31 de março de 2020

A República Brasileira - Sarney a Temer

Coleção Folha "A República Brasileira: 130 anos"
Lucas Ferraz, Fernando Figueiredo Mello e Dirceu Franco Ferreira. São Paulo. Folha de São Paulo. 2019. (volumes 22 a 28) 406 páginas.

Sinopse / Ponderação:
Coleção diagramada em duas colunas imagens e ilustrações da época, permitindo uma leitura rápida. Com uma boa lupa é possível ler os textos de algumas imagens. Cada volume, a partir do segundo, está dividido em capítulos - Governo, Biografia, Para saber mais.

Volume 22  - José Sarney e Tancredo Neves
Presidente eleito não toma posse. Mesmo na forma indireta. Pela lógica, José Sarney deveria seguido os passos de outro vice, Delfim Moreira, convocado novas eleições.
O volume é fraco no ponto: - Tancredo Neves.

Volume 23 - Fernando Collor de Melo
Sua eleição teve um índice semelhante a de Jânio Quadros. E!, que campanha  eleitoral!
Se Collor era tão senhor de si, todos sabemos. Porém, ele, em primeiro momento, soube manipular a imprensa como ninguém, até então. Só que como vitorioso sentou em cima de seu sucesso, esquecendo-se de quem tem telhado de vidro, uma pedra poderá retornar ao seu atirador.

Volume 24 - Itamar Franco
Conciliador bem ao estilo da política exercida por outros políticos mineiros de grande fama. Sua descrição contribuiu, em muito, pra recuperar a economia.
Vale ressaltar um ponto com grau de relevância alta. às páginas 30 e 31, é citada a preocupação de Itamar com o seu sucessor, que seria eleito, em 1994, para dar continuidade ao Plano de Estabilização Econômica. Esse cenário tornou-se comum no país, após 1988, onde o administrador eleito, simplesmente destrói o produzido pelo administrador antecessor, comprometendo e destruindo a história. Em nível municipal, a situação é catastrófica, considerando que muitos dos administradores eleitos não são preparados para governar, não possuem opinião própria. Felizmente, a preocupação de Itamar só ficou na preocupação, diante do sucesso nos oito anos seguintes.

Volume 25 - Fernando Henrique Cardoso
Por orgulho ou por legislar em causa própria ou por ser simples e hábil negociador político, deu continuidade ao Programa de Estabilização Econômica, o popular Plano Real, iniciador no governo anterior.
O processo de  privatização das criou uma grande incógnita. Elas são empresas públicas? Ou privadas|||? Ou de economia mista? O serviço / trabalho realizado por elas deixam muito à desejar. Alguém entendeu o processo? Ou devemos chamar um tradutor?

Volume -  26 - Luiz Inácio Lula da Silva
Há uma expressão: - "Quem de longe vem, mente como quer." O resultado "positivo" da economia no período 2003 a 2010, para os nossos olhos, só foi possível através da 'farsa'. Ele provou na prática a lei de Gerson, levou vantagem para si. Se posicionando ora como vítima, ora como líder, ou como salvador da pátria. Porém, a sua equação política está saindo cara à nação.

Volume 27 - Dilma Rousseff
Há palavras, frases ou expressões por serem usadas em frequência, potencialmente, alta em um determinado espaço de tempo e, por pessoas que não vivenciaram, repetem-la sem ao menos entender os lados envolvidos. Durante seu segundo governo, as palavras: - ditadura, tortura, golpe foram usadas como revanche pessoal - dela própria e tanto outros. Se ela tem orgulho de seu passado, por outro ele a condena. As vítimas sobreviventes tem um passado a ser preservado.
A luz do distanciamento, pela análise compreendida na narrativa encontrada nas páginas 24 a 31, revela em como o povo foi manipulado por um grupo envolvido em destruir o bom nome da política - perdeu todo o sentido ser deputado e senador - após 2015 e as eleições de 2018. Eles não estão preocupados com o bem estar da população.
Ela não soube aplicar, a exemplo de Collor, na prática toda a teoria aprendida na faculdade de Economia.

