24 de junho de 2019

Etty Fraser

Etty Fraser: Virada pra Lua
Vilmar Ledesma. São Paulo. Imprensa Oficial/Cultura. 2004. 232 páginas no formato digital. {Coleção Aplauso}

Sinopse:
Parece uma pessoa da nossa família. Uma tia ou parente sempre alegre, simpática, sorridente, às vezes com uma gargalhada irresistível. Mas Etty Fraser é também uma grande atriz. São 45 anos de carreira. De "A Incubadeira" (1959) à "A Importância de ser Fiel" (2002), ela participou de 25 peças. Muitas marcaram época, como " Os Pequenos Burgueses" e "O Rei da Vela", do Grupo Oficina, do qual foi uma das fundadoras, ao lado de Zé Celso Martinez Corrêa e Renato Borghi.
Na televisão, desde o final dos anos 60, participou de várias novelas da TV Tupi ("Nino, o Italianinho", "Simplesmente Maria", "O Machão", "Vitória Bonelli") e apresentou, por oito anos, um popular programa de culinária ("Boca do Forno", que depois virou "À Moda da Casa"). Na Globo, estreou com "Torre de Babel" (1998) e esteve, recentemente, na minissérie "Um só Coração". No cinema, participou de mais de 10 filmes, mas nenhum a entusiasmou tanto quanto "Durval Discos", que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Recife.
Esta também é uma história de amor. Foi nos ensaios de "A Vida Impressa em Dólar" que começou a namorar o colega Chico Martins e casou, no começo de 1962. Etty e Chico viveram juntos por 41 anos e "nunca fomos dormir brigados, tristes um com o outro".

Ponderação:
Conhecer um pouco da vivência de pessoas que viveram uma História, talvez o termo correto seria, partilharam de um momento histórico, que só temos os ditos nos livros didáticos e de alguns historiadores. De repente, o trabalho de grande lutadores culturais é interrompido, mas fica o legado graças o desenvolvimento tecnológico, podemos ver e rever, ler e reler a atuação de cada um desses lutadores expandindo os valores do produto de sua arte. 
Essa postagem, não era para ser da forma apresentada, mas há muita tristeza no ar. Quando essa Coleção foi lançada, disse a mim mesma que leria todos os seus volumes, e formaria meu próprio livro/ensaio sobre a história cultural do teatro, cinema e música do país. Porém, os eventos cotidianos da vida, afastaram tal pretensão. Decididamente, encontrei o meu desejado com o avanço da vida digital e todo o processo de digitalização de documentos, vindo a luz de quem, realmente, quer conhecimento e sabedoria.
A vida continua, novos tropeços e novas notícias não tão felizes, preferir dizer impactantes. A atriz Etty Fraser faleceu em 31/12/2018, aos 84 anos. E Rubens Ewald Filho, após sofrer uma queda, enquanto utilizava uma escada rolante, também coordenador geral da Coleção Aplauso  vem a falecer no dia 19/06/2019, Dia Nacional do Cinema. 



23 de junho de 2019

Deserto

Deserto
Luis S. Krausz. São Paulo. Benvirá. 2013. Formato digital.

Sinopse:
Na década de 1970, um grupo de adolescentes brasileiros vai a Israel para ajudar na colheita de frutas cítricas e aprender a história do país. Eles dispõem de alguns dias de folga, mas estão proibidos de viajar à Europa, onde um judeu ingênuo poderia ceder às tentações burguesas e se desviar do caminho do sionismo. Um deles transgride a interdição e viaja a Londres. Com esse enredo Luis Krausz tece a fascinante história de famílias de judeus russos e do Império Austro-Húngaro, dispersas após a Primeira Guerra e início do nazismo. Nas suas andanças, o jovem parece reatar os laços entre parentes de Israel, Inglaterra e Brasil. Mas ele sabe que o tempo, a distância e o esquecimento desfizeram esses laços para sempre. O fascínio do narrador pela cultura austríaco-alemã não o impede de referir o Holocausto, num contraponto sombrio às suas exaltações da Europa Central. Não é possível esquecer que os homens dessa Europa admirável, que produziram a filosofia e a arte mais sublime também enlouqueceram e retornaram à barbárie, levando o mundo à destruição e ao horror. Lemos Deserto desejando que o livro não termine.

Ponderação:
A memória coletiva acaba fornecendo elementos sólidos para a identidade de um cidadão e, até, um povo. No caso, a comunidade judaica conhece e pratica a lembrança do passado por maneira oral e, muitas das vezes, a literária, permitindo um elo de fidelidade cultural. Infelizmente, a partir de uma segunda geração, daqueles que foram desposados do caminho com os acontecimentos pós as duas Grandes Guerras e as Revoluções Ideológicas ocorridas na primeira metade do século XX, estão perdendo suas raízes. Essa segunda geração e as posteriores foram obrigadas a esconder suas origens, consequentemente, quando tiveram oportunidades de aprender algo sobre os antepassados, já era e é tarde. Por motivos alheios foi impedido o conceito gradual de tradição cultural de cada família dentro de comunidade ao longo do tempo. Não é só a judaica que sofre as consequências, mas outras etnias, também, sofrem...



21 de junho de 2019

Coisas não ditas

Coisas Não Ditas
Livia Brazil. São Paulo. Benvirá. 2013. Formato digital.

Sinopse:
- Lucie, namora comigo?
Namorar? Namorar de verdade? Dividir a vida? Contar todos os segredos? Fazer mil concessões?
Não, Lucie não estava preparada; aliás, isso nem passava pela sua cabeça. Ela só não contava ficar tão perturbada com a pergunta. Mas não, definitivamente não, assumir a paixão por Rafael para todo mundo era algo impensável.
Sem saber lidar com a situação e às vésperas de estrear no musical dos seus sonhos. Lucie vê sua vida virar de pernas para o ar. E o turbilhão de ansiedade acaba trazendo à tona um segredo que ela guarda desde a infância.

Ponderação:
A narrativa feita em primeira pessoa é chata e forçada. Protagonista possui atitudes infantis e muita mimada faz com que perdemos a paciência na leitura. Há momentos humorísticos, outros irritantes. Não é emocionante dizer do medo de comprometimento com um relacionamento sério, calcado no carinho, amizade e amor.  Faltou uma boa construção dos personagens que dão sustentação aos dois personagens principais.



20 de junho de 2019

A Casa Iluminada

A Casa Iluminada
Alessandro Thomé. São Paulo. Benvirá. 2012. Formato digital.

Sinopse:
Uma mulher assassinada e violentada - nessa ordem. Um marido em desespero.
A fuga para o mar. Cartas trocadas com o criminoso. Um destino em suspense, terrível e ao mesmo tempo esclarecedor.

Ponderação:
Uma vida destruída ou duas vidas destruídas pela violência. Não pode-se saber no início da narrativa, que é envolvente. No decorrer dela o protagonista envolve-se numa teia de ações, onde acredita estar vingando aquele que lhe tirou a paz. Numa sequência de atitudes, acaba por autodestruir-se. O produto de sua pseudo vingança favoreceu o criminoso.



26 de maio de 2019

Loney

Loney
The Loney. Andrew Michael Hurley. Trad. Renato Marques de Oliveira. Rio de Janeiro. Intrínseca  2016. 304 páginas.

Sinopse:
Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar.
À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera pouco tempo antes. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem. 
O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço.
Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês.

Ponderação:
Loney é uma localidade sinistra por conta do clima e sua natureza geográfica. Lá está a propriedade de um taxidermista e de seus hostis habitantes. São ingredientes para um romance que não chega a ser tão impressionante sobre a fé (beirando ao histerismo), o fantástico, rituais estranhos e as complexas excentricidades da experiência humana. 
Portanto, um drama que fala bastante sobre religião e sua sombra na vida das pessoas. Esther, a mãe dos meninos é uma fervora religiosa de fachada, ela tira toda a sua força e princípios da palavra de Deus. Ela acredita que  o seu Deus curará seu filho, que é só uma questão de momento certo e, através, do sacrifício certo.
Padre Bernard é um santo por aturar Esther lhe dizendo o que fazer no mesmo moldes que fazia padre Wilfred, na tentativa de manter o esquema de sempre. Ele cede com toda a compostura, tentando sempre agradar a todos, mesmo que seu método lhe pareça melhor. Esther não se comporta, realmente, como uma mãe que procura a cura de seu filho. Ela sente vergonha pelo fato.
Smith é um personagem legal. Ele é esperto, um coroinha porque a mãe desejava, mas fiel ao seu dever. Ele sabe que precisa, uma obrigação, olhar pelo o irmão, Hanny. Apelidado por padre Bernard, Tonto é curioso e cauteloso. Duas habilidades que não combinam, mas que funcionam bem juntas. Ele ouve o que não deve, às vezes, mas não é pego. Ele protege o irmão e amigos, lidando com as consequências, posteriormente. Mantém segredos e tenta ser  o mais justo possível.
No capítulo 27, encontramos as reflexões de um idoso sacerdote, padre Wilfred, sobre os ensinamentos religiosos presente no Evangelho e a existência de Deus e  sua fé nele. Se Deus, realmente, existe, porque permite a morte, o desamor nos homens. Esse capítulo é bom ponto para avaliar o sentimento da existência da fé.



Todo Mundo vê Formigas

Todo mundo vê formigas: todo mundo tem algo a dizer
Everybody sees the ants. Amy Sarig King. Trad. Marcello Salles. Belo Horizonte. Gutenberg. 2016. 238 páginas.

Sinopse:
A 1ª coisa que você precisa saber é que tudo o que eu fiz foi uma pergunta idiota. A 2ª coisa que você precisa saber é que essa pergunta idiota me trouxe muitos problemas com Nader McMillan, o cara que faz bullying comigo desde que eu tinha 7 anos. E uma semana atrás ele pegou bem pesado comigo. Foi aí que eu comecei a ver formigas. A 3ª coisa que você precisa saber é que meu avô Harry desapareceu durante a Guerra do Vietnã e nunca foi encontrado. Então, todas as noites, eu tento resgatá-lo da sua prisão na selva em meus sonhos. Mas nunca consigo. A 4ª coisa que você precisa saber é que minha mãe é uma lula e meu pai, uma tartaruga. Ela tenta afogar os seus problemas nadando o dia todo em uma piscina pública, e ele nunca está por perto e desaparece dentro da casca no primeiro sinal de confronto. Então, se juntarmos Nader McMillan, a minha pergunta idiota, vovô, e tudo o mais na minha vida, somos só eu e as formigas. A grande sacada de Todo mundo vê formigas é que ele vai ajudá-lo a entender que as pessoas que parecem muito diferentes de você, na verdade são muito parecidas.

Ponderação:
Nader McMillan consiste num personagem que possui personalidade psicótica doentia. Sente prazer em torturar pessoas, aquelas ousadas em contraria-lo. A maioria das pessoas sabem de suas ações maléficas, mas nada contribuem para frear-lo. Isso fica evidenciado pelos dois, personagens adultos, em defini-lo como 'covarde'.
Os Linderman vivem numa espécie de limbo. Vivem a sombra da Guerra do Vietnã. Quando uma tarefa escolar é solicitada e o tema proposto no qual seria abordado, provoca uma tempestade. Eles não sabem como lidar com a situação. 
A nossa leitura não se pode mencionar que seja bullying, a coisa toda começou aos 7 anos, portanto está mais para maldade pura e simples do que bullying. Os pais, de um e do outro, tiveram suas parcelas de culpa, principalmente o pai de Nader, que não impôs limites ao filho.
Aqui, é uma ficção inspirada na realidade de muitos.


25 de maio de 2019

Rolando Boldrin

Rolando Boldrin: Palco Brasil
Ieda de Abreu. São Paulo. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Cultura - Fundação Padre Anchieta. 2005. 176 paginas no formato digital. [Coleção Aplauso]

Sinopse:
Misto de ator, cantor, compositor, filantropo e contador de histórias ('causos'), Rolando Boldrin é um homem de muitos talentos e personalidade. Mas que confessa - 'Sou fundamentalmente um ator, esse tem sido meu trabalho a vida inteira - radioator, ator de novela, de teatro, de cinema, um ator que canta, declama poesias, conta histórias'. Foram 25 novelas, 20 peças teatrais, dois filmes, vinte discos, quatro musicais, dois livros e uma carreira também na publicidade. Sem esquecer os muitos anos de êxito na série Som Brasil, na Rede Globo. Há alguns anos criou a Associação Rolando Boldrin, que ajuda 37 famílias carentes da região de Cotia. 

Ponderação:
O livro é uma grande oportunidade para amantes da cultura popular, da verdadeira cultura do povo brasileiro.
Uma personalidade da teve, do rádio, do cinema e do teatro, conhecido por contar suas famosas histórias, e que se torna um convite para conhecer mais sobre a cultura do Brasil. Muito bom a observação que faz a respeito da "Música Sertaneja", onde menciona não ser a música representante do Brasil. Ela é, na verdade, música comercial e romântica,