12 de novembro de 2020

Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários

Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários
Crazy in Love at the Lonely Hearts Bookshop. Annie Darling. Trad. Cecília Camargo Bartalotti. Campinas. Verus. 2020. 320 páginas.

Sinopse:
Novo romance da série A Livraria dos Corações Solitários, sobre a vida dos funcionários da livraria que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam.
Cheia de tatuagens e com o cabelo cor-de-rosa, a dublê de pinup Nina adora bad boys — quanto mais cara de mau, melhor. Apesar dos receios de seus amigos, ela acredita firmemente que o amor verdadeiro só tem uma forma: selvagem, intenso e pontuado por brigas tempestuosas — como na história de Heathcliff e Cathy, o casal angustiado de O Morro dos Ventos Uivantes. E ela não vai se contentar com nada menos que isso. Mas anos de encontros marcados por aplicativo não trouxeram nada além de caras esquisitos e paqueras banais, e Nina não está nem um pouco mais perto de encontrar o amor.
Quando um homem de seu passado entra na livraria, Nina sabe que não tem nada a temer: o garoto mais nerd da escola se tornou um analista de negócios tedioso que combina o terno com a gravata, sem chance de fazer seu coração bater mais rápido. O que só mostra quão pouco Nina sabe sobre bad boys, analistas de negócios e o próprio coração..
Este é mais um romance delicioso da série A Livraria dos Corações Solitários*, sobre a vida dos funcionários da livraria, um “alegre bando de desajustados”, que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam.

Ponderação:
Parece-nos que Mark Twain estava equivocado, quando cunhou a frase - "Um clássico é algo que todos querem ter lido, mas ninguém ler." - Pois bem, já temos mais um exemplo na ficção da obsessão pelo clássico "O Morro dos ventos uivantes"** de Emily Brontë. Agora, a vez de Nina O'Kelly ficar caidíssima por Noah, um, 'pasme', ex-colega de escola, aquele eterno sofredor de preconceito, que deu a volta por cima, transformando-se num bem sucedido analista de negócios. Eles estão, em continuação, acompanhados por Tom, Verity, Posy e Sebastian. Mais um "Saber de livros sem ler",




* A Pequena Livraria dos Corações Solitários, em 28-01-2018
   Amor Verdadeiro na Livraria dos Corações Solitários, em 30-04-2018
** O céu está em todo Lugar, em 23-11-2013


8 de novembro de 2020

Querido Edward

Querido Edward
Dear Edward. Ann Napolitano. Trad. Lígia Azevedo. São Paulo. Paralela. 2020. 304 páginas.

Sinopse:
Numa manhã de verão, Edward Adler, os pais e o irmão mais velho embarcam em um voo de Nova York, a Los Angeles, junto com outros 183 passageiros. Entre eles há um prodígio de Wall Street, um veterano ferido voltando do Afeganistão e uma mulher de espírito livre fugindo de um marido controlador. Algumas horas depois, no entanto, essas histórias são interrompidas bruscamente pela queda do avião. Todas, menos uma: Edward foi o único que sobreviveu.

Ponderação:
12/06/2013
7h45 – Aeroporto. Embarque e os problemas de cada um. “Os civis se comportam de um jeito meio caótico que o irrita.” “Todos estão conscientes, enquanto o avião deixa o solo.”
9h05 – Voo sob New York. Conhecendo o pessoal: Flórida; Linda; Benjamim; Mark Lassio; Verônica; Crispin Cox; Susan; Jane, Jordan e Edward Adler; Lacey e John Curtis; Lolly.
10h02 – Voo. Logística, sintonia, dramas pessoais. “A matemática era a piscina mais profunda à vista” – e ele entrou de cabeça nela.
10h17 – Voo.
11h16 – Voo. Pavor na chuva. Em alguns momentos da narrativa, a relação humana entre as personagens, principalmente, entre os irmãos, lembra “O céu está em todo lugar” (The Sky is everywhere) de Jandy Nelson. 
11h42 – Voo.
12h22 – Voo.
12h44 – Voo.
13h40 – Voo.
14h04 – Voo. Turbulência.
14h07 – Voo. Tensão na cabine de comando.
14h08; 14h09; 14h10; 14h11; 14h12...