Volume 28 - Michel Temer e Jair Bolsonaro
Temer - Abraça o barco à deriva. Tenta manter uma imagem de conservador, articulado com a demanda do país em colapso. Recupera um mínimo a economia.
A Operação Lava Jato segue qual caminho? É preciso questionar todas as delações? A lógica está indo ao fundo poço.
Bolsonaro - Pegou um país fragmentado. Apreciador da ordem. Possuidor de boas ideias. Porém a classe política, em colapso, pelas excessivas agremiações partidárias, não está   permitindo o bom desenvolvimento  do trabalho presidencial.
Na atual crise, mundial e nacional da pandemia, tem-se manifestado coerente na manutenção do futuro econômico brasileiro. Somos um país demasiado grande. Se há alguém para culpar pelo pânico instalado, talvez seja o presidente  da O|MS, que fez a solicitação de isolamento social, sem a preocupação do estrago na economia mundial.


27 de março de 2020

O Colecionador de Desejos

O Colecionador de Desejos
The wish collector. Mia Sheridan. Trad. Michelle Gimenes. São Paulo. Universo de Livros. 2020. 448 páginas.

Sinopse:
Pouco depois de se mudar para Nova Orleans em busca de alavancar sua carreira de bailarina, Clara Campbell se encontra mergulhada em solidão e incertezas, tendo na companhia de uma vizinha idosa seu único alívio para a melancolia que ameaça dominá-la todos os dias. E é durante uma visita a essa amiga que Clara toma conhecimento de uma antiga lenda sobre as bonitas e decrépitas estruturas da Fazenda Windisle, uma atração turística local.
Segundo a lenda, os espíritos apaixonados que tiveram o trágico desenrolar de sua história na propriedade ainda vagam pela mansão, mesmo depois de 150 anos do ocorrido. Obcecada com a lenda do “muro que chora”, Clara decide conhecer o local, tido como desabitado, mas descobre ali um morador solitário e alquebrado, Jonah Chamberlain.
Em um breve diálogo através do muro, ambos sentem a chama de uma conexão se acender imediatamente. Mas como Jonah conseguirá permitir a aproximação de Clara, a despeito de suas cicatrizes? Esta é uma história de tristeza e triunfo, de solidão e afeto, e que mostra que até mesmo os corações mais machucados podem dar uma segunda chance ao amor.

Ponderação:
"Não, de repente, tudo o que ele queria era se enfiar em um canto escuro da biblioteca e se perder em um livro."
A frase, acima, ilustra bem o sentimento de todo e qualquer amante da leitura. Depois de quatro meses, lendo livros sobre história e dramas de guerra e humanos, esse foi uma delícia. No cenário de Nova Orleans, rio Mississippi e suas lendas e um pé nos escritos de Mark Twain. Também, de certa forma uma espécie de metalinguagem à obra 'Fantasma da Ópera', 'A Bela e a Fera', joga luz ao 'O Lago do Cisne'. Mais, uma referência muito sutil à teoria de encontros e desencontros citada na obra de Brian Weiss. Leve toque ao lendário Robin Hood e Zorro.
À página 117, há quatro parágrafos mencionando um vídeo, o mesmo foi divulgado como festejo sobre a vitória de um julgamento, porém os jornalistas, editores e diretores dos noticiários não observaram a veracidade (verdade) do teor encontrado no vídeo. Aqui a autora faz uma crítica aos profissionais de comunicação.
Há um toque de irrealidade para o século XXI, no aspecto físico de Jonah, sendo que uma cirurgia plástica teria amenizado o horror de seu rosto, após o acidente. Porém, Clara intuiu bem, era o seu coração, o grande defeito dele ao se trancar atrás do muro da propriedade. O mundo possui inúmeros defeitos físicos, mas tornam-se invisíveis, quando o coração é puro e cheio de magia.  


20 de março de 2020

Minha Metade Silenciosa

Minha Metade Silenciosa
Stick. Andrew Smith. Trad. Rodrigo Seabra. Belo Horizonte. Editora Gutenberg. 2014. 303 páginas.

