27 de outubro de 2014

Diário de uma Paixão

Diário de uma Paixão
The Notebook. Nicholas Sparks. Trad. Renato Marques de Oliveira. Ribeirão Preto. Novo Conceito. 2010. 235 páginas.

Sinopse:
Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome em breve será esquecido, mas amei outra pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou." Noah Calhoun Assim tem início uma das mais emocionantes e intensas histórias de amor que você lerá na vida... O livro é o retrato de uma relação rara e bela, que resistiu ao teste do tempo e das circunstâncias. Com um encanto que raramente é encontrado na literatura atual,

Ponderação:
Diário de uma Paixão uma história clássica, com uma perspectiva excepcional sobre a mais importante e única emoção que nos mantém, o verdadeiro amor. Por assim dizer, a beleza da vida está nas coisas simples. Não considerei um texto tão emocionante como diz alguns críticos, listados ao final do livro. É uma bonita história, absorvida. Vale pela citação poética de Walt Whitman.



Tesouro Disney

Tesouro Disney
Nova Cultural. São Paulo. 1987.

Sinopse / Ponderação
Quando postei "Coleções", em 29/09/2014, pretendia enumerar as que eu conheço e por algum motivo, possuo. Talvez a necessidade de encontrar respostas à dúvidas a respeito de pequenas histórias e fatos da Humanidade, ouvidas por aí.
Na verdade Tesouro Disney foi minha aquisição sonhada de outras eras. A presente edição é diferente daquela vista pela primeira vez, não adquirida por falta de grana. 
Façamos as contas: São volumes com capas de cinco cores diferentes e alegres, Verde, azul, amarelo, rosa e vermelho, sendo seis para cada cor. Cada volume possui 40 páginas. Portanto, temos uma coleção com 30 volumes, com um total de 1.200 páginas, entre textos e ilustrações. Conteúdo adaptado da tela de animação para a versão impressa das histórias produzidas pela Disney. Igualmente, conhecimento geral e personalidades do mundo científico, literário, mundo selvagem (atualmente, em escassez) e outros temas.



25 de outubro de 2014

Curso de Literatura

Este post é diferenciado, pois refere-se a sétima e última aula do Curso de Literatura, patrocinado pela Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, nos dias 16 e 17 e nos dias 20 a 24 de outubro.

Literatura, Política e História


Com um tema complexo, 1ª República: "Pré-Modernismo; Modernismo - 1ª Geração". Foi mais a respeito da política socialista democrática e imigrante, propriamente, a italiana. Onde os textos impressos em jornais, tornam-se mais tarde, obras literárias.



Karina e Alexandre Hecker



Apresentando os principais teóricos 


Público






Curso de Literatura

Este post é diferenciado, pois refere-se a sexta aula do Curso de Literatura, patrocinado pela Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, nos dias 16 e 17 e nos dias 20 a 24 de outubro.


Literatura, Política e História



Cristine Fickelscherer


O tema da aula foi Literatura Marginal: Resistência e produção de novos sentidos político-literários.
Opa! lembra de quando você leu "Vidas Secas", "Grande Sertão Veredas", "Policarpo Quaresma", bem só para citar, os dois primeiros não foram entendidos como deveriam e nem sequer houve uma explicação. O último, deu até risada. Pois bem, são obras consideradas 'marginais', embora, hoje, sejam clássico da literatura. 
Marginal, porque ousaram escrever a respeito de temas não cotidiano da universalidade política de então.

"Literatura Marginal" Essa literatura data da década de 1970, onde escritores pertencentes à classe média falavam de problemas sociais, produziam, muitas vezes, de forma independente, estando assim à margem da literatura elitista. No ano de 2000, ela ressurge, assumindo a nomenclatura de literatura marginal periférica.
"Literatura Marginal"  Estimula a inteligência, o senso crítico, promovendo a reflexão sobre fatos ou acontecimentos que nos rodeia. Portanto, a literatura trás em si não só uma linguagem especial, mais também contrastes que são reais e que estão dentro de nós, seja, de forma aguçada ou branda. Conhecer esses contrastes é, sem dúvida, conhecer o ser humano em toda sua complexidade, levando-nos a compreender as ações e atitudes que colaboraram para delinear a história. 



22 de outubro de 2014

Curso de Literatura

Este post é diferenciado, pois refere-se a quinta aula do Curso de Literatura, patrocinado pela Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, nos dias 16 e 17 e nos dias 20 a 24 de outubro.

Literatura, Política e História


A aula de hoje, 2ª República: "As fases matizadas e heroicas da identidade nacional nas 2ª e 3ª gerações do Modernismo."