12/06/2013
Noite. Horas depois do acidente.

13/06/2013
17h – Atualização para imprensa e familiares. Um ‘único’ sobrevivente. Hospitalização. Conversas em luto. Virar ‘herói’ da noite ao dia. Conflito de emoções – externas e internas. Viver a partir disso.

Julho de 2013
A insensibilidade se extinguiu. A dúvida persiste. Dever ou escolha? Obrigação legal ou Obrigação amorosa? O que pensar?
Abordagem literária com relação à realidade: - Harry Porte X Edward – Sobrevivência.

05/09/2013
Início de um novo ciclo. Ou o recomeço depois da tragédia.
Esse capítulo traz uma boa, importante, reflexão: - depois de qualquer catástrofe, trauma, perda, o que fica se torna mais importante do que aquele ou aquilo considerado importante.

Janeiro de 2014
Seis meses. Audiência e outros acontecimentos teimam em fazer não esquecer. Conseguiu, em parte, deixar de se angustiar.
Outra reflexão: - “Para que serve um monumento, no caso, o local do acidente? Para amigos e familiares perpetuarem a do luto? E, depois, de não mais existem familiares e amigos?

Junho de 2015
A normalidade para o mundo, não ao sobrevivente, que continua perturbado, por ter pertencido a uma lógica familiar desequilibrada.

Dezembro de 2015
Sobrevivente. Desconexão do mundo. Segredos jurídicos. Segredos. A árvore do lado de fora do consultório, representa mutação? Transformação? Segurança? Raiz? Insônia e sonambulismo incidental poderão encontrar respostas? Preconceito em relação ao sobrevivente? Por que da inveja? Se o mundo interno está destruído.

Janeiro de 2016
Lacey diz: “Fiquei pensando que a aposentadoria é um pouco como quando alguém que a gente ama morre. Faz você pensar em como quer levar a vida.”
Tesouro descoberto. Já distingui a recuperação das emoções e não.
Desenterrando o tesouro, faz com que os fios sejam conectados ou reconectados. Realça a falta de diálogos entre tios e sobrinho em meio a tragédia. Deixando-os se levar por opiniões profissionais, esquecendo seus próprios autoconhecimentos. O desejo de outros que ele não pode e nem deve seguir.

Março de 2015
A investigação aos questionamentos encontrado dentro do tesouro, começa e termina numa boa e sólida conversa.

Abril de 2016
A retomada da consciência de si próprio.

Maio de 2016
Rumando à normalidade.

Julho de 2016
A vida caminha para encontra o rumo certo, adequados aos desejos e sonhos que precisam ser realizados no limite de cada.

Dezembro de 2016
Aprender a conviver com o fato pelo resto de sua existência.

Junho de 2019
Seis anos depois. Edward e Shay são sobreviventes de diferentes tragédias, um ajudou o outro sem perceber.


4 de novembro de 2020

Quarto de Despejo

Quarto de Despejo - Diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus (1914 - 1977). São Paulo. Ática. 10ª ed. 2014. 200 páginas. Ilustração de Vinicius R. Felipe. Prefácio de Audálio Dantas (1918 - 2018)

Sinopse:
Do diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus surgiu este autêntico exemplo de literatura-verdade, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. Com uma linguagem simples, mas contundente e original, a autora comove o leitor pelo realismo e pela sensibilidade na maneira de contar o que viu, viveu e sentiu durante os anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com seus três filhos.
Ao ler este relato-verdadeiro best-seller no Brasil e no exterior- você vai acompanhar o duro dia a dia de quem não tem amanhã. E vai perceber que, mesmo tendo sido escrito na década de 1950, este livro jamais perdeu sua atualidade.

Ponderação:
Há muito, desejávamos realizar a leitura desse livro. Em parte pelo fato de ter sido descoberto - os originais - por Audálio Dantas. Somente, neste ano, foi possível. Não iremos alçar comentários, já tem o suficiente para o teor sociológico presente na obra.Vamos apenas, mencionar a questão política eleitoral. Ela não alterou em nada - em campanha eleitoral - os senhores e senhoras políticos se transformam em 'amigos guardiões e salvadores' dos pobres. Porém, passadas as eleições, voltam ao pedestal de chumbo.