Sinopse:
Stark McClellan tem 14 anos. Por ser muito alto e magro, tem o apelido de Palito, mas sofre bullying mesmo porque é “deformado”, já que nasceu apenas com uma orelha. Seu irmão mais velho, Bosten, o defende em qualquer situação, porém ambos não conseguem se proteger de seus pais abusivos, que os castigam violentamente quase todos os dias. Ao enfrentar as dificuldades da adolescência estando em um lar hostil e sem afeto – com o agravante de se achar uma aberração –, o garoto tem na amizade e no apoio do irmão sua referência de amor, e é com ela que ambos sobrevivem.
Um dia, porém, um episódio faz azedar terrivelmente a relação entre Bosten e o pai. Para fugir de sua ira, o rapaz se vê obrigado a ir embora de casa, e desaparece no mundo. Palito precisa encontrá-lo, ou nunca se sentirá completo novamente. A busca se transforma em um ritual de passagem rumo ao amadurecimento, no qual ele conhece gente má, mas também pessoas boas. Com um texto emocionante, personagens tocantes e situações realistas, não há como não se identificar e se envolver com este poético livro.

Ponderação:
Já fazia um bom tempo que não exercitava a leitura dinâmica e na diagonal; aconteceu com esse livro. O primeiro capítulo até que deu para encarar normalmente. A partir do segundo, numa narrativa em primeira pessoa começou a emperrar com a voz da vitimologia e excessos de pensamentos explicativos.
A violência doméstica sempre existiu, porém será que a escola nada percebeu? A atitude de Palito deixa uma luz. Aos 13 anos não somos tão certinhos e de comportamento sempre perfeito. A exigência 'violenta' por perfeição não condiz nas regras impostas. As regras são boas, mas com uma explicação para sua existência e na harmonia à uma vida em sociedade.
As duras penas, os irmãos vão amadurecendo. No final é possível questionar: - A vida real imita a ficção ou a ficção imita a vida real?


 

27 de fevereiro de 2020

A República Brasileira - Jango a Figueiredo

Coleção Folha "A República Brasileira: 130 anos"
Eliane Lobato, Pietro Sant'Anna, Dirceu Franco Ferreira. São Paulo. Folha de São Paulo. 2019. (volumes 16 a 21) 348 páginas.

Sinopse / Ponderação:
Coleção diagramada em duas colunas imagens e ilustrações da época, permitindo uma leitura rápida. Com uma boa lupa é possível ler os textos de algumas imagens. Cada volume, a partir do segundo, está dividido em capítulos - Governo, Biografia, Para saber mais.

Volume 16 - João Goulart
O Governo Jango no nosso entender foi a polarização da teimosia, trazida de Jânio. Tipo: - Vou fazer assim, porque quero e ponto final.  Faltou capacidade e habilidade política. Jango teria competência se não estivesse envolvido com pessoas propensas a propagar discórdias.

Observação: 
Capítulo VI - Jango Goulart - o salto. Mostra-nos um lado analítico, controverso, saudoso do ex-presidente. Dar-nos uma versão um tanto diferenciada do político. [O Dia em que Getúlio matou Allende e outras novelas do poder. Flávio Tavares. Rio d e Janeiro. Record. 2004. 6ª edição]

Volume 17 - Castello Branco
Não sabemos ao certo, o que e como interpretar as informações do presente volume. Resta-nos uma infinidade de perguntas. Fatalmente, as respostas serão de teor ambíguo.

Volume 18 - Costa e Silva e  Junta Militar
Em um país continental como o nosso, queda uma possibilidade de conhecer todos os fatos acontecidos, simultaneamente, em Brasília. Consequentemente, atribuir a culpabilidade de todas as atrocidades ao ocupante do Alvorada.
- "O problema deste ato não é o senhor [Costa e Silva] nem os que com o senhor governam o país, mas sim o guarda da esquina." Palavras de Pedro Aleixo, vice, votando contra o AI-5. E, talvez, por essa manifestação, tenha sido impedido de substituir o Presidente, em 31/08/1969.

Volume 19 - Emílio Garrastazu Médici
As vezes, o aspecto centralizador numa administração, resulta em uma felicidade geral para o universo. Porquê algumas pessoas não admiram a disciplina? Foi isso que Médici tentou tentou a Nação ter: - Disciplina! Infelizmente, a ausência dela, está levando o país ao caos.

Voluma 20 - Ernesto Geisel
Embora se tenha vivenciado o período Geisel, de certa maneira, a situação na periferia era boa. Conseguia-se conviver com a insegurança. Ao contrário da atualidade, a situação é má e, nossa convivência com a segurança, tornou-se insegura.

