provisória
Composta por Augusto Hamann Rademaker Grünewald; Aurélio de Lira Tavares, Márcio de Sousa e Mello de 31/08/1969 a 30/10/1969.

Emílio Garrastazu Médici
(1905 - 1985); Presidente de 30/10/1969 a 15/03/1974. Época do Milagre Econômico.

Ernesto Beckmann Geisel
(1907 - 1996); Presidente de 15/03/1974 a 15/03/1979.

João Baptista de Oliveira Figueiredo
(1918 - 1999); Presidente de 15/03/1979 a 15/03/1985. Um Presidente incompreendido.

Tancredo de Almeida Neves
(1910 - 1985); Presidente eleito de forma indireta pelo Colégio Eleitoral. Não toma Posse a 15/03/1985.

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, mais conhecido por José Sarney de Araújo Costa
(1930); Presidente de 15/03/1985 a 15/03/1990. Assume na condição de Vice no exercício da Presidência até 22/04/1985, a partir de então é efetivamente o Presidente da República. Está com 90 anos.

Fernando Affonso Collor  de Mello
(1949); Presidente de 15/03/1990 a 02/10/1992. Renunciou em meio ao processo de impeachment. É o mais jovem, quando assumiu, estava com 40 anos.

Itamar Augusto Cautiero Franco
(1930 - 2011); Presidente de 02/10/2992 a 31/12/1994. Assume a Presidência no meio da crise de impeachment de Collor. Estabiliza a economia.

Fernando Henrique Cardoso
(1931); Presidente de 01/01/1995 a 31/12/1998 e de 01/01/1999 a 31/12/2002. Primeiro Presidente a cumprir dois mandatos consecutivos. Prosseguiu com o Plano de Estabilização Econômica de seu antecessor.

Luiz Inácio Lula da Silva
(1945); Presidente de 01/01/2003 a 31/12/2006 e de 01/01/2007 a 31/12/2010.

Dilma Vana Rousseff
(1947); Presidente de 01/01/2011 a 31/12/2014 e de 01/01/2015 a 12/05/2016. Primeira Mulher no cargo de Presidente da República no Brasil. Sofreu impeachment.

Michel Miguel Elias Temer Lulia
(1940); Presidente de 12/05/2016 a 31/12/2018. Quando assumiu foi considerado o Presidente mais velho naquele momento. Primeiro a ser, por três vezes, denunciado durante o exercício de governar.

Jair Messias Bolsonaro
(1955); Presidente em exercício desde 01/01/2019 e com previsão de ficar até 31/12/2022.




Curiosidade 1
Até 1994, houve, somente, dois Presidentes que foram Eleitos para um Segundo Mandato:
          a) Francisco de Paula Rodrigues Alves, em 1918;
          b) Getúlio Dorneles Vargas, em 1950.




Curiosidade 2
Tivemos, os Presidentes, em sua vida civil:
             14 advogados,
               2 advogados e professor,
               2 economistas,
               1 engenheiro,
               1 médico,
               1 torneiro mecânico,
               1 jornalista,
               1 sociólogo,
              10 militares.                     



Curiosidade 3
Quando assumiram a Função Presidencial:
              O mais novo tinha 40 anos - Fernando Collor.
              O mais velho tinha 75 anos - Michel Temer.
              Nilo Peçanha e João Goulart tinham 42 anos.
          Jânio Quadros, Wenceslau Braz, Arthur Bernardes e Getúlio Vargas (no 1º mandato) tinham respectivamente 44, 46, 47 e 48 anos.
              Treze estavam na faixa etária dos 50 a 59.
              Quinze na faixa etária dos 60 a 69.




Atualizando em 08/01/2023


Curiosidade 4
Luiz Inácio Lula da Silva
            1° mandato de 01/01/2003 a 31/12/2006
            2° mandato de 01/01/2007 a 31/12/2010
            3° mandato em 01/01/2023, o segundo mais velho em assumir a Presidência com 77 anos.



[~~~;




13 de abril de 2020

A República Brasileira - Como "EX"

Condição: EX-Presidente


A ideia desta postagem, uma espécie de brincadeira, surgiu após a leitura do volume 8 da Coleção Folha: A República Brasileira  - 130 anos. Poderá ser considerado como uma forma de cultura de Almanaque.

Presidente: Todos os que assumiram, mesmo por um dia¹.


