29 de junho de 2024

Água Funda

Água Funda
Ruth Guimarães (1920 - 2014). São Paulo. Editora 34; TAG. 200 páginas.

Sinopse:
Entrelaçando diferentes tempos e personagens, inseridos no universo de uma comunidade rural na Serra da Mantiqueira, a autora construiu uma prosa ágil e fluida, permeada de ditos populares e causos marcados pela superstição e pelo fatalismo, que antecipa em certos aspectos o realismo mágico de Juan Rulfo e Gabriel García Márquez. É o caso das histórias de Sinhá Carolina, dona da Fazenda Nossa Senhora dos Olhos d’Água, e do casal Joca e Curiango, trabalhadores locais, num arco temporal que vai da época da escravidão até os anos 1930. Como afirma o narrador do livro: “A gente passa nesta vida como canoa em água funda. Passa. A água bole um pouco. E depois não fica mais nada”.

Ponderação:
Gostaríamos de conhecer, onde  e quando perdemos a capacidade de uma escrita simples e bem nossa, paulista e brasileira. Essa leitura trouxe lembranças da oralidade de nossa gente, de nossa infância.



29 de maio de 2024

Bem-vindos à Livraria Hyunam-Dong

Bem-vindos à Livraria Hyunam-Dong 
Hwang Bo-reum. Trad. direta do coreano por Jae hyung Woo. Rio de Janeiro. Intrínseca. 2023. 1ª ed. 272 páginas.

Sinopse:
Yeongju tem se sentido desmotivada. Sua vida se tornou uma sucessão de frustrações e ela sente um vazio eterno no peito. Cansada de viver assim, ela decide deixar tudo para trás e colocar em prática um antigo sonho: abrir uma livraria.
Desde a infância, Yeongju encontra conforto nos livros, e abrir uma livraria parece ser a solução ideal para os seus problemas. Mas começar um negócio nunca é fácil, e ela precisa aprender que ser uma amante dos livros não é o suficiente para tornar o seu sonho realidade.
Conforme vai entendendo como administrar uma livraria, Yeongju também descobre mais sobre si mesma e quem ela quer ser. Cercada por livros, ela encontra um novo significado para a vida à medida que a Livraria Hyunam-dong se transforma em um espaço convidativo para que almas feridas descansem, se curem e descubram o que realmente importa. E quando os clientes começam a se sentir confortáveis para compartilhar suas histórias, experiências, esperanças e emoções naquele espaço, Yeongju finalmente sente que encontrou o seu lugar.
Repleto de diálogos sinceros e profundos, Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong é uma história emocionante sobre os momentos decisivos da nossa vida e como os livros são capazes de curar feridas e mudar as pessoas.

Ponderação:
A história é envolvente. Dar a sensação de que estamos dentro da livraria, aquela primeira que, jamais, nos esquecemos.
Conforto estiloso trazido da atmosfera do lugar, confrontando a reflexão como as personagens apresentam e as mesmas refletem sobre as leituras. A questão de felicidade e sucesso para cultura coreana difere da ocidental, nas temáticas relacionadas ao trabalho, ao descanso, às prioridades, ao sentido, à vocação e à vida.
Duas interpretações de leituras mencionadas no decorrer da narrativa, uma relaciona ao fato de se conhecer livros sem os ter lidos; neste caso é o citado, "O Apanhador no campo de centeio", em  filme e outras conversas literárias, faz-nos pensar em ler, porém sempre fica para o depois. A outra é a visão que a personagem Zorba representa ser a 'liberdade', em "Vida e Proezas de Aléxis Zorbás" mais conhecido como "Zorba, o Grego".
Todas as personagens, cada uma se apresenta de forma singular, o que torna agradável a leitura.






1)  Vida e Proezas de Aléxis Zorbàs <> post de 18/04/2018.

27 de abril de 2024

A Noite vai te encontrar

A noite vai te encontrar
Night will find you. Julia Heaberlin. Trad. Davi Boaventura. Porto Alegre. TAG. 2023. 384 páginas.

