15 de janeiro de 2019

O Deserto dos Tártaros

O Deserto dos Tártaros
Il deserto dei tartai. Dino Buzzati (1906 - 1972). Trad. Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 2018. 7ª ed. 206 páginas.

Sinopse:
Feliz por escapar da monotonia da academia militar, o jovem tenente Giovanni Drogo recebe com alegria a missão no forte Bastiani - para ele, a primeira etapa de uma carreira gloriosa. Embora não pretendesse ficar por muito tempo, o oficial de repente se dá conta de que os anos se passaram enquanto, quase sem perceber, ele e seus companheiros alimentavam a expectativa de uma invasão estrangeira que nunca acontece.
A espera pelo inimigo transforma-se na espera por uma razão de viver, na renúncia da juventude e na mistura de fantasia e realidade. Publicado originalmente em 1940, "O deserto dos tártaros" marcou a consagração de Dino Buzzati entre os grandes escritores italianos e foi eleito pela crítica especializada um dos melhores livros do século XX.

Ponderação:
Giovanni Drogo, Limonov, Julien Sorel e  Axel Heyst possuem semelhanças a fins, embora tenham sidos elaborados em épocas diferentes, vivem bem a "achoterapia" e vivem na solidão, a margem da civilização. Porém a narrativa, que é uma alegoria de espera de um inimigo, tem influências ideológica-política-filosóficas em pleno desenvolvimento no período abrangente da escrita do livro. Um outro inimigo pelo qual, talvez, possamos decidir, é a morte! A espera torna-se um nada, mesmo batalhando ou acomodando na vã esperança da ação ou ato de heroísmo.



 

7 de janeiro de 2019

Vox


Vox
Vox. Christina Dalcher. Trad. Alves Calado. São Paulo. Arqueiro. 2018. 320 páginas.

Sinopse:
Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O Silêncio pode ser Ensurdecedor #100Palavras.
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.


Ponderação:
A narrativa é próxima de outras ficções que descreviam e descrevem formas de governos autoritários. Com muito alerta em todos os lados. Não só na questão da limitação ou não limitação da linguagem oral verbal feminina.
O reverendo Carl representa; o que já vem sendo observado em algumas localidades; uma liderança ideológica-filosófica-doutrinária de movimento de pureza, sem pé e muito menos com cabeça, o raciocínio que ele utiliza para prejudicar as mulheres, até homens, é sem dúvida, uma deturpada análise das escrituras. Ou seria uma reformulação do ocorrido na Alemanha da década de 1930? Ou A Revolução Russa de 1917? Ou o que aconteceu na cidade de Granada, quando do desaparecimento de García Lorca?
O romance fala que o silêncio é perturbador,  mas o silêncio pode ser a arma da liberdade! Del e Poe dentro do universo silencioso demonstraram toda uma coragem no mesmo modelo da famosa Resistência Francesa durante a 2ª Guerra Mundial. O Silêncio pode ser perturbador, mas dele é possível aprender códigos não verbalizados.



4 de janeiro de 2019

Aviso 20

  • Querido leitor, querida leitora! Ano Novo! Novas Leituras! Leituras que precisavam terminar, pois já o devido tempo, necessário de reflexão da obra, realizadas. Continuando dando vazão às leituras em idioma espanhol. Continuação da proposta de algumas postagens anteriores e pensar em novas. Sempre há um que está chegando pela primeira vez. Portanto: - Não sigo a tendência da moda literária, possuo meus próprios parâmetros de indicação de leitura. Visto que a memória é minha grande aliada nesta empreitada, porque estou postando sobre os livros lidos desde os meus 12 anos. Quer dizer já somam mais de quarenta anos de leitura e as mais recentes. Neste ínterim, ficaria, imensamente, feliz com maior número de comentários, se gostaram dos livros ou do que eu escrevi. Descobri a existência de dois, por um determinado período, passando à três e quatro fãs que não perdem nenhuma postagem; passando a uma variante entre 5 a 30 em alguns dos posts.
  • O descrito em "Ponderação" pode e poderá ser considerado, sim, como uma visão e vivência de leitora comum, a consumidora e devoradora de livros e leituras. Não reflete opiniões pré-definidas de Direção de Redação ou Empresa Editorial. A maioria não estão, propriamente, em estilo jornalístico ou acadêmico. Abrange um rigor peculiar e particular em relação a memória. A leitura contemporânea, atual, virá com maiores ingredientes ou não. Muitas delas são frutos de indicações sugeridas no processo de leitura ou frase mencionada ou que corrobore com algum conceito exposto na convivência diária com outras pessoas.
  • Também, haverá novas informações em algumas postagens antigas, em virtude de uma segunda leitura, uma outra visão, com o amadurecimento do conhecimento das obras literárias ou não.
  • As pequenas surpresas continuam acontecendo. Realmente, sentindo-me bastante Curiosa, pois o livro de Título - Diário da Morte, A Tragédia do Cessna 140 - está sendo visitado. Gostaria de obter informações desses leitores, eles não postaram nenhum comentário. Pergunto-me o que há de tão importante neste livro. A não ser, simplesmente, o relato da eterna burocracia brasileira e paraguaia, o motivo de não chegar a tempo de salvar o piloto com vida. Outro livro, de Título - Aleluia, a Cigana - de Gilda de Abreu vem recebendo mais acessos, mas em comentário foi possível conhecer a fã. Nadja, Obrigada! A cada trimestre, realizo uma verificação uma a uma, sendo os dois títulos mencionados continuarem no posto de Primeiro e segundo lugar. Tivemos a oportunidade de conhecer mais alguns fãs.
  • Até...




29 de dezembro de 2018

Nada

Nada
Nada. Carmen Laforet (1921 - 2004). Trad. Rubia Prates Goldoni. Rio de Janeiro. TAG / Alfaguara. 2018. 279 páginas. [Prefácio de Vargas Llosa]

Sinopse:
Andrea é uma jovem solitária que, depois da Guerra Civil Espanhola, muda-se para Barcelona para morar na casa da avó e cursar a faculdade de Letras. Ela chega à cidade cheia de expectativas, mas a realidade a assusta logo no primeiro dia, ao ter contato com a família. Na faculdade, ela tem poucos conhecidos e vive num clima de falsas aparências, em que as pessoas escondem suas verdadeiras intenções. Em meio a escândalos e intrigas, Andrea terá de aprender a viver e, quem sabe, encontrar a felicidade.

Ponderação:
O sentimento de inadequação e o desamparo sempre. Barcelona após a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), também, importante notar, embora a  Espanha tenha ficado neutra, o mundo estava em guerra, temos uma parcela na contribuição dos ânimos dos personagens.  
Andrea chega para morar na casa de sua avó e tinha grandes recordações de um ambiente agradável, para poder estudar Letras. Lá vê tudo mudado e transformado. Tudo em declínio, quer psicológico, financeiro e, até, moral. Há momentos, em que não sabemos definir se Andrea e Román são principais ou não, no confronto do desenrolar da história. No fim, percebe-se que a amizade é um tema muito importante.

Andrea  - Se apresenta como uma pessoa complexada, sempre se comparando com os seus colegas de sala que eram ricos, de fachada. Mesmo na rua, ela se sentia inferior se deparar com outras pessoas. Egoísta.
Román - A raposa vestida de gente. Manipulador. Possui especial prazer em provocar a discórdia na família. Extremamente narcisista. Era tão ruim que todos saíram ganhando com sua morte.
Angústias - A mais de uma hipócrita. A mais dúbia entre todos os  personagens.
Juán -  Pessoa, totalmente, desequilibrada. Aceita tudo de Román, porém gosta de bancar o durão e se vale de violência contra a esposa. 
Glória - Casada com Juán. É descrita pela sua beleza, não é muito inteligente, Uma das poucas pessoas sensatas na casa.
Menino - Filho do casal Glória e Juán. Com certeza será um adulto problemático, com os pais que tem.
Antonia - Empregada da casa. Mais parece a dona da casa, já que ninguém ousa entrar na cozinha,  quando a mesma se encontra. Adora rir da desgraça alheia. Apaixonada por Román.
Trueno - O cão da 'família'
Avó - Uma senhora que adora ver o bom das pessoas.
Ena - Amiga rica e sincera.
Pons - Representa a mesquinhez.


21 de dezembro de 2018

Vitória

Vitória
Joseph Conrad (1857 - 1924). Trad. Hilton Lima. Porto Alegre. TAG / Dublinense. 2016. 400 páginas. [Posfácio de John Gray]

Sinopse:
Joseph Conrad é um escritor singular na língua inglesa. O estilo único é resultado de sua formação poliglota e multicultural: Conrad nasceu na Polônia, foi educado em polonês e em francês, além de ter estudado latim, mas escolheu o inglês para escrever, idioma que só foi aprender aos vinte e um anos. Isso lhe confere um manejo incomum da língua, pois sua prosa evidencia a cadência latina. Suas frases ondulantes criam um ritmo nunca antes visto, selvagem e – ainda assim – sofisticado.
Vitória foi finalizado em maio de 1914, mas publicado apenas no ano seguinte, já em meio à Primeira Guerra Mundial. O livro traz temas recorrentes na obra de Conrad, como a solidão, a inconformidade com o mundo, o conflito entre o mal e a esperança. Seu protagonista, Axel Heyst, instala-se em uma ilha no sul asiático, em total isolamento, após um fracasso comercial que não abala sua aceitação resignada do destino. Mas a aparição de uma jovem musicista desperta nele um instinto de proteção que o levara a uma crise de identidade, e mais tarde, ao enfrentamento de grandes perigos.

Ponderação:
Psicologia. Convicções. Críticas sempre haverá. Distanciamento do meio social. A meditação profunda é a grande inimiga da perfeição e, talvez, um hábito pernicioso. Ciência X Magia. Ganância. Riqueza. Pobreza. Colonização. Exploração. Isolamento. Portugueses e sua eterna burocracia. Quando uma inverdade é disseminada, rancor através da falta de conhecimento dos fatos cometidos pela ação corajosa de uma branda atitude de boa fé, convence até um anjo, Schromberg e seu coração. O diálogo entre o Sr. Jones e Heyst é um embate surreal tamanha é sua veracidade. No fundo, a Vitória é para Lena, em sua serenidade e perpétua preocupação com o bem estar de seu salvador.



19 de novembro de 2018

A Primavera da Pontuação

A Primavera da Pontuação
Vitor Ramil. São Paulo. Cosac Naify. 2014. 114 páginas no formato digital.

Sinopse:
Certa manhã, pinta-se um quadro negro: uma palavra-caminhão, dessas que trafegam ameaçadoramente inclinadas, carregada de letras garrafais, atropela um ponto numa esquina de frases e foge sem ser identificada. Enfurecida, a pontuação se revolta e o quadro político e social de Ponto Alegre se desequilibra. No desenrolar da trama, o Rei que não governa, o Regente com problemas de regência, a Rainha ambiciosa e traiçoeira e a Passiva — polícia secreta do Estado — terão de enfrentar os perigosos radicais Grego e Latino (do grupo terrorista Compostos Eruditos), uma igreja popular recém criada e o descontentamento generalizado que teve início com o atropelamento do pequeno ponto. 
A primavera da pontuação transcorre no mundo da linguagem. Nele, o leitor entrará fascinado para confundir-se com os protagonistas da língua e acompanhar a lógica de suas ações. Ficção científica, farsa e romance pop convergem nessa obra divertida e inteligente, em que a erudição linguística ao mesmo tempo fabula, explica e provoca.

Ponderação:
Emília no País da Gramática no século XXI com tempero político. Porém, faz uma inteligente e humorada fábula dos acontecimentos ocorridos no país desde 2002 até nossa atualidade. Há uma expressão - "Ah! Se eu fosse você" - que não há uma equivalência em outros idiomas, na tentativa de exprimir o que nosso português permite; assim, acreditamos na, possível, não leitura dessa  obra no estrangeiro, justo pela simplicidade linguística adotada pelo autor. nos brindando, maliciosamente, no jogo da conjugação verbal. O uso de vocábulo em desuso nomeando determinado personagem. Todo o universo do Reino Gramatical, trazendo-nos a lembrança de como nos debruçávamos nos estudos linguísticos, enquanto éramos estudantes.

"Mas dizem que Deus escreve certo por linhas tortas."

"É bom ser prudente. O diabo escreve torto por linhas certas."


 

17 de novembro de 2018

A Promessa / A Pane

A Promessa / A Pane
Das versprechen / Die panne. Friedrich Dürrenmatt (1921 - 1990). Trad. Petê Rissatti e Marcelo Rondinelli. São Paulo. Estação Liberdade.  2018. 224 páginas.

Sinopse:
A Promessa, primeiro título deste livro, é uma obra engenhosa, filosófica e paradoxal, que satiriza e reverencia o gênero policial de forma simultânea. Já a novela A Pane revela o brilhantismo de Friedrich Durrenmatt em elaborar debates teóricos ao mesmo tempo que presenteia o leitor com uma história tão cômica quanto original. Em ambas as obras, saltam aos olhos alguns dos temas que tornaram Durrenmatt um dos maiores escritores suíços do século XX: a justiça, o dever moral, a responsabilidade ea a absurda força do acaso.

Ponderação:
Tenho me surpreendido com a leitura de alguns livros, desde a minha decisão de associar-me a TAG - Experiências Literárias; alguns não gostei. A maioria, gostei, outros poucos, adorei. Até nos "Inéditos" trouxe pequenas surpresas.
Porém, esse "A Promessa / A Pane", devidamente, dizer, tratar-se de dois livros distintos em um volume, é mirabolante. Uma hora é metalinguagem dos romances/enredos de história policial. Outro momento entra uma narrativa sem pé e sem cabeça. Problemática real. Há uma crítica às atividades policiais, falhas na condução da investigação. Final esnobe e confuso. O segundo é uma sucessão impagável, um jantar, muita conversa, comida e bebida. Onde a pane chegar, chegou, quem levou a pior?