15 de fevereiro de 2014

Noite na Taverna

Essa imagem, busquei na internet, pois a edição
a qual tive o prazer de ler, ter se perdido no
tempo e espaço.
Noite na Taverna / Macário
Álvares de Azevedo (18831-1852). Editora Três. 1972.

Sinopse / Ponderação:
Proporciona ao leitor uma viagem ao mundo fantástico da melancolia e morbidez que caracterizam a época em que o autor viveu. Numa taverna, um grupo de conhecidos reúne-se para espantar o tédio com vinho nos lábios e contos macabros afluindo da mente.
Sem entender muito, porque a leitura foi obrigatória. Gostei do livro. Talvez tenha sido a ilusória possibilidade de estar na Rua da Glória e enxergar ao longe o Cemitério da Consolação. Na época em seu inicio (Hoje, totalmente, inviável). Uma São Paulo inteiramente diferente. Engraçado! Essa obra representa parte da geração conhecida do 'mal do século', a irreverência incontida, a tendência a divagações literário-filosóficas, a vivência sôfrega e, principalmente, a morbidez e a lascívia. Bem, como diria Álvares de Azevedo, vivendo, hoje, século XXI, na São Paulo de 2014, a sua Noite na Taverna? Ele escreveria o quê? Não seria regado a vinho a noitada? Talvez, fosse qualquer droga?



Obras Alencarinas

Obras Alencarinas:

Sinopse / Ponderação:
Não é nada fácil escrever a respeito de obras consagradas e de nacionalismo, fato que tornou-se utópico nesses dias de século XXI, onde não vemos mais as delícias de textos como o do autor de seleção de livros.

O Guarani: Obra-prima, com enredo empolgante e escrito num estilo leve e florido, onde suas imagens brotam numa espontaneidade enternecedora. Desenvolve-se durante o século XVI, às margens do Paquequer. Ceci, bela e atraente filha do capitão-mor Antônio de Mariz; o arrojado índio Peri e o aventureiro Loredano. Peri consagra á moça uma devoção extraordinária, protegendo-a  de todos os perigos. A história finaliza com a invasão dos Aimorés e com a fuga de Peri e Ceci. Há quem avalie o final desta obra como a primeira manifestação de censura em nossas artes literárias, pois Ceci e Peri na ideia inicial, terminam casando. Mas seria um tanto complicado o autor explicar tal fato. Então, ele optou pela águas subindo e a palmeira flutuando. Nos parâmetros atuais, pode-se dizer - final de obra aberta, o leitor interpreta.

Iracema / Ubirajara: Essas obras vão firmar o estilo brasileiro, mediante a improvisação dos modismos vocabulares e sintáticos da língua oral do povo. Ubirajara, versa sobre a vida dos aborígenes em seu meio natural, livres, longe do contato com a civilização. Iracema, a colonização do Estado do Ceará, com as primeiras relações dos silvícolas pelos portugueses. A Virgem de Lábios de Mel da nação Tabajara apaixonou-se por Martim, o português. Entre as guerras e os conflitos, ciúmes e disputa de poder, uma história de amor proibido, tendo como pano de fundo a cultura indígena, com seus deuses e mitos. Aqui, já entra em vigor a miscigenação - Iracema x Martin = Moacir < um novo país com terra fértil.


A Viuvinha / Lucíola: Amores proibidos. Temática Urbana. - Lucíola, Polêmico! Paulo, um jovem de família tradicional narra em primeira pessoa seu romance com Lúcia (Lucíola) e o desenrolar. Ilustrando o cenário da época com todos os seus costumes e regras sociais. Aos poucos, melhor conhecendo Lúcia, percebe-se que é impossível deixar de lado a sua segurança e dignidade exibida sempre quando ela sente-se humilhada. A Viuvinha, Jorge herda uma grande fortuna, mas a desperdiça. Conhece Carolina e apaixona-se. No dia do casamento simula um suicídio. Carolina perde sua capacidade de amar e vestida de negro ganha o apelido que empresta ao título do romance. Passados alguns anos Jorge volta, mas como Carlos, aproxima-se de Carolina. O resto é de fácil dedução.

O Tronco de ipê: A cada ano, quando da florada dos Ipês, sempre recordo-me da história, lida a quatro mãos e quatro olhos. Numa narrativa sutil. A Fazenda Nossa Senhora do Boqueirão, zona da mata fluminense. Um velho tronco de ipê, outrora frondoso, representa a decadência. Próximo, mora Benedito, espécie de feiticeiro, que guarda o segredo da família. Mário e Alice sempre viverão na fazenda. Mas, um dia, ele descobre que o pai da moça assassinou seu pai. Desesperado, Mário tenta suicídio, pois não pode se casar com a filha de um assassino. Entra em cena Benedito, que o impede, contando-lhe o segredo: Joaquim não matou o pai de Mário. Ele foi tragado pelas águas do Boqueirão e está enterrado junto ao tronco do ipê. Mário reconcilia-se com a vida e casa com Alice.