Volume 21 - João Figueiredo
Foi com o Governo Figueiredo, o nosso vivenciar no mundo político nacional. Muito do que foi dito neste volume, apresenta-o como um mau conciliador. Talvez Thomas Skidmore seja mais significativo na descrição do presidente em "Figueiredo: o crepúsculo do governo militar" [in Brasil: de Castelo a Tancredo] por sua imparcialidade analítica.
Outro detalhe, acreditamos, da personalidade de Figueiredo, conciliador, mas sem o jogo de cintura do rito protocolar, bem definido por Carlos Átila: - "Ele [Figueiredo] não tinha aprendido algo que o político sagaz conhece: o povo não agradece por aquilo que o governante fez; só agradece por aquilo que ele vai fazer." E, mais - comparou o presidente com Temístocles, o líder grego que derrotou o exército persa na Antiguidade.
Bom exemplo de leitura, sobre os fatos de 1979 a 1985, está nas páginas 170 a 368, de No Planalto, com a Imprensa, volume 1, onde Said Farhat, Marco Antonio Kraemer, Alexandre Garcia e Carlos Átila dão seus testemunhos de um delicado momento da vida nacional, da convivência quase simultânea e diária com João Figueiredo, no cargo mais importante do país. Mas esquecido, injustamente, igual ao grego Temístocles.


Observação:
Considerando o fato de que no Brasil não há interesse em perpetuar a história e seus atos positivos, até mesmo, os negativos, pode-se observar um item, talvez não percebido naquele momento: - "Os Presidentes Militares do período 1964-1985, todos tinham ligação, direta ou indiretamente, com a Revolução de 1930 e o Movimento Tenentista de 1920." É só fazer uma leitura na biografia de cada um.


24 de fevereiro de 2020

Apenas um olhar

Apenas um olhar
Just One Look. Harlan Coben. Trad. Ricardo Quintana. São Paulo / Porto Alegre. Arqueiro /TAG. 2019. 425 páginas.  

Sinopse:
Quando Grace Lawson vai buscar um filme que mandou revelar, ela encontra, no meio das fotos de família, uma que não pertence ao rolo. É uma imagem de no mínimo vinte anos atrás, e, entre as cinco pessoas retratadas, está um homem que parece muito Jack, seu marido. Jack nega que seja ele, mas desaparece no dia seguinte, levando a fotografia. Agora, para salvar a família de um assassino violento e silencioso que não vai parar enquanto não conseguir a foto, Grace precisa confrontar as partes sombrias do próprio passado trágico.

Ponderação:
Ao terminar a leitura da cena do encontro entre Scott Duncan e Monte Scanlon, têm-se a ideia de ser um pacto judicial. Virando a página, temos "Três meses depois". Inicia-se com o pegar um envelope com cópias fotográficas, junto à elas, uma foto estranha ao conteúdo do tema encontrado nas demais fotos. Estranhos acontecimentos começam a ocorrer até a altura do capítulo 26. No seguinte, começa o fio invisível aparecer, ligando o encontro inicial da narrativa com o aparecimento da fotografia, com uma imagem com mais de 15 anos. E um grupo de rock.
No meio disto, o autor questiona os vários tipos de relacionamentos humanos. Em quem, realmente, devemos confiar? Nos abrir de corpo e alma? O Valor de uma amizade? Até que ponto devemos considerar nossas certezas? Ambições? Nosso passado? Em algum lugar dele tem um ponto incrivelmente negativo - um trauma. É nesse trauma que Grace precisa enxergar para salvar sua vida  presente e futura.
A descrição dos pensamentos da personagem, enquanto dirige sob a intimidação de Eric Wu, prova que quando estar-se em estado de tensão, o importante é salvar a própria pele. Wu por sua vez exerce um enorme perigo no mundo online.
Será que vale a pena revelar a verdade dos fatos. Quando essa verdade já foi enterrada?



23 de fevereiro de 2020

A República Brasileira - Jânio Quadros

Coleção Folha "A República Brasileira: 130 anos"
Eliane Lobato. São Paulo. Folha de São Paulo. 2019. (volume 15) 58 páginas.

Luz... Câmera... Jânio Quadros em ação: (O avesso da comunicação)
Nelson Valente. São Paulo. Panorama. 1998. 121 páginas.

A Campanha da Vassoura
Vandick L. da Nóbrega. Rio de Janeiro. Edição do Autor. 1960. 133 páginas.