Mariana Estevam

Mariana Estevam e parcial do público

Vamos considerar como uma continuação da aula de segunda-feira, dia 20; romantização da brasilidade é uma idealização com base nos conceitos europeus. Houve tensão, pois ao expor conceitos de linguística e semiótica, gerou uma pequena controversa. De repente, aquela comparação da literatura com um palito de fósforo, vem a calhar.

"O que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio da noite. Um fósforo não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor." (William Faulkner)




21 de outubro de 2014

Curso de Literatura

Este post é diferenciado, pois refere-se a quarta aula do Curso de Literatura, patrocinado pela Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, nos dias 16 e 17 e nos dias 20 a 24 de outubro.

Literatura, Política e História


A Literatura é o outro lado da História Oficial. Podemos acreditar que sim?!!!... Ela tem algo de temporalidade distante dos fatos e sensações. O tema da aula foi "São Paulo: literatura e história: 'Artes Paulistanas e a São Paulo dos Bandeirantes'."

Karina e Rosana Schwartz
A literatura através do discurso positivista do final século XIX, pôde transformar a atitude histórica da cidade. E, ainda, hoje, continua com a mesma mentalidade dos tempos coloniais. nas ações cotidianas baseadas na Ordem e Progresso.

Rosana Schwartz

São Paulo: Artes Paulistanas


Torre de Babel
                                                                           Menotti Del Picchia (1892 -1988)


Eles ergueram a Torre de Babel.
bem na Praça Antônio Prado.
O esqueleto de aço cobriu-se de carne de cimento
e as vigas e guindastes
eram braços agarrando estrelas
para industrializá-las em anúncios comerciais.

Italianos joviais,
húngaros de olhos de leopardo,
caboclos de Tietê arrastando o caipira,

bolchevistas da Ucrânia,
polacos de Wrangel,
nipões jaldes como gnomos nanicos talhados em âmbar

entre as pragas dos contramestres,
os rangidos das tábuas do andaime,
o estridor metálico
das vigas de aço e dos martelos sonoros,
no céu libérrimo de S.Paulo,
fizeram a confusão das línguas,
sem perturbar a geometria rigorosa
do ciclópico arranha-céu!

Lá do alto, o paulista,
bandeirante das nuvens,
mirou o prodígio da Cidade alucinada:
uma casa de três andares
pôs-se a crescer bruscamente
como nos romances de Wells;
outra apontou a cabeça atropelada de caibros
acima do viaduto do Chá;
e começou a desabada carreira
do páreo do azul.
O formidável arranha-céu
com a cabeça nas nuvens
abrigou no seu ventre de concreto
o drama da nova civilização.

Onde estás, meu seráfico Anchieta,
erguendo com o barro de Piratininga,
pelo milagre da tua persuasão,
as paredes rasteiras do Colégio?




20 de outubro de 2014

Curso de Literatura

Este post é diferenciado, pois refere-se a terceira aula do Curso de Literatura, patrocinado pela Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, nos dias 16 e 17 e nos dias 20 a 24 de outubro.

Literatura, Política e História

Se eu tivesse tido uma orientação nas aulas de Leitura e Literatura, ao menos parecida com a de Mariana Estevam, talvez, hoje, olharia a obra de Machado de Assis com outro olhar. E que maravilha de palestra ou aula.
O tema abordado foi: Brasil Império: 'A romântica construção da identidade nacional idealizada a meio caminho dos movimentos republicano e abolicionista'.


Karina apresentando Mariana Estevam

Mariana Estevam

Para ela, a literatura é tudo na vida. Nesta aula/palestra, até eu aprendi mais algumas coisa a respeito de minha cidade, aquela buscar de saber adormecido e que desperta para a luz. Há outras maneiras de encarar a literatura, fato que já vinha observando no meu processo de leitura, como por exemplo, há possibilidade de contar um fato de várias formas diferente. Com isso, já tenho observado no meu desenvolvimento crítico, mencionados, aqui, no blogue. A literatura é produto ficcional (baseada em pesquisa).
Fator interessante, ela considera produção literária, dita, paulistana para quem escreve mais sobre a cidade do que o nativo da cidade.