Mãe: Ah! na época foi uma odisseia conseguir esse livro. Por fim, uma ex-professora tinha o livro, emprestou, mas com prazo recorde para ser devolvido. Hoje, ainda, tenho a cópia feita, correndo, eu datilografando à tarde e mamãe na manhã seguinte para a devolução dentro do prazo estipulado. Bom, já na época de José de Alencar, fazia-se homenagem às mães.



14 de fevereiro de 2014

Croma

Croma, caminho de vida
Regis Castro. Raboni Editora. 188 páginas.

Sinopse / Ponderação:
Croma é um navio de turismo. Nele se encontraram: Álvaro Ruiz, psiquiatra; Fernando Torres, seminarista, em vias de fazer os votos; Maria e Odete Ramos Penteado, mãe e filha; Rosely Gonçalves de Almeida, futilidade na sua totalidade humana. 
Muito a contra gosto Torres aceita a ‘prova’ (brincadeira) de Ruiz, em colocar em xeque a escolha real do seminarista. Este conta ao psicanalista toda a sua vida de sua escolha vocacional. Vestido de maneira civil – comum. Encontra Rosely e Odete. Sente-se atraído por ela, deixando-se confuso. 
Odete é bonita e inteligente, quase faz com que Torres desista da vida sacerdotal. Ele próprio duvida da veracidade de sua vocação, tal é o confronto com a vida não religiosa. 
Porque a sociedade não aceita a vocação religiosa ‘católica’? Porque ninguém contradiz a vocação de um ‘luterano’, ‘calvinista’, ‘batista’ ou ‘budista’? Ou todas essas que há uma em cada esquina para melhor servir igual a uma mercadoria qualquer? Qual diferença há entre um religioso e um médico ou advogado? Entre uma religiosa e uma prostituta ou professora? Se ambas posições vocacionais ‘profissionais’ estão a serviço de Deus. Qual a capacidade de cada um na distribuição do amor a que Deus nos deu? E a que ele, Deus, quer que distribuímos. 
Há inúmeras maneiras de servir a Deus e é isso que Torres mostra-nos no decorrer da sua viagem no Croma. Até Dr. Ruiz reformula sua teoria de ateísmo cientifico. O engrandecimento do espírito através da fé. O valor da renuncia ao mundo mundano, valor esse em alguns casos, leva-nos a realização pessoal e profissional.



11 de fevereiro de 2014

Philomena

Philomena: Uma mãe, seu filho e uma busca que durou cinquenta anos
The Lost Child of Philomena Lee. Martin Sixsmith. Trad. Cláudia Mello Belhassof. Campinas. Verus. 2013. 475 páginas.

Sinopse / Ponderação:
Domingo, dia 26 de janeiro, estava eu sentada folheando o jornal dominical, simplesmente depara-me com a matéria da colega, Vivian Masutti, em “Leia com Prazer”, comentando mais um livro que virou filme, dizendo que filme nenhum substitui o prazer da leitura. Diante das minhas atividades, inclusive a preparação de textos para esse blog, levei dez dias para percorrer as 475 páginas do livro. O autor escreve bem, contando, mais ou menos, como montar e contar a história de alguém já falecido, no caso Anthony Lee/Michael Hess. Então, Philomena uma adolescente que vive na Irlanda e ficando grávida, em 1952. Ela é mandada para o convento, em Roscrea, para ficar sob os cuidados das freiras e “expiar” seus pecados – como ela poderia expiar seus pecados, se tudo aconteceu por ser totalmente inexperiente, com acontecia na época. Ela fica com seu filho até os três anos dele, quando a Igreja – com a desculpa de ajudar os pecadores – lhe toma o menino e o vende (prática comum naquela localidade – sendo que volta meia temos notícias ‘abafadas’ sobre o comércio de crianças) para um casal americano. 
Anthony Lee foi enviado para os EUA, porque o casal Doc e Marge Hess queriam uma menina, como Mary McDonald, mais nova que o menino (vendida). Os dois sempre sofreram com o sentimento de rejeição, Mary não foi tão aplicada e perfeita, mas Anthony/Mary, na América, Michael e Mary Hess. Michael tornou-se um exemplar filho adotivo, tanto que seus esforços resultaram positivos, sendo um advogado de sucesso em Washington e um dos nomes mais proeminentes dentro do Partido Republicano nas administrações Ronald Reagan e George Bush. Philomena Lee não imaginaria a sorte material de seu filho, mas enquanto ela buscava conhecer seu paradeiro, Ele também a procurava.
O autor poderia ter mencionado menos sobre o relacionamento homossexual de Michael, e dado maior ênfase, por exemplo, a esclarecer se Susan Kavanagh teria um elo de ligação com o casal Kavanagh do caso Jane Russell, atriz de Hollywood que fora a Irlanda ‘comprar’ uma criança. Não detalha muito e fica em suspenso a vivência, mesmo precária, com Doc,  Marge e os demais irmãos de 1977 a 1983. Com a própria Mary há um vácuo. Mas mostra-nos o mundo sem moral dos políticos e da política, quando se trata da Saúde Pública. A descrição da evolução da epidemia da Aids, nos anos 1980 e 1990, fez-me lembrar opiniões controvérsias e do outro lado da moeda; só mesmo, no momento, de uma resolução da ONU obrigando os países a tomarem diretrizes para o saneamento de qualquer epidemia é que poderemos comprovar, que haverá cura para qualquer enfermidade que assola a humanidade. Vale a leitura.