O Governo Jânio  Quadros
Maria Victória de Mesquita Benevides. São Paulo. Brasiliense. 1981. 88 páginas. [Tudo é História nº 30]

De Vereador a Presidente da República. texto de Luiz Casadei Manechini in São Paulo na Tribuna: Primeira Legislatura (1948-1951) in História das Legislaturas Contemporâneas - Volume 1. Escola do Parlamento da CMSP. São Paulo. Imprensa Oficial. 2012.

Sinopse / Ponderação:
Ok! No Brasil há leis boas e más, mas parecem que as más prevalecem. Um decreto assinado pelo, então, presidente Jânio Quadros e, na opinião dele próprio - "Se aquele decreto houvesse sido respeitado e aplicado, São Paulo não teria perdido os rios Pinheiros e Tietê." - relato encontrado à página 99 do livro acima citado, de Valente.
No capítulo "Decreto Ecológico", Jânio já demonstrava sua e, talvez, do resto da população com o Meio Ambiente e às águas - [decreto 50.877, em 29 de julho de 1961]  - um dos primeiros atos normativos, em favor do Meio Ambiente, editados no mundo. Não colocado em prática pelos seus sucessores para não lhe darem crédito de seu pioneirismo. Seria bom, os ecologistas, de hoje, de plantão, darem uma pesquisada na história da preocupação da preservação do nosso Meio Ambiente. Talvez, estivéssemos dormindo demais neste quesito. "Quem destrói uma árvore, tirando-a do caminho, está e estará condenado ao sofrimento. Porque a árvore é, assim como os animais, filha de Deus."  
Quando Jânio assumiu a Presidência, tornando-se o primeiro Presidente a ser empossado na recém inaugurada Brasília, tínhamos dois anos e três meses de vida; participamos daquela eufórica posse sem saber seu real significado. Crescemos, ouvindo que Jânio era o "Homem dos sete meses". Que fazia incertas nas repartições públicas. Que cobrava atitudes. Que jogava laranja nas calças dos rapazes, onde a fruta parasse era para ser cortada, em sinal de desaprovação de uso  da moda. Havia comentário do famoso sanduíche de mortadela, real - (acredito que vovô tenha pego um;  vovô era janista ferrenho). Mamãe lembrou uma musiquinha envolvendo Jânio, Adhemar de Barros e Lucas Nogueira Garcez. Infelizmente, não será possível transcrever a letra por causa das regras atuais - que acham tudo inglorioso no nosso passado histórico/cultural/artístico. - Na verdade a letra é bem chula, mas havia malicia ou era pejorativa aos políticos. Simples sátira!
Já na faculdade, tomamos contato informativo com um senhor com gestos tresloucados, sempre mencionando o nome Eloá. No que foi nossa segunda formação acadêmica, tivemos um professor que fora secretário de imprensa de Jânio, enquanto Governador de São Paulo (1954-1958), que mencionou uma atitude própria do governador, em um dia de suas saídas de investigações nos setores públicos. Também contou-nos, até, então, agosto de 1985, ser o Governo do Estado de São Paulo, o único que não renunciou, pois a Assembleia Legislativa não autorizou.
Durante seu período na Prefeitura Paulistana, de 1986 a 1988,  as pessoas agiam, realmente, dentro dos parâmetros da honestidade e ética. Por medo ou respeito, todos sabiam que o Dr. Jânio podia aparecer de uma hora para outra, do nada, sem prévio aviso.
Seja lá, a razão da renuncia, Brasília não era compatível aos seus famosos bilhetinhos. Na história oficial desse homem, ainda, há centenas de lacunas. Sua maneira de fazer política única. Não há seguidor a sua altura.
A eleição de Jânio Quadros representou o colapso dos partidos políticos. Sendo eleito, ele desprezou a base política e políticos com seus partidos. Infelizmente, foi o que vivenciamos na eleição de 2018, um novo colapso dos partidos políticos. O mesmo poderá ocorrer neste ano de 2020, no âmbito municipal.
E com a crise política inaugurada por Jânio, 1961 tornou-se o ano dos cinco Presidentes.

Observação:
"Carta Renuncia" está incluída em "Discurso que Mudaram o Mundo" (volume 20 da Coleção Folha 'Livros que mudaram o mundo' de 2010)



25 de janeiro de 2020

A República Brasileira - Getúlio a JK

Coleção Folha "A República Brasileira: 130 anos
Lira Neto, Fábio Koifman, Pietro Sant'Anna. São Paulo. Folha de São Paulo. 2019. (volumes 12 a 14) 202 páginas.