Sinopse:
Vivvy Bouchet tinha apenas dez anos quando salvou a vida de um garoto ao fazer uma previsão impossível. Ela não quer relembrar isso. Uma cientista prodígio, ela só quer ser deixada em paz para observar o céu do deserto do Texas com seus telescópios em um dos lugares mais escuros da Terra.

Ponderação:
A forma desconexa no início da narrativa, fez todo sentido no seu final. O corre corre entre Vivvy e Jesse parece ser a corrida do  gato atrás do rato ou cão e gato. Seus polos se atraem. É bem  divertido, ainda mais, quando entra em ação um podcast sensacionalista com um passado nebuloso. Vê-se uma mistura de investigação policial, misticismo e ciência na tentativa de revelar a verdade a respeito de um arquivado caso de desaparecimento. 



30 de março de 2024

Ela se chama Rodolfo

Ela se chama Rodolfo
Julia Dantas. São Paulo. Dba Editora. 2023. 263 páginas.

Sinopse:
Murilo acaba de se mudar para um apartamento no qual a antiga moradora, Francesca, deixou uma tartaruga. Seguindo ordens recebidas por e-mail, tenta entregar o animal por meia Porto Alegre. A peregrinação parece inocente, mas a escritora Julia Dantas sabe que não há nada mais radical e transformador do que o encontro entre pessoas, quando minimamente desarmadas.

Ponderação:
O bom do livro encontra-se na agilidade da leitura, onde o capítulo mais curto é um paragrafo  e o mais longo não passa de cinco páginas.  As peregrinações de Murilo poderiam ser evitadas, se ele  ao encontrar a tartaruga de nome Rodolfo, a levasse ao Centro de Zoonose da cidade. Assim, Murilo, um ser conformista com a vida que leva, não ficaria tão incomodado com as atitudes alheias. Ao menos, ele aprendeu a não ir atrás de portas fechadas. Mesmo assim, a estória reflete o que somos através do afeto, traumas e nossa identidade.

Esse trecho/diálogo é um bonito significado sobre saudade. E o melhor no livro.  
[...]
- A alegria, que cor tem?
Ela abre os olhos, acordada pela pergunta. Fica séria.
- Verde. A alegria é verde.
- E a felicidade?
- Azul.
- Tristeza?
- É branca.
- O medo?
- Um cinza sem fim.
- E a saudade?
Francesca sorri de novo.
- A saudade é quente. A saudade abraça, acarinha, sussurra, canta baixinho e  nos coloca pra dormir.
- Como o amor?
- Saudade é um dos nomes do amor.
- Tu acha que o amor tem muitos nomes?
- Alguns. O meu  preferido é atenção. 
[...]



13 de fevereiro de 2024

Fevereiro em chamas

Fevereiro em Chamas
Adriano Dolph. São Paulo. RC Editores. 2022. 278 páginas.

Sinopse:
Os incêndios dos edifícios Andraus (1972), Joelma (1974) e Grande Avenida (1981) são o tema do livro “Fevereiro em Chamas”. O autor é o jornalista Adriano Dolph, repórter que atuou na TV Gazeta por mais de 20 anos, que desenvolveu a produção da obra durante 15 anos. “Foi um trabalho jornalístico fruto de uma intensa pesquisa, após a revisão de quase dez mil páginas de documentos de fóruns, jornais e até arquivos da Ditadura Militar, mais de 2 mil fotos foram consultadas, e quarenta entrevistas realizadas. Foram diversas informações para checar, analisar e que contribuíram para revelações e informações inéditas”, afirma o escritor. O prefácio foi escrito pela jornalista e pesquisadora Cilene Victor, doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo e referência na área de comunicação de riscos de desastres e jornalismo científico e ambiental. “Quando recebi o convite do jornalista Adriano Dolph para escrever este prefácio, já sabia que teria em mãos uma obra de fôlego, resultado de um trabalho incansável de pesquisa e apuração.” Segundo Dolph, muitas informações passaram por uma detalhada análise e investigação. “Quando iniciei a pesquisa, encontrei muitas informações e dados confusos, que geraram uma série de distorções na imprensa, e até lendas urbanas. A ideia é restabelecer uma conexão entre os dados disponíveis e a informação correta, de qualidade. E os documentos analisados foram fundamentais.”