8 de fevereiro de 2014

Schifaizfavoire

Schifaizfavoire: Dicionário de português
Mário Prata. São Paulo. O Globo.

Sinopse:
Mário Prata morou durante dois anos em Portugal. Nesse período, pesquisou as mais engraçadas e interessantes diferenças entre o português de lá e o de cá, colocando neste livro o divertido estudo sobre elas.

Ponderação:
Sem comentários sérios, o autor é simples fora de série, quando se propõe a fazer humor. Mas a seriedade é sempre motivo de enriquecimento para o nosso saber.



Lazos Eternos

Lazos Eternos
Laços Eternos. Zibia Gasparetto. Trad. E. Herman Rodrigo Torres.  São Paulo. Espacio Vida e Consciência. 1996. 296 páginas.

Sinopse:
El amor une.
El odio también.
Ralaciones de odio son pasajeras.
Las de amor, eternas.
La vida usa la reencarnación.
Aproxima a las personas.
Nos abre la comprensión para otros fragmentos de la verdad.
Desrrolla nuestros sentimientos.
Ilumina nuestra inteligencia.
Nos facilita la conquista de la paz.
Las almas maduran, consiguen percibir que existe solo amor.
Fuerza motriz de la vida fluyendo de todo.
En lazos indestructibles por la eternidad.

Ponderação:
Li essa tradução, em uma época, ainda tinha pouca fluídez no idioma espanhol, que na teoria é versão, porque se trata de obra originalmente escrita em português, o correto seria dizer: Li a versão feita ao espanhol. Percebi algumas falhas. A narrativa deu-me vontade de rir, ou melhor, dei risada da imaginação de Zíbia e foi espetacular - onde - alguém que morre - vai ao céu e passa a vida lá, sentada vendo filmes... 



Anos Rebeldes

Anos Rebeldes
Gilberto Braga. Adaptação: Flávio de Campos. São Paulo. Globo. 1992. 206 páginas.

Sinopse:
O passado recente dos primeiros anos da ‘ditadura militar’ no Brasil, tendo como personagens centrais jovens estudantes cariocas que enfrentam os dilemas impostos pela situação gerada pelo regime..

Ponderação: 
A trama central gira em torno do triângulo amoroso formado por Edgar Paranhos Ribeiro, Maria Lúcia Siqueira Damasceno e João Alfredo Galvão, sendo compartilhada com a família e amigos, aliada à situação em que se encontrava o país na época do que ficou conhecida como Ditadura Militar. Havia várias na América do Sul. O livro é diferente da minissérie e mais consistente. A história é contada através do diário de Maria Lúcia e cartas trocadas entre os personagens e narrada pelo Edgar. 
Desde que a minissérie saiu em DVd, criei o hábito de rever aquelas cenas, a cada quatro anos, em ano eleitoral geral, que, também, estão no livro, a carga emocional é maior e há uma espécie de dúvida! Em contrapartida criada pela chamada “Esquerda Festiva” narrada em prosa em verso fez o quê? Vivi, também, aqueles anos, sob uma ótica diferente, mas era mais agradável o ambiente. Quizá, tínhamos mais tranquilidade. Maria Lúcia amou João com todas as suas forças. Tentou seguir seus passos, afinal de contas, quando amamos, tentamos nos acomodar no que o outro faz. Maria Lúcia era chamada de alienada. Ora! Era uma alienada com os pés no chão, ela sabia exatamente que não servia para nada toda aquela história de militância de esquerda. Ela conhecia o outro lado da moeda. Maria Lúcia construiu aos trancos e aos barrancos uma vida sossegada com objetivos futuros a serem realizados.
A “Esquerda Festiva” daqueles anos fez um João Alfredo Galvão patético, igualmente a tantos outros pelo Brasil afora. Ele foi incapaz de perceber a necessidade de ser ‘presente’ para as pessoas que o amavam. Sim, João não construiu nada para ser lembrado. Sua preocupação era em exigir mais isso para os fulanos não sabia das contas, que não tinham nada a ver com a realidade dele e de seus amigos. Só sabia ser presente para não sabia das contas de quem quer que fosse. No momento, em que poderia ser feliz e construir uma vida e raiz, ele vai atrás não sei de que sabia das contas. Possivelmente, se houvesse continuidade, seria algum político, discursando pelo direito não saber das contas. João não aprendeu que não se pode acabar com os ricos na ânsia de melhorar os pobres, tirando dos ricos para dar aos pobres. Temos é que ensinar ricos e pobres na mesma proporção para terem condições de sobrevivência em igualdade.
Assim, como João e tantos outros pelo país afora, ditaram e gritaram tanto por direito disso, direito daquilo e, esqueceram-se do que há de mais importante em qualquer sociedade civilizada: Dever. Sim! Para uma sociedade equilibrada, para cada Direito há sempre um Dever e para cada Dever há sempre um Direito.
De tudo, a Esquerda Festiva tomou o poder e daí?