25 de outubro de 2020

Afirma Pereira

Afirma Pereira
Sostiene Pereira. Antonio Tabucchi (1943 - 2012). Trad. Roberta Barni. São Paulo. Estação Liberdade. 2020. 160 páginas.

Sinopse:
Lisboa, agosto de 1938.
Um momento trágico da história da Europa: crescem o salazarismo português e o fascismo italiano; a Espanha era cenário de uma violenta guerra civil. Um relato preciso que evoca momentos cruciais da vida de um protagonista que se dedica a não ser herói de nada.
Pereira, jornalista apagado responsável pela página cultural de uma reduzida gazeta vespertina, protagoniza solidão, sonhos, a consciência de viver e de optar, ou talvez de não optar. Tão humano, se afirma Pereira sempre às margens do precipício.

Ponderação:
Ao iniciar a leitura deste, veio a nossa memória um pequeno comentário lido em um livro, do jornalista depoente, mencionando a Revolução dos Cravos e indo a Portugal fazer a cobertura jornalística para o jornal em que trabalhava. O jornalista deu-se conta de não conhecer a história de Portugal; nós só conhecemos até o momento de nossa Independência. Esse fato, na época da publicação do livro, não sabemos, hoje, como é ensinado a história. Portugal ficou esquecido. Acreditamos que ainda permanece no esquecimento.
Voltando para 1938: - "... esta cidade fede a morte, a Europa toda fede a morte." Salazar em Portugal; Franco na Espanha; Mussolini na Itália; Hitler na Alemanha; Lenin na Rússia; Getúlio no Brasil (sem sonho de guerra). Um paiol completo. A obsessão de Pereira pela ressurreição da carne. Morte e  vida no afirma. Configura um retrato da vida interna do ser humano, homem ou mulher, dentro de um preciso momento da História.
Pereira expõe suas experiências. Um ser profundamente solitário. Diria: - alienado, porém profundamente atento ao mundo a sua volta. Se para Pereira, não era possível expressar livremente a própria opinião, naquele 1938. Hoje, 2020, terceira década do século XXI, ele seria crucificado a cada minuto no nosso liberalismo democrático, onde cada  um se sente ofendido até por um 'aí'.
O Capítulo 20 constitui ser bastante interessante: - Doutor Cardoso e Pereira - preparar o 'luto', como é difícil repaginar a nossa vida para continuar vivendo. Há necessidade de sermos um pouco museu. Já o de número 25, fez-me lembrar de algumas anedotas que eram preparadas aos censores na década de 1970, para os mesmos aprovarem notícias serem publicadas ou permitir algum evento cultural ao público em geral.


23 de outubro de 2020

Cada Suspiro

Cada Suspiro
Every Breath. Nicholas Sparks. Trad. Ana Duque. Barcelona. Roca Editorial. 2019. 238 páginas.

Sinopse:
Hope Anderson se encuentra en la encrucijada de su vida. A sus treinta y seis años mantiene una relación amorosa con un cirujano que dura ya casi seis años. Sin planes de boda a la vista, a su padre le han diagnosticado ELA, por lo que Hope decide pasar una semana en Sunset Beach, Carolina del Norte, donde además de organizar la venta de la casa familiar, tendrá que tomar las decisiones más importantes sobre el futuro de su vida.
Tru Walls nunca había visitado Carolina del Norte, hasta que recibe una carta firmada por un hombre que afirma ser su padre, un guía de safaris nacido y criado en Zimbabwe, que le cita en Sunset Beach. True espera poder resolver algunos de los misterios alrededor de la vida de su madre y recuperar los recuerdos perdidos con su muerte. Cuando los dos desconocidos se cruzan, la conexión que nace entre ellos es muy poderosa. 

Ponderação:
Necesito hacer una cuenta! No sé el numero correcto de novelas de Sparks yo ya he leído. A mi me parece que son diez! Y cada una hay un desarrollo interesante, que haz la diferencia. Pero soy solamente lectora.
No Brasil, essa história recebeu o título de "Alma Gêmea", já em Portugal é "Cada Suspiro Teu". Hope viveu um casamento infeliz, pois já tinha conhecimento de que o mesmo seria um fracasso, mas ela queria ser 'mãe' e depois avó - que não terá o luxo  de ver seus netos. Só há felicidade se a mulher gerar filhos? Essa é a única forma de ser feliz?
Uma bela história de amor moderno, com doses de humor, tristeza, lágrimas e alegria bem equilibradas. Bem, como dizem por aí: - "Sempre há um chinelo velho para um pé cansado." Para ambos viverem a plenitude de seu amor, escolheram vias erradas de tristezas. O amor é algo mais y mucho más allá...