Presidente                   Falecimento       Final de Mandato       Viveu como EX
Deodoro da Fonseca         1892                     1891                         9 meses
Floriano Peixoto               1895                     1894                         7 meses
Prudente de Moraes          1902                     1898                         4 anos e 1 mês
Manoel Vitorino               1902                     1897                         3 anos e 7 meses
Campos Salles                  1913                     1902                         9 anos e 7 meses
Rodrigues Alves               1919                     1906                         12 anos e 1 mês
Afonso Pena                      Falece durante o mandato, em 1909.
Nilo Peçanha                     1924                     1910                        13 anos e 4 meses
Hermes da Fonseca           1923                     1914                         9 anos e 9 meses
W. Braz                             1966                     1918                         47 anos e 6 meses
Delfim Moreira                 1920                     1919                         11 meses
Epitácio Pessoa                 1942                     1922                         19 anos e 2 meses
Arthur Bernardes              1955                     1926                         28 anos e 3 meses
Washington Luís               1957                     1930                         26 anos e 9 meses
Augusto Tasso Fragoso     1945                     1930                        15 anos
José Isaías de Noronha      1963                     1930                        33 anos
J. de Deus Mena Barreto   1933                     1930                        3 anos
Getúlio Vargas                   1954                     1945                        5 anos e 3 meses
José Linhares                     1957                     1946                        10 anos
Eurico Dutra                      1974                     1951                        22 anos e 4 meses
Getúlio Vargas                   Suicídio em 1954, durante seu segundo mandato.
Café Filho                          1970                     1955                        14 anos e 2 meses
Carlos Luz                          1961                    1955                        5 anos e 2 meses
Nereu Ramos                      1958                    1955                        2 anos e 3 meses
Juscelino K. de Oliveira     1976                    1961                        15 anos e 5 meses
Jânio Quadros                     1992                    1961                        30 anos e 5 meses
Ranieri Mazzilli                  1975                    1961                       14 anos
João Goulart                       1976                    1964                        11 anos e 8 meses
Ranieri Mazzilli                  1975                    1964                        11 anos
Castelo Branco                    1967                    1967                        4 meses
Costa e Silva                       Adoece no decorrer do mandato, em 1969.
Augusto Rademaker            1985                    1969                        16 anos
Aurélio de Lira Tavares       1998                    1969                        29 anos
Márcio de Sousa e Mello     1991                    1969                        22 anos
Emílio G. Médici                 1985                    1974                        11 anos e 6 meses
Ernesto Geisel                      1996                    1979                        17 anos e 5 meses
João Figueiredo                    1999                    1985                        14 anos e 8 meses
Tancredo Neves                    Não assume
José Sarney                           ------                    1990                        30 anos e 3 meses
Collor                                    ------                   1992                        28 anos e 3 meses
Itamar Franco                       2011                    1994                        15 anos e 6 meses
Fernando Henrique               ------                    1998                        22 anos e 3 meses
Fernando Henrique               ------                    2002                        18 anos e 3 meses
Luiz Inácio Lula da Silva      ------                   2006                        14 anos e 3 meses
Luiz Inácio Lula da Silva      ------                   2010                        10 anos e 3 meses
Dilma Rousseff                     ------                    2014                        5 anos e 3 meses
Dilma Rousseff                     ------                    2016                        3 anos e 9 meses
Michel Temer                        ------                    2018                        1 ano e 3 meses
Jair Bolsonaro                         Atualidade...





¹ Base data = março de 2020, e Ano de falecimento - Ano do final do mandato = tempo como "Ex".


31 de março de 2020

A República Brasileira - Sarney a Temer

Coleção Folha "A República Brasileira: 130 anos"
Lucas Ferraz, Fernando Figueiredo Mello e Dirceu Franco Ferreira. São Paulo. Folha de São Paulo. 2019. (volumes 22 a 28) 406 páginas.

Sinopse / Ponderação:
Coleção diagramada em duas colunas imagens e ilustrações da época, permitindo uma leitura rápida. Com uma boa lupa é possível ler os textos de algumas imagens. Cada volume, a partir do segundo, está dividido em capítulos - Governo, Biografia, Para saber mais.

Volume 22  - José Sarney e Tancredo Neves
Presidente eleito não toma posse. Mesmo na forma indireta. Pela lógica, José Sarney deveria seguido os passos de outro vice, Delfim Moreira, convocado novas eleições.
O volume é fraco no ponto: - Tancredo Neves.