Sinopse / Ponderação:
Coleção diagramada em duas colunas imagens e ilustrações da época, permitindo uma leitura rápida. Com uma boa lupa é possível ler os textos de algumas imagens. Cada volume, a partir do segundo, está dividido em capítulos - Governo, Biografia, Para saber mais.

Volume 12 - Getúlio Vargas e Eurico Dutra
"Pai dos pobres." "Mãe dos ricos." Já  tivemos a oportunidade de ler vários livros e artigos referente ao presidente Getúlio Vargas e seu legado em todos os sentidos da vida nacional.
De todos os presidentes, talvez esse tenha o que mais foi por nós estudado. Leva, também, uma carga emotivo/familiar; quizás Getúlio resistisse naquele 24 de agosto, haveria possibilidade de não estarmos escrevendo essas linhas.
Mas, por mais que leiamos a respeito do atentado da rua Tonelero, a Lacerda; surgiu uma nova indagação para um fato não bem explicado. O que estaria fazendo um jovem oficial da Aeronáutica, na escolta pessoal de Lacerda? Em 1954, o jornalista era só diretor do Jornal A Tribuna. Portanto não exercia nenhum cargo público pelo qual necessitasse de guarda oficial.
Faltou uma breve abordagem a respeito de José Linhares. E, no tocante,  ao presidente Dutra foi mero resumo do que sempre lhe fora atribuído.

Volume 13 - Café Filho
Assume um país destroçado. Governa no meio de duas eleições - uma legislativa e uma presidencial. Faz o jogo político de governar. Adoece em novembro de 1955. Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados, assume interinamente. Ambos foram impedidos de continuar o mandato. Assim, Nereu Ramos, assume.
Por fim, 1955 ficou conhecido como "o ano dos Três Presidentes".

Volume 14 - Juscelino Kubitschek
"Presidente Bossa Nova", "Pé de Valsa", um ser utópico. Quando olhamos sua fotografia oficial como Presidente, sentimos sua altivez. De sua luta constante de sair da  pobreza, ganhou  a História.  É lembrado como 'Grande Líder'. Colocou em ação, trazendo a proposta encontrada na Constituição de 1891, mencionado no volume referente a Floriano Peixoto (Volume 3); a Brasília realidade.
Seu 'Plano de Metas' tirou o país do enclave agro produtor para um país auto suficiente. E, sim, apesar das turbulências que vem enfrentando, hoje, somos, até, exportadores de produtos já industrializados. Tudo veio na decorrência liberal democrática de JK. Seu governo, dentro do que fora permitido, conciliou os desejos de todos os setores da sociedade.

Observação I
Não concordamos com o exposto às páginas 10-15 da Revista Apartes (nº 5, janeiro/fevereiro de 2014), onde há um erro na cronologia: "A trajetória de Juscelino Kubitschek."

Observação II
Jânio Quadros, em julho de 1983, deu um depoimento a Nelson Valente, quando esse pede-lhe sua opinião sobre alguns políticos que fizeram História no país. Um deles é Juscelino.
Jânio: "Era um homem sem fel. Conseguia viver rodeado de inimigos, sem sentir inimizade por ninguém. Era um milagre. Deus o tenha." (p.37 de Luz, Câmera - Jânio Quadros em ação: O avesso da comunicação. São Paulo, Panorama, 1998).
Talvez, Jânio tenha conseguido definir a figura de Juscelino, pois dentre todos os presidentes brasileiros, continua carismatico, querido, sempre lembrado por suas ações e atitudes.

Observação III
Juscelino conciliou bem a capacidade para a realização e a habilidade de convivência de gregos e troianos no mesmo discurso.

Observação IV
Seu discurso 'inaugural' inaugurando a cidade de Brasília, em 21 de abril de  1960, foi merecedor de ser considerado e incluído em "Discurso que Mudaram o Mundo" (vol. 20 da Coleção Folha 'Livros que mudaram o mundo' de 2010).

Observação V
Boa leitura é o pequeno trecho do diário de JK (entre 1973-1976) onde é  possível verificar a visão de mundo do ex-presidente. (Veja, 14 de maio de 1997, p. 108-118, nº 19, a. 30, ed. 1455; "O Grande Amor de Juscelino", matéria de capa).