22 de outubro de 2020

A outra metade de Sarah

A outra metade de Sarah
Left Neglected. Lisa Genova. Trad. Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro.  Harper Collins. 2019. 400 páginas.

Sinopse:
Como mãe de três filhos e vice-presidente do departamento de recursos humanos de uma grande empresa, Sarah Nickerson faz o melhor que pode para equilibrar a vida pessoal com a profissional. No entanto, sua rotina acelerada encontra um fim repentino quando ela se distrai no telefone a caminho do trabalho. Em um piscar de olhos, um dano cerebral rouba dela a percepção do lado esquerdo do mundo. Sarah, então, precisa reaprender a ver seu mundo como um todo. E, ao fazer isso, descobre como dar atenção às pessoas e às partes da vida que são realmente valiosas.

Ponderação:
"... "a  chuva se torna a mão de Deus tamborilando sobre a capota, decidindo o que fazer." ..."
Sarah é uma personagem irritante. De todas que já conheci em meu mundo da leitura, neste quesito, ela é a campeã e rainha absoluta. Vive num ritmo de 1.500 watts, nem mesmo, quando entra em curto, continua no lenga-lenga da retomada. É ótima para dirigir as metas dos demais, não percebendo o stress que produz no próprio filho nos primeiros seis capítulos. Depois, em estado crítico num ambiente hospitalar continua irritante, egoísta e mal educada. A partir do capítulo 23, abandona o lema "o objetivo não é melhorar. O objetivo é vencer." e incorpora o de "o objetivo é melhorar e  viver." Ela começa se auto aceitar e se humaniza em relação aos demais.
A autora deveria ter tratado melhor a questão neurológica da Negligência Esquerda ou Direita, não focando o lado do humor na recuperação, deixando irritante.
A lição da leitura é o fato, extremamente, perigoso do uso do celular, enquanto estamos na direção de um carro, automóvel, coche, car, voiture, automobilis.


21 de outubro de 2020

O velho e o mar

A capa em 'espanhol' é mera ilustração.

O velho e o mar
The old man and the sea. Ernest Hemingway (1899 - 1961). Trad. Fernando de Castro Ferro. São Paulo. Círculo  do Livro. 1980. 120 páginas.

Sinopse:
Essa é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Esse é o fio do enredo - fio tenso como o que prende na ponta da linha o grande peixe que acaba de ser pescado - com o qual Hemingway arma uma das mais belas obras da literatura contemporânea.
Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salao, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, será bem- sucedido no seu trabalho.

Ponderação:
O que torna "clássico" uma obra e seu autor? -Um clássico é aquele, onde todos desejam ler, mas não leem! Então! Porquê atribuir esse nível de conceituação a uma obra pequena com uma linguagem um tanto jornalística?
Há exatos - trinta e cinco anos - um professor mencionou "O velho e o mar" ser um bom exemplo de perfil. Hoje, aproveitando essa longa folga, estamos nos  questionando: - Perfil de que e quem? De Santiago? De Manolín? Do oceano? Do Peixe? Dos tubarões? Ou o conjunto de vivências?
Mencionamos na legenda da foto, que a edição em espanhol é só ilustrativa, porém devemos incluir, uma breve citação: - A leitura realizada no segundo idioma, deixo-nos a sensação de termos lido duas histórias diferentes. Só não foi pelos personagens e a obsessão por Di Maggio*. 


* Joseph Paul "Joe" DiMaggio (1914 - 1999) Jogador de Beisebol norte-americano. Aposentou-se em 1951.  Em 1969, por sua conduta impecável, recebeu o prêmio dos profissionais do beisebol e foi eleito o maior esportista vivo. Outro fato que o tornou famoso, foi o seu curto casamento com a atriz Marilyn Monroe, em 1954.