Ponderação:
Volta e meia, temos notícias de algum incêndio de grandes proporções, com ou sem vítimas fatais. Bem, a verdade, neste caso, sempre teremos vitimas fatais, em virtude da destruição física, psicológica e histórica do acontecimento, na maioria das vezes, motivado por mãos 'invisíveis' humanas.
A leitura deste livro reflete a busca de outro, resultado de uma conversa com uma colega de trabalho, a respeito do Edifício Joelma, localizado na proximidade da Praça das Bandeiras, aqui no centro da cidade de São Paulo
Todos os três edifícios sinistrados, sobreviveram e continuam de pé. Após longa reforma e, em constante, fiscalização. O mais triste é o Joelma. A vida, alí, parece não renascer.
O autor realizou uma densa pesquisa, focalizando o trabalho da mídia, rádio e televisão, mais a imprensa escrita, o trabalho obstinados dos homens do Corpo de Bombeiros, que, então, não tinham recursos físicos e materiais para impedir a propagação do sinistro. Até, hoje, trabalham mais com a coragem do que propriamente o dever de salvar vidas.


26 de janeiro de 2024

Aviso 25

                                                          Querido leitor, querida leitora!


Labas Rytas! Good Morning! ¡Buenos Días! Bom Dia!


2023, continuou sendo mais um ano de desestabilização emocional no processo de leitura, pelo nosso envolvimento em obras de cunho político e, não nos motivou a realização de resenhas. O momento pelo qual estamos vivenciando não é propício nas abordagens do chamado 'politicamente' correto ou incorreto. E, aliado, a pequenos problemas em nossa saúde. Mais, confronto tecnológicos, no aspecto de conexão com a vida online. Assim sendo, continuamos, com várias obras, parcialmente, lidas. Totalizamos 29 livros lidos com 7.827 páginas. Não contabilizados os digitais...

Até...



28 de outubro de 2023

O Diário de um Livreiro

O Diário de um Livreiro
The diary of a bookseller. Shaun Bythell. Trad. Patrícia N. Rasmussen. Jandira. Principis. 2023. 352 páginas

Sinopse:
Quando Shaun Bythell pensou em comprar a The Bookshop, parecia uma ótima ideia. Afinal tratava-se da maior loja de livros segunda mão da Escócia, com mais de cem mil exemplares em estoque, instalada numa gloriosa casa de estilo georgiano com corredores tortuosos e lareiras crepitantes, situada em uma pequena e bela vila à beira-mar. Tudo perfeito, o verdadeiro o paraíso dos amantes de livros...  Até que Bythell realmente comprou a loja. Neste livro irônico e hilário, Shaun fornece uma visão interna das provações e tribulações da vida de um dono de livraria. Uma obra perfeita para os amantes de leitura!

Ponderação:
Estamos com uma dúvida! Até qual ponto uma obra escrita no idioma inglês poderá ser classificada como "Literatura americana"? Temos o hábito de ler a página de crédito e lá, no catálogo sistemático, encontramos a classificação para o presente livro como sendo de origem americana, quando na realidade deveria constar como 'Literatura escocesa' ou 'Literatura britânica'. Essa é uma questão bastante complexa.
Numa narrativa típica de um diário, temos as aventuras e desventuras do dono de uma livraria de venda de livros usados (o popular 'sebo'). Aqui, apresenta-nos o seu relacionamento com os mais improváveis clientes, seus funcionários e a cidade, onde está localizada a livraria. 
Cada início de mês (capítulo) apresenta um trecho alusivo a 'Bookshop Memories', um ensaio de George Orwell, publicado em 1936, analisando o contexto do autor de '1984' com a realidade do século XXI e a competividade com o mundo digital e online. E os grandes  concorrentes 'Amazon e eBay'.
Nicky é uma figura e a sua sexta-feira gastronômica é uma sessão de tortura ao paladar do mais exigente.
Como sempre, saímos, após a leitura  de livros temáticos, falando do universo de outras obras, com a indicação de mais livros para ler futuramente...