Volume 23 - Fernando Collor de Melo
Sua eleição teve um índice semelhante a de Jânio Quadros. E!, que campanha  eleitoral!
Se Collor era tão senhor de si, todos sabemos. Porém, ele, em primeiro momento, soube manipular a imprensa como ninguém, até então. Só que como vitorioso sentou em cima de seu sucesso, esquecendo-se de quem tem telhado de vidro, uma pedra poderá retornar ao seu atirador.

Volume 24 - Itamar Franco
Conciliador bem ao estilo da política exercida por outros políticos mineiros de grande fama. Sua descrição contribuiu, em muito, pra recuperar a economia.
Vale ressaltar um ponto com grau de relevância alta. às páginas 30 e 31, é citada a preocupação de Itamar com o seu sucessor, que seria eleito, em 1994, para dar continuidade ao Plano de Estabilização Econômica. Esse cenário tornou-se comum no país, após 1988, onde o administrador eleito, simplesmente destrói o produzido pelo administrador antecessor, comprometendo e destruindo a história. Em nível municipal, a situação é catastrófica, considerando que muitos dos administradores eleitos não são preparados para governar, não possuem opinião própria. Felizmente, a preocupação de Itamar só ficou na preocupação, diante do sucesso nos oito anos seguintes.

Volume 25 - Fernando Henrique Cardoso
Por orgulho ou por legislar em causa própria ou por ser simples e hábil negociador político, deu continuidade ao Programa de Estabilização Econômica, o popular Plano Real, iniciador no governo anterior.
O processo de  privatização das criou uma grande incógnita. Elas são empresas públicas? Ou privadas|||? Ou de economia mista? O serviço / trabalho realizado por elas deixam muito à desejar. Alguém entendeu o processo? Ou devemos chamar um tradutor?

Volume -  26 - Luiz Inácio Lula da Silva
Há uma expressão: - "Quem de longe vem, mente como quer." O resultado "positivo" da economia no período 2003 a 2010, para os nossos olhos, só foi possível através da 'farsa'. Ele provou na prática a lei de Gerson, levou vantagem para si. Se posicionando ora como vítima, ora como líder, ou como salvador da pátria. Porém, a sua equação política está saindo cara à nação.

Volume 27 - Dilma Rousseff
Há palavras, frases ou expressões por serem usadas em frequência, potencialmente, alta em um determinado espaço de tempo e, por pessoas que não vivenciaram, repetem-la sem ao menos entender os lados envolvidos. Durante seu segundo governo, as palavras: - ditadura, tortura, golpe foram usadas como revanche pessoal - dela própria e tanto outros. Se ela tem orgulho de seu passado, por outro ele a condena. As vítimas sobreviventes tem um passado a ser preservado.
A luz do distanciamento, pela análise compreendida na narrativa encontrada nas páginas 24 a 31, revela em como o povo foi manipulado por um grupo envolvido em destruir o bom nome da política - perdeu todo o sentido ser deputado e senador - após 2015 e as eleições de 2018. Eles não estão preocupados com o bem estar da população.
Ela não soube aplicar, a exemplo de Collor, na prática toda a teoria aprendida na faculdade de Economia.

Volume 28 - Michel Temer e Jair Bolsonaro
Temer - Abraça o barco à deriva. Tenta manter uma imagem de conservador, articulado com a demanda do país em colapso. Recupera um mínimo a economia.
A Operação Lava Jato segue qual caminho? É preciso questionar todas as delações? A lógica está indo ao fundo poço.
Bolsonaro - Pegou um país fragmentado. Apreciador da ordem. Possuidor de boas ideias. Porém a classe política, em colapso, pelas excessivas agremiações partidárias, não está   permitindo o bom desenvolvimento  do trabalho presidencial.
Na atual crise, mundial e nacional da pandemia, tem-se manifestado coerente na manutenção do futuro econômico brasileiro. Somos um país demasiado grande. Se há alguém para culpar pelo pânico instalado, talvez seja o presidente  da O|MS, que fez a solicitação de isolamento social, sem a preocupação do estrago na economia mundial.


27 de março de 2020

O Colecionador de Desejos

O Colecionador de Desejos
The wish collector. Mia Sheridan. Trad. Michelle Gimenes. São Paulo. Universo de Livros. 2020. 448 páginas.

Sinopse:
Pouco depois de se mudar para Nova Orleans em busca de alavancar sua carreira de bailarina, Clara Campbell se encontra mergulhada em solidão e incertezas, tendo na companhia de uma vizinha idosa seu único alívio para a melancolia que ameaça dominá-la todos os dias. E é durante uma visita a essa amiga que Clara toma conhecimento de uma antiga lenda sobre as bonitas e decrépitas estruturas da Fazenda Windisle, uma atração turística local.
Segundo a lenda, os espíritos apaixonados que tiveram o trágico desenrolar de sua história na propriedade ainda vagam pela mansão, mesmo depois de 150 anos do ocorrido. Obcecada com a lenda do “muro que chora”, Clara decide conhecer o local, tido como desabitado, mas descobre ali um morador solitário e alquebrado, Jonah Chamberlain.
Em um breve diálogo através do muro, ambos sentem a chama de uma conexão se acender imediatamente. Mas como Jonah conseguirá permitir a aproximação de Clara, a despeito de suas cicatrizes? Esta é uma história de tristeza e triunfo, de solidão e afeto, e que mostra que até mesmo os corações mais machucados podem dar uma segunda chance ao amor.

Ponderação:
"Não, de repente, tudo o que ele queria era se enfiar em um canto escuro da biblioteca e se perder em um livro."
A frase, acima, ilustra bem o sentimento de todo e qualquer amante da leitura. Depois de quatro meses, lendo livros sobre história e dramas de guerra e humanos, esse foi uma delícia. No cenário de Nova Orleans, rio Mississippi e suas lendas e um pé nos escritos de Mark Twain. Também, de certa forma uma espécie de metalinguagem à obra 'Fantasma da Ópera', 'A Bela e a Fera', joga luz ao 'O Lago do Cisne'. Mais, uma referência muito sutil à teoria de encontros e desencontros citada na obra de Brian Weiss. Leve toque ao lendário Robin Hood e Zorro.
À página 117, há quatro parágrafos mencionando um vídeo, o mesmo foi divulgado como festejo sobre a vitória de um julgamento, porém os jornalistas, editores e diretores dos noticiários não observaram a veracidade (verdade) do teor encontrado no vídeo. Aqui a autora faz uma crítica aos profissionais de comunicação.
Há um toque de irrealidade para o século XXI, no aspecto físico de Jonah, sendo que uma cirurgia plástica teria amenizado o horror de seu rosto, após o acidente. Porém, Clara intuiu bem, era o seu coração, o grande defeito dele ao se trancar atrás do muro da propriedade. O mundo possui inúmeros defeitos físicos, mas tornam-se invisíveis, quando o coração é puro e cheio de magia.  


20 de março de 2020

Minha Metade Silenciosa

Minha Metade Silenciosa
Stick. Andrew Smith. Trad. Rodrigo Seabra. Belo Horizonte. Editora Gutenberg. 2014. 303 páginas.

Sinopse:
Stark McClellan tem 14 anos. Por ser muito alto e magro, tem o apelido de Palito, mas sofre bullying mesmo porque é “deformado”, já que nasceu apenas com uma orelha. Seu irmão mais velho, Bosten, o defende em qualquer situação, porém ambos não conseguem se proteger de seus pais abusivos, que os castigam violentamente quase todos os dias. Ao enfrentar as dificuldades da adolescência estando em um lar hostil e sem afeto – com o agravante de se achar uma aberração –, o garoto tem na amizade e no apoio do irmão sua referência de amor, e é com ela que ambos sobrevivem.
Um dia, porém, um episódio faz azedar terrivelmente a relação entre Bosten e o pai. Para fugir de sua ira, o rapaz se vê obrigado a ir embora de casa, e desaparece no mundo. Palito precisa encontrá-lo, ou nunca se sentirá completo novamente. A busca se transforma em um ritual de passagem rumo ao amadurecimento, no qual ele conhece gente má, mas também pessoas boas. Com um texto emocionante, personagens tocantes e situações realistas, não há como não se identificar e se envolver com este poético livro.

Ponderação:
Já fazia um bom tempo que não exercitava a leitura dinâmica e na diagonal; aconteceu com esse livro. O primeiro capítulo até que deu para encarar normalmente. A partir do segundo, numa narrativa em primeira pessoa começou a emperrar com a voz da vitimologia e excessos de pensamentos explicativos.
A violência doméstica sempre existiu, porém será que a escola nada percebeu? A atitude de Palito deixa uma luz. Aos 13 anos não somos tão certinhos e de comportamento sempre perfeito. A exigência 'violenta' por perfeição não condiz nas regras impostas. As regras são boas, mas com uma explicação para sua existência e na harmonia à uma vida em sociedade.
As duras penas, os irmãos vão amadurecendo. No final é possível questionar: - A vida real imita a ficção ou a ficção imita a vida real?