Brasil Império:Identidade Nacional


IDÉIAS DO CANÁRIO
                                                                                      Machado de Assis

UM HOMEM dado a estudos de ornitologia, por nome Macedo, referiu a alguns amigos um caso tão extraordinário que ninguém lhe deu crédito. Alguns chegam a supor que Macedo virou o juízo. Eis aqui o resumo da narração.
No princípio do mês passado, — disse ele, — indo por uma rua, sucedeu que um tílburi à disparada, quase me atirou ao chão. Escapei saltando para dentro de uma loja de belchior.
Nem o estrépito do cavalo e do veículo, nem a minha entrada fez levantar o dono do negócio, que cochilava ao fundo, sentado numa cadeira de abrir. Era um frangalho de homem, barba cor de palha suja, a cabeça enfiada em um gorro esfarrapado, que provavelmente não achara comprador. Não se adivinhava nele nenhuma história, como podiam ter alguns dos objetos que vendia, nem se lhe sentia a tristeza austera e desenganada das vidas que foram vidas.
A loja era escura, atulhada das cousas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas que de ordinário se acham em tais casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio. Essa mistura, posto que banal, era interessante. Panelas sem tampa, tampas sem panela, botões, sapatos, fechaduras, uma saia preta, chapéus de palha e de pêlo, caixilhos, binóculos, meias casacas, um florete, um cão empalhado, um par de chinelas, luvas, vasos sem nome, dragonas, uma bolsa de veludo, dous cabides, um bodoque, um termômetro, cadeiras, um  retrato litografado pelo finado Sisson, um gamão, duas máscaras de arame para o carnaval que há de vir, tudo isso e o mais que não vi ou não me ficou de memória, enchia a loja mas imediações da porta, encostado, pendurado ou exposto em caixas de vidro, igualmente velhas. Lá para dentro, havia outras cousas mais e muitas, e do mesmo aspecto, dominando os objetos grandes, cômodas, cadeiras, camas, uns por cima dos outros, perdidos na escuridão.
Ia a sair, quando vi uma gaiola pendurada da porta. Tão velha como o resto, para ter o mesmo aspecto da desolação geral, faltava-lhe estar vazia. Não estava vazia. Dentro pulava um canário. A cor, a animação e a graça do passarinho davam àquele amontoado de destroços uma nota de vida e de mocidade. Era o último passageiro de algum naufrágio, que ali foi parar íntegro e alegre como dantes. Logo que olhei para ele, entrou a saltar mais abaixo e acima de poleiro em poleiro, como se quisesse dizer que no meio daquele cemitério brincava um raio de sol. Não atribuo essa imagem ao canário, senão porque falo a gente retórica; em verdade, ele não pensou em cemitério nem sol, segundo me disse depois.
Eu, de envolta com o prazer que me trouxe aquela vista, senti-me indignado do destino do pássaro, e murmurei baixinho palavras de azedume.
— Quem seria o dono execrável deste bichinho, que teve ânimo de se desfazer dele por alguns pares de níqueis? Ou que mão indiferente, não querendo guardar esse companheiro de dono defunto, o deu de graça a algum pequeno, que o vendeu para ir jogar uma quiniela?
E o canário, quedando-se em cima do poleiro, trilou isto:
— Quem quer que sejas tu, certamente não estás em teu juízo. Não tive dono execrável, nem fui dado a nenhum menino que me vendesse. São imaginações de pessoa doente; vai-te curar, amigo...
— Como — interrompi eu, sem ter tempo de ficar espantado. Então o teu dono não te vendeu a esta casa? Não foi a miséria ou a ociosidade que te trouxe a este cemitério, como um raio de sol?
— Não sei que seja sol nem cemitério. Se os canários que tens visto usam do primeiro desses nomes, tanto melhor, porque é bonito, mas estou que confundes.
— Perdão, mas tu não vieste para aqui à toa, sem ninguém, salvo se o teu dono foi sempre aquele homem que ali está sentado.
— Que dono? Esse homem que aí está é meu criado, dá-me água e comida todos os dias, com tal regularidade que eu, se devesse pagar-lhe os serviços, não seria com pouco; mas os canários não pagam criados. Em verdade, se o mundo é propriedade dos canários, seria extravagante que eles pagassem o que está no mundo.
Pasmado das respostas, não sabia que mais admirar, se a linguagem, se as idéias. A linguagem, posto me entrasse pelo ouvido como de gente, saía do bicho em trilos engraçados. Olhei em volta de mim, para verificar se estava acordado; a rua era a mesma, a loja era a mesma loja escura, triste e úmida. O canário, movendo a um lado e outro, esperava que eu lhe falasse. Perguntei-lhe então se tinha saudades do espaço azul e infinito.
. .
— Mas, caro homem, trilou o canário, que quer dizer espaço azul e infinito?
— Mas, perdão, que pensas deste mundo? Que cousa é o mundo?
— O mundo, redargüiu o canário com certo ar de professor, o mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira.
Nisto acordou o velho, e veio a mim arrastando os pés. Perguntou-me se queria comprar o canário. Indaguei se o adquirira, como o resto dos objetos que vendia, e soube que sim, que o comprara a um barbeiro, acompanhado de uma coleção de navalhas.
— As navalhas estão em muito bom uso, concluiu ele.
— Quero só o canário.
Paguei-lhe o preço, mandei comprar uma gaiola vasta, circular, de madeira e arame, pintada de branco, e ordenei que a pusessem na varanda da minha casa, donde o passarinho podia ver o jardim, o repuxo e um pouco do céu azul.
Era meu intuito fazer um longo estudo do fenômeno, sem dizer nada a ninguém, até poder assombrar o século com a minha extraordinária descoberta. Comecei por alfabetar a língua do canário, por estudar-lhe a estrutura, as relações com a música, os sentimentos estéticos do bicho, as suas idéias e reminiscências. Feita essa análise filológica e psicológica, entrei propriamente na história dos canários, na origem deles, primeiros séculos, geologia e flora das ilhas Canárias, se ele tinha conhecimento da navegação, etc. Conversávamos longas horas, eu escrevendo as notas, ele esperando, saltando, trilando.
Não tendo mais família que dous criados, ordenava-lhes que não me interrompessem, ainda por motivo de alguma carta ou telegrama urgente, ou visita de importância. Sabendo ambos das minhas ocupações científicas, acharam natural a ordem, e não suspeitaram que o canário e eu nos entendíamos.
Não é mister dizer que dormia pouco, acordava duas e três vezes por noite, passeava à toa, sentia-me com febre. Afinal tornava ao trabalho, para reler, acrescentar, emendar.
Retifiquei mais de uma observação, — ou por havê-la entendido mal, ou porque ele não a tivesse expresso claramente. A definição do mundo foi uma delas. Três semanas depois da entrada do canário em minha casa, pedi-lhe que me repetisse a definição do mundo.
— O mundo, respondeu ele, é um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto. Tudo o mais é ilusão e mentira.
Também a linguagem sofreu algumas retificações, e certas conclusões, que me tinham parecido simples, vi que eram temerárias, Não podia ainda escrever a memória que havia de mandar ao Museu Nacional, ao Instituto Histórico e às universidades alemãs, não porque faltasse matéria, mas para acumular primeiro todas as observações e ratificá-las. Nos últimos dias, não saía de casa, não respondia a cartas, não quis saber de amigos nem parentes. Todo eu era canário. De manhã, um dos criados tinha a seu cargo limpar a gaiola e por-lhe água e comida. O passarinho não lhe dizia nada, como se soubesse que a esse homem faltava qualquer preparo científico. Também o serviço era o mais sumário do mundo; o criado não era amador de pássaros.
Um sábado amanheci enfermo, a cabeça e a espinha doíam-me. O médico ordenou absoluto repouso; era excesso de estudo, não devia ler nem pensar, não devia saber sequer o que se passava na cidade e no mundo. Assim fiquei cinco dias; no sexto levantei-me, e só então soube que o canário, estando o criado a tratar dele, fugira da gaiola. O meu primeiro gesto foi para esganar o criado; a indignação sufocou-me, caí na cadeira, sem voz, tonto. O culpado defendeu-se, jurou que tivera cuidado, o passarinho é que fugira por astuto...
— Mas não o procuraram?
— Procuramos, sim, senhor; a princípio trepou ao telhado, trepei também, ele fugiu, foi para uma árvore, depois escondeu-se não sei onde. Tenho indagado desde ontem, perguntei aos vizinhos, aos chacareiros, ninguém sabe nada.
Padeci muito; felizmente, a fadiga estava passada, e com algumas horas pude sair à varanda e ao jardim. Nem sombra de canário. Indaguei, corri, anunciei, e nada. Tinha já recolhido as notas para compor a memória, ainda que truncada e incompleta, quando me sucedeu visitar um amigo, que ocupa uma das mais belas e grandes chácaras dos arrabaldes. Passeávamos nela antes de jantar, quando ouvi trilar esta pergunta:
— Viva, Sr. Macedo, por onde tem andado que desapareceu?
Era o canário; estava no galho de uma árvore. Imaginem como fiquei, e o que lhe disse. O meu amigo cuidou que eu estivesse doudo; mas que me importavam cuidados de amigos?
Falei ao canário com ternura, pedi-lhe que viesse continuar a conversação, naquele nosso mundo composto de um jardim e repuxo, varanda e gaiola branca e circular. . .
— Que jardim? que repuxo?
— O mundo, meu querido.
— Que mundo? Tu não perdes os maus costumes de professor. O mundo, concluiu solenemente, é um espaço infinito e azul, com o sol por cima.
Indignado, retorqui-lhe que, se eu lhe desse crédito, o mundo era tudo; até já fora uma loja de belchior. . .
— De belchior? trilou ele às bandeiras despregadas. Mas há mesmo lojas